Vencer as dificuldades
Jerónimo de Sousa alertou para a situação «dramática» que Portugal atravessa e lembrou que o PCP não se «conforma com as injustiças, nem se rende ao capitalismo e inscreve no horizonte a construção de uma sociedade nova, o Socialismo para Portugal».
Um rumo de esperança para os portugueses
Na sua mensagem de Ano Novo, dirigindo-se ao povo português, o Secretário-geral do PCP começou por lembrar que 2010 «foi o ano em que quase 800 mil portugueses conheceram o desemprego» e que as «injustiças sociais mais se agravaram com a degradação dos salários e das pensões e a entrada na pobreza de milhares de trabalhadores».
Este foi o ano, continuou, «em que os preços dos medicamentos aumentaram brutalmente», «foram encerradas centenas de escolas no interior do País», «milhares de pequenos empresários foram arrastados para a ruína», mas, também, em que «milhões de euros de recursos nacionais foram roubados ao nosso povo, por acção da especulação financeira e do lucro fácil para o capital».
Jerónimo de Sousa salientou ainda que em 2010, no seguimento de mais de três décadas de política de direita, se assistiu a uma «nova convergência de interesses e apoio mútuos entre PS, PSD e CDS – apadrinhada por Cavaco Silva – visando o favorecimento dos grupos económicos e a imposição de inaceitáveis sacrifícios ao nosso povo».
«Foi assim que vieram os PEC e depois o Orçamento do Estado – cujos impactos negativos os portugueses começarão a sentir já dentro de dias. Medidas sempre em nome da crise e do défice, sempre em nome dos chamados mercados, dos grupos económicos e financeiras. E sempre contra os trabalhadores como se constata nas intenções de novas alterações na legislação do trabalho», acusou, explicando que «só não foram mais longe porque encontraram pela frente a determinação, a coragem e a luta do povo português», como ficou provado na greve geral de 24 de Novembro.
O Secretário-geral do PCP reafirmou, por outro lado, que o País «não está condenado ao atraso, nem o povo português está perante a inevitabilidade de uma vida pior». «Portugal não é um país pobre. Temos recursos naturais importantes, mas temos sobretudo a força imensa de milhões de trabalhadores e da nossa juventude para arrancar o País do atraso. Pôr Portugal a produzir, criar emprego, valorizar os salários – é esta a política necessária para vencer dificuldades e abrir um rumo de esperança para os portugueses», sublinhou.
Conquistar voto a voto
Jerónimo de Sousa falou ainda dos «combates que temos pela frente», que passam, entre outras lutas, pelas próximas eleições presidenciais, em que a candidatura de Francisco Lopes «emerge como a voz dos trabalhadores, do protesto contra a política de direita, da mudança». Até ao dia 23 de Janeiro, assegurou, os «dias vão ser de intenso trabalho e intervenção», «realizando uma grande campanha eleitoral para conquistar voto a voto e construir um resultado que vá tão longe quanto o nosso povo quiser».
Quase a terminar, o Secretário-geral do PCP endereçou uma palavra de «confiança nos trabalhadores, no povo e no nosso País». «A confiança de um Partido que em 2011 assinalará 90 anos de luta» e que «não se conforma com as injustiças, nem se rende ao capitalismo e que inscreve no horizonte a construção de uma sociedade nova, o Socialismo para Portugal», afirmou, acrescentando: «90 anos de luta do PCP que são em si testemunho de um percurso de ligação aos trabalhadores e ao povo português, expressos na luta contra o fascismo e pela liberdade, nas grandes conquistas da Revolução de Abril e na defesa ao longo deste anos desse património imenso de direitos e avanços democráticos».