Francisco Lopes nos debates televisivos

Afirmação de um novo rumo

A participação de Francisco Lopes nos debates televisivos contribuiu para afirmar a candidatura e a política patriótica e de esquerda de que é portadora, por mais que comentadores e analistas se tenham esforçado por a desvirtuar e minimizar.

Cavaco, Alegre e Nobre estão comprometidos com a política de direita

 

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Quem assistiu aos debates televisivos em que participou Francisco Lopes ficou esclarecido acerca do rumo que a sua candidatura propõe para o País e da forma como os poderes presidenciais podem ser utilizados ao serviço da ruptura e da mudança – e não, como tem sucedido, para prosseguir e intensificar a acumulação dos lucros por um punhado de grandes grupos económicos à custa do aumento do desemprego, da precariedade, da exploração e da pobreza.

No frente-a-frente com Cavaco Silva, Francisco Lopes acusou o actual Presidente da República de se ter assumido como a «voz dos mercados» e não dos interesses nacionais. O candidato comunista referia-se nomeadamente às críticas feitas por Cavaco Silva àqueles que criticavam os tais «mercados», nada dizendo relativamente à especulação e ao roubo de recursos nacionais por parte dos grandes bancos europeus. Confrontado com esta questão, Cavaco Silva agitou com as consequências que tais críticas poderiam ter na economia nacional, ao que Francisco Lopes respondeu lembrando que a especulação não abrandou com as sucessivas cedências. Antes pelo contrário, continua e intensifica-se.

Relativamente às acusações de Cavaco Silva relativamente ao seu suposto «radicalismo» e «extremismo», o candidato comunista afirmou: «Não há maior radicalismo e ilusão do que aceitar a versão dos mercados» e «abdicar dos interesses nacionais». O que os diferentes órgãos de soberania deveriam ter feito – e Francisco Lopes comprometeu-se a fazê-lo se for eleito – era impor condições aos mercados, concertando posições com outros países, como a Irlanda, a Grécia ou mesmo a Espanha.

O Orçamento do Estado para 2011 também esteve no centro do debate entre Francisco Lopes e Cavaco Silva, com o candidato comunista a prever que gerará «mais recessão e desemprego». Acusando o actual Presidente da República de ter apadrinhado o acordo entre PS e PSD, Francisco Lopes lembrou que «não há nada que possa eliminar as responsabilidades que o candidato Cavaco Silva tem neste Orçamento do Estado». Perante isto, Cavaco Silva procurou sacudir a água do capote, empurrando para a Assembleia da República e para os deputados (todos!) a responsabilidade exclusiva pela aprovação do Orçamento. Mas o truque saiu-lhe mal, porque perante si estava o deputado de um partido que se opôs firme e coerentemente às opções políticas que lhe estão inerentes.

 

Clarificar posições

 

Dias antes, Francisco Lopes debatera com o candidato do PS apoiado pelo BE Manuel Alegre. E também aí sobressaíram diferenças fundamentais entre ambos: enquanto que Francisco Lopes se manifestou frontalmente contra o Orçamento do Estado para 2011, Manuel Alegre considerou-o um inevitável «mal menor»; se o candidato comunista criticou as opções políticas do Governo, responsabilizando-as pela situação do País, Alegre não se distanciou delas; Francisco Lopes criticou o actual rumo da União Europeia (com a União Económica e Monetária, o Banco Central Europeu e o euro), e quem em Portugal as suportou com entusiasmo, ao passo que o candidato do PS deixou escapar um resignado «não há solução fora da Europa». E não houve belas palavras que conseguissem ocultar estes factos.

Ficou assim claro, como afirmaria Francisco Lopes no final do debate, que Manuel Alegre está em melhores condições para mobilizar todos os que apoiam o Governo, enquanto o candidato comunista se encontra mais bem posicionado para mobilizar aqueles que se lhe opõem.

No primeiro debate televisivo entre candidatos à Presidência da República, no dia 14 de Dezembro, que opôs Francisco Lopes a Fernando Nobre, o candidato comunista destacou que o facto de a sua candidatura emanar do PCP não a diminui – pelo contrário, o apoio do PCP é um «selo de garantia», pelo seu percurso, pela sua história, pela sua luta... Ao contrário, o apoio de Fernando Nobre a Mário Soares, a Durão Barroso e ao Bloco de Esquerda faz ruir por completo toda a sua afirmação de que está acima dos partidos.

Francisco Lopes confrontou ainda Nobre com a sua defesa da aprovação do Orçamento do Estado, visto pelo médico como o «possível». O que propõe para o Serviço Nacional de Saúde aproxima-o das propostas apresentadas pelo PSD. 

 

Os silêncios de Cavaco

 

Há silêncios mais reveladores do que muitas palavras e Cavaco Silva mostrou isso mesmo no debate com o candidato comunista na noite de dia 21 de Dezembro. O caso BPN  foi um dos assuntos a que o Presidente da República não respondeu. «Em 2008, o acordo estratégico entre o Presidente da República e o Governo permitiu que em apenas quatro dias houvesse um entendimento para a publicação da lei de nacionalização do banco», acusou Francisco Lopes, que lembrou em seguida que no buraco do BPN foram já enterrados cinco mil milhões de euros do erário público. Assim sendo, assegurou, não teria usado o poder de promulgação, como fez Cavaco Silva, para «acomodar os prejuízos do BPN no Estado». O ex-presidente deste banco, Oliveira e Costa, financiou e apoiou o actual Presidente, recordou ainda Francisco Lopes.

Outro dos assuntos a que Cavaco Silva não respondeu foi à pergunta directa da moderadora acerca da sua opinião quanto à liberalização dos despedimentos. Resguardando-se na Constituição e no processo de revisão, Cavaco Silva procurou arrumar o assunto com a afirmação de que «sou candidato mas não deixo de ser Presidente». E, como tem feito ao longo do seu mandato, preferiu não comentar...

 

Os senhores comentadores

 

Um debate em directo tem alguns inconvenientes para quem pretende esconder a natureza ímpar da candidatura comunista à Presidência da República. Se no tratamento diário das acções de campanha é fácil cortar, silenciar ou amputar a mensagem de Francisco Lopes (e fazem-no diariamente), num debate transmitido em tempo real a coisa muda de figura.

É aí que entra o comentador, para cumprir a certamente bem remunerada missão de fazer crer ao telespectador que não viu o que realmente viu e de fazer coro com aqueles candidatos – como Cavaco ou Alegre – que aceitam as inevitabilidades do aumento das desigualdades e a submissão do País aos ditames do grande capital, nacional e internacional. E são eles que, embora reconhecendo que Francisco Lopes é alguém «bem preparado», «eficaz» e «conhecedor» da Constituição, afirmam não ter o candidato comunista ideias nem soluções «realistas». Porque realista, evidentemente, é esta política de afundamento nacional, de que estes comentadores são, também eles, suporte.

Mas nos debates que muitos milhares de portugueses viram passou-se algo que dificilmente se poderá apagar: tal como tem feito nas múltiplas acções de campanha em que tem participado, Francisco Lopes explicitou as causas da situação que o País enfrenta e acusou os responsáveis; afirmou que os sacrifícios exigidos a amplas camadas da população portuguesa são injustos e não são inevitáveis; e manifestou a sua confiança na possibilidade de um País mais justo e desenvolvido. E isto não há comentador que consiga apagar.

 

GC



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