O caminho do futuro…

Pedro Guerreiro


Cabe aos comunistas e aos seus partidos serem os portadores da esperança e da confiança

No contexto da instável e complexa situação internacional, que coloca grandes exigências à intervenção dos comunistas, assume particular significado e importância a realização e a declaração do 12.º Encontro de Partidos Comunistas e Operários que teve lugar em Tshwane, na África do Sul, de 3 a 5 de Dezembro.

Representantes de 51 partidos comunistas e operários, de 43 países de todos os continentes reuniram-se para analisar a evolução da actual crise sistémica do capitalismo – que vai gerando novos episódios de crise, cada vez mais profundos, e impondo uma violenta «resposta», através do incremento da exploração e da opressão, que lhe são inerentes.

Neste contexto, o Encontro apontou como grandes tarefas dos comunistas a defesa da soberania dos povos - inseparáveis que são a emancipação de classe e nacional - e a construção de mais amplas e consequentes alianças sociais e frente anti-imperialista, com vista ao reforço da luta pela paz, pelo progresso social e pelo socialismo.

 

Face à violenta ofensiva capitalista contra os trabalhadores e os povos, o Encontro reiterou a consciente determinação dos comunistas de prosseguir a sua acção e reforçar a sua cooperação na luta contra a exploração e a opressão.

Partindo de experiências e intervindo em realidades muito diversas, os partidos participantes no Encontro apontaram um conjunto de eixos - que se revelam complementares e indissociáveis - em torno dos quais se propõem desenvolver acções comuns ou convergentes, como em prol da luta dos trabalhadores e dos povos pelos direitos laborais e sociais e do reforço do movimento sindical de classe; da paz e da solidariedade internacionalista para com os que resistem às provocações, ingerências e guerras imperialistas; da luta contra o anticomunismo e pela democracia; da intervenção dos comunistas e do socialismo no avanço da humanidade; do reforço das organizações anti-imperialistas de trabalhadores, de jovens e de mulheres e da solidariedade para com os povos que decidiram tomar nas suas mãos a conquista de um futuro melhor, optando pela construção do socialismo.

 

O Encontro colocou uma vez mais em evidência que, num momento em que o sistema dominante - o capitalismo -, ardilosa e brutalmente, se empenha na opressão, no silenciamento, na desorientação e adormecimento da natural e legítima resistência, da justa indignação, da mais humana aspiração de milhões de homens, mulheres e jovens à satisfação das suas mais básicas necessidades e a uma vida melhor, cabe aos comunistas e aos seus partidos serem os portadores da esperança e da confiança

 

Nas mais diversificadas condições e situações, numa correlação de forças ainda desfavorável, o papel e a intervenção dos comunistas - de cada comunista -, a sua coerência entre a teoria e a prática, a sua unidade, o seu exemplo, a sua activa inserção na vida do seu povo, o seu contributo, por mais modesto que seja, assumem uma importância determinante.

Hoje, como ontem, a existência e o reforço de partidos comunistas com a sua independência ideológica, política e organizativa, com real influência junto dos trabalhadores e das massas populares, é uma necessidade imperiosa. Um partido comunista é uma extraordinária obra colectiva, uma autêntica conquista da classe operária, dos trabalhadores e de um povo, um instrumento insubstituível na realização de profundas transformações progressistas e revolucionárias e na construção de uma sociedade livre da exploração do homem pelo homem.



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