Almada contra os cortes na cultura

Num tempo cinzento, um abraço azul

Largas cen­tenas de pes­soas ma­ni­fes­taram-se, sá­bado, no Te­atro Mu­ni­cipal de Al­mada (TMA), numa pri­meira acção pú­blica contra os cortes or­ça­men­tais que o Go­verno prevê impor às com­pa­nhias de te­atro em 2011.

 

«Ele­mento de afir­mação da iden­ti­dade do povo e do País»

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Só ao TMA o Go­verno do PS vai cortar 150 mil euros da sub­venção já con­tra­tada com a com­pa­nhia para 2011. «Não es­tamos aqui por causa do di­nheiro, mas porque estas me­didas são um aten­tado à li­ber­dade de cri­ação, à in­de­pen­dência dos cri­a­dores e da arte», re­feriu, no início da acção, José Mar­tins, actor, con­de­nando aquele «aten­tado à po­esia», que «não pode ser apri­si­o­nada».

Por seu lado, Jo­a­quim Be­nite, di­rector do TMA, in­formou que os cortes às com­pa­nhias de te­atro re­pre­sentam apenas 0,0016 por cento do Or­ça­mento do Es­tado e que podem ser fa­tais para as com­pa­nhias e ac­tores». Dias antes, numa carta sobre a po­lí­tica do Mi­nis­tério da Cul­tura, o en­ce­nador alertou para a «ci­lada mon­tada à ci­dade de Al­mada, à sua iden­ti­dade e ao seu pro­ta­go­nismo». «É um ataque a uma au­tar­quia que, pela sua ac­ti­vi­dade cul­tural exem­plar, ga­nhou res­peito de todo o País e é hoje, com o seu Te­atro, a sua Com­pa­nhia e o seu Fes­tival In­ter­na­ci­onal, uma re­fe­rência mun­dial de qua­li­dade ar­tís­tica, de vi­ta­li­dade e de mo­delar ca­pa­ci­dade de or­ga­ni­zação. O pres­tígio de Al­mada con­tribui para o pres­tígio de Por­tugal no es­tran­geiro. O TMA vai con­ti­nuar a fazer o que sempre fez desde há 32 anos: vamos lutar, vamos re­agir!», pro­meteu.

Jo­a­quim Be­nite sa­li­entou, de igual modo, que os cortes ao te­atro vão agravar ainda mais as con­di­ções ge­rais da eco­nomia. «Além do de­sem­prego que pro­vocam, têm, na pre­sente si­tu­ação de crise, um outro efeito per­verso: vão re­per­cutir-se di­rec­ta­mente nos or­ça­mentos fa­mi­li­ares dos es­pec­ta­dores, já cas­ti­gados com cortes sa­la­riais, au­mento geral do custo de vida, re­dução das re­ga­lias so­ciais, con­ge­la­mento das pen­sões, custos agra­vados na saúde e na edu­cação, num quadro em que o uni­verso de po­breza se alarga di­a­ri­a­mente e as con­di­ções de vida se de­te­ri­oram de forma drás­tica», re­feriu.

 

De­fender a cul­tura

 

Esta acção de luta e de rei­vin­di­cação, em que, entre ou­tras ini­ci­a­tivas, todos se jun­taram num «abraço azul contra a po­lí­tica do Go­verno», contou com a par­ti­ci­pação de ac­tores, en­ce­na­dores, as­so­ci­a­ções de todo o Pais, ha­bi­tantes do con­celho de Al­mada, de José Mar­tins, fun­dador do TMA, e de Fran­cisco Lopes, can­di­dato do PCP às elei­ções pre­si­den­ciais, em vi­sita ao dis­trito de Se­túbal (ver pá­gina 5), que ma­ni­festou a sua so­li­da­ri­e­dade para com a Com­pa­nhia de Te­atro de Al­mada, «pelo seu per­curso, por aquilo que re­pre­senta para o te­atro e para a cul­tura por­tu­guesa», e para com «todos os ar­tistas».

«Esta vi­sita é in­dis­so­ciável da razão porque todos es­tamos aqui. É uma to­mada de po­sição num mo­mento di­fícil na vida do nosso País, sobre a ne­ces­si­dade de de­fender, va­lo­rizar e afirmar a cul­tura por­tu­guesa», afirmou Fran­cisco Lopes, que re­cebeu, da­quele «pú­blico», uma es­tron­dosa salva de palmas.

«Dizem-nos que não há meios, ou que os meios são curtos, mas nós vemos que os cortes não atingem todos os sec­tores, que há re­cursos que po­diam ser ca­na­li­zados para fundos pú­blicos, para os apoios so­ciais, para a cul­tura, e que ficam onde não de­viam ficar», cri­ticou, exi­gindo um novo rumo de mu­dança que «ga­ranta à cul­tura o papel que me­rece ter, como ele­mento de afir­mação da iden­ti­dade do povo e do País».

 



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