Por melhores salários e mais justiça

Greves na Semapa e na REN

Na Secil e na CMP, ambas integradas no Grupo Semapa, iniciam-se greves na próxima terça-feira. No dia seguinte, começa uma série de paralisações na Saint Gobain Mondego. Na REN a luta abarca o mês de Março.

Sem luta os trabalhadores perderiam três vezes

Image 6757

Ao fim de três reuniões que deveriam ser de negociação, os representantes das cimenteiras não alteraram a posição: em 2011 os salários não vão aumentar nada. Mas os trabalhadores «não estão dispostos a aceitar o congelamento salarial pretendido pelas administrações», «decidiram defender as suas reivindicações» e «marcaram uma greve, de 22 a 25 de Fevereiro», informou segunda-feira a Feviccom/CGTP-IN.

A federação mantém a proposta sindical em 4,5 por cento, defende uma mais justa distribuição da riqueza e salienta que a Secil, em Setúbal, e a CMP, em Leiria, «são altamente rentáveis». «Os trabalhadores contribuíram para os muitos milhões de euros de lucro nos últimos anos e agora são tratados assim?» – protesta-se num comunicado em distribuição na Secil.

«Fartos de esperar» e após uma reunião, dia 3, com a empresa, os trabalhadores da Saint Gobain Mondego, na Figueira da Foz, decidiram realizar paralisações ao longo dos sucessivos períodos de trabalho, entre os dias 23 e 26 (quarta-feira e sábado da próxima semana), em defesa do caderno reivindicativo que apresentaram, reclamando três por cento de actualização salarial e melhores condições de trabalho. Apesar dos 62 milhões de euros de lucro obtidos nos últimos quatro anos, a Administração não atendeu nenhuma das justas reivindicações, refere um comunicado do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira, que integra a Feviccom.

Um plenário de trabalhadores da REN (Redes Energéticas Nacionais), com cerca de 300 participantes vindos de várias regiões, aprovou na segunda-feira uma série de greves, a realizar durante todo o mês de Março, para rejeitar as «medidas de austeridade» do Governo e do PSD, particularmente os cortes nas remunerações, e para exigir aumentos salariais em 2011, a negociação e o cumprimento do acordo colectivo de trabalho, abrangendo todos os trabalhadores.

As decisões foram divulgada pela Fiequimetal/CGTP-IN. A federação revelou ainda que o plenário teve que reunir na rua, à chuva, frente à sede da empresa, em Lisboa, porque a Administração recusou a cedência de instalações. A greve abrange todos os regimes de laboração e decorre nas duas primeiras horas da jornada de trabalho, entre 1 e 8 de Março; nas duas últimas horas, de 9 a 15 de Março; nas três primeiras horas, de 16 a 23 de Março; e nas três últimas horas, de 24 a 31 de Março.

Na REN vigora um ACT que é comum às empresas do Grupo EDP e que tem sido negociado conjuntamente, desde a separação da Rede em empresa autónoma, com 51,09 por cento do capital social na posse do Estado. Este ano, contudo, a REN não se tem feito representar nas negociações de revisão do ACT, que iam ter ontem a sua sétima sessão.

Na reunião da semana passada, a Comissão Negociadora Sindical manteve em 3,5 por cento a proposta de actualização salarial, porque os representantes da EDP também mantiveram inalterada a sua, de 1,55 por cento. Para ontem, foi convocado um plenário nacional de dirigentes e delegados sindicais, que deveria «discutir e decidir sobre a evolução deste processo».

«Contra o roubo dos salários», os trabalhadores da Valorsul e o SITE CSRA preparam a intensificação da luta. Num comunicado, distribuído na semana passada, o sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN acusa a administração de ter feito a pior interpretação possível para os trabalhadores e ir mais longe do que a própria Lei do Orçamento do Estado. Foi lançado um abaixo-assinado, e foi marcada uma greve ao trabalho suplementar a partir da passada terça-feira. Num plenário geral de trabalhadores, convocado para segunda-feira, 21, junto à sede da empresa, vão ser decididas novas formas de luta a adoptar.

O sindicato explica que os trabalhadores ficam a perder, seja por força da redução directa da sua retribuição (entre 3,5 e 10 por cento), seja devido ao congelamento dos salários, das progressões e de outros direitos, seja ainda em consequência da redução do pagamento do trabalho suplementar e nocturno.


Mais artigos de: Trabalhadores

A inabalável força da unidade

Endurecer as formas de luta para impedir os cortes salariais, exigir respeito pela contratação colectiva e emprego com direitos, e combater a precariedade foram decisões saídas dos plenários que reflectiram a unidade demonstrada durante a semana de greves no sector dos transportes e comunicações.

Absolvidos persistem na luta

Na segunda-feira, em Lisboa, como a 20 de Janeiro, no Porto, acabou por ser reconhecida em tribunal a razão de quem luta. A condenação foi para quem manda reprimir.

Conquista no comércio de Aveiro

Finalmente foi possível incluir o subsídio de alimentação nos contratos colectivos de trabalho do comércio a retalho e do comércio de carnes do distrito de Aveiro, cuja revisão ficou concluída na semana passada, revelou o CESP/CGTP-IN. Desde o primeiro dia de 2011,...

Comunidade educativa anuncia protestos

Organizações de professores, estudantes, pessoal não docente (assistentes operacionais, psicólogos, inspectores de ensino e educação) vão promover uma «marcha nacional pela qualidade da educação e em defesa da escola pública», no dia 2 de...

Polícias insistem na demissão do MAI

Nos primeiros plenários distritais, seguidos de desfiles até aos governos civis, a Associação Sindical dos Profissionais de Polícia persistiu na exigência de demissão do ministro Rui Pereira, que perdeu a confiança do pessoal. Nos protestos iniciados a 1 de...

Protesto hoje no ISS

Uma concentração dos trabalhadores do Centro Distrital de Segurança Social de Lisboa foi marcada para hoje, a partir das 10h30, em Lisboa, junto ao edifício onde está instalado o Conselho Directivo do Instituto da Segurança Social, para exigir «dignidade e...