Posição da CGTP-IN sobre as eleições presidenciais

Votar pela ruptura

A CGTP-IN exorta os trabalhadores a participar nas eleições de 23 de Janeiro, associando o voto ao sentido da luta, para eleger um Presidente da República (PR) que se bata por uma efectiva mudança de rumo do País.

Esclarecimento e mobilização dos trabalhadores para o voto

«Estas eleições devem ser encaradas com grande atenção e elevado sentido de responsabilidade por todos, porque, não obstante o PR não ter funções executivas, tem poderes que podem influenciar e determinar a defesa dos interesses da generalidade da população, da independência e soberania do País», afirma a Intersindical, salientando a necessidade e o empenho do movimento sindical «no esclarecimento e mobilização dos trabalhadores para o voto».

Numa tomada de posição, divulgada anteontem e aprovada pelo Conselho Nacional, a CGTP-IN exigiu uma «mudança de rumo» para Portugal e criticou o actual Presidente da República por defender um Orçamento do Estado que «é mau para os portugueses» e que apoia «a aplicação de políticas que geram desemprego, que empobrecem os trabalhadores e a população».

«Cavaco Silva representa uma perigosa perspectiva, profundamente conservadora, para o futuro dos portugueses e do País em geral, e dos trabalhadores em particular», adverte a Intersindical, que está preocupada com a «destruição do Estado Social, nomeadamente do Serviço Nacional de Saúde e do carácter solidário e universal do sistema de protecção social (e do sistema de Segurança Social)».

«Invocando que há sempre alguém que tem menos, corta-se nos direitos e nas condições de quem também vive mal e já pouco tem. É isso que Cavaco Silva tem ajudado a fazer», acrescentou.

 

Acção pela mudança

 

No documento apresentado aos jornalistas, a CGTP-IN afirma ainda que em democracia uma eleição para a Presidência da República exige que os cidadãos e os trabalhadores em particular tomem plena consciência do processo e que possam analisar os problemas com que o País se confronta.

Neste sentido, reclama-se a apresentação de propostas concretas pelos candidatos de forma a impor a ruptura «com as políticas actuais» e uma «atitude exigente de acção pela mudança e por profundas transformações sociais e políticas».

«É preciso que a indignação e o descontentamento de quem trabalha se manifeste pelo voto na defesa dos seus interesses e não pela abstenção que só beneficia as políticas de direita e os responsáveis pela situação em que o País se encontra», sustenta a Intersindical, defendendo a «concretização dos direitos, liberdades e garantias constitucionais, como o direito ao trabalho com direitos, a uma justa distribuição da riqueza, contra a pobreza e as desigualdades, a defesa e reforço das políticas sociais públicas que garantam o direito universal à Saúde, ao Ensino, à Segurança Social, à Justiça».

«Com esperança e confiança, com a força do nosso voto, vamos todos contribuir para a construção de um Portugal democrático, mais justo, solidário, independente e soberano», conclui a CGTP-IN.

 

Plenário amanhã

 

O Plenário de Sindicatos da CGTP-IN, que reúne amanhã em Lisboa, vai analisar a realização de acções de luta regionais na última semana de Janeiro. A proposta foi aprovada anteontem no Conselho Nacional, como «o primeiro passo de uma luta que neste primeiro trimestre vai ser inevitavelmente em crescendo», antecipou Manuel Carvalho da Silva, na conferência de imprensa realizada ao fim da tarde de terça-feira. O Secretário-geral da Intersindical acentuou a necessidade de «intensificação da mobilização dos trabalhadores», particularmente para exigir aumentos salariais justos e contrariar as medidas de «austeridade» incluídas no Orçamento do Estado.



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