Multiplicar os contactos e o esclarecimento
Marcando presença num grande número de iniciativas, o candidato comunista à Presidência da República desdobra-se em contactos e desafia os apoiantes a multiplicarem a campanha de esclarecimento e de massas em curso.
«Francisco Lopes confia na possibilidade da ruptura e da mudança»
A actividade pré-eleitoral desenvolvida por Francisco Lopes não tem paralelo com a levada a cabo por qualquer dos demais candidatos. Face à intensa agenda de contactos desenvolvidos, importa frisar que, mesmo a soma das acções dos concorrentes à mais alta magistratura da nação, não se equipara, nem na quantidade nem no conteúdo, com as levadas a cabo pela candidatura patriótica e de esquerda.
Segunda-feira, dia 6, Francisco Lopes esteve no distrito de Viana do Castelo, onde contactou com os trabalhadores dos Estaleiros Navais e da Portucel, e jantou com apoiantes na sede de candidatura.
Na «jóia da indústria naval portuguesa», o candidato lembrou que ali está instalada uma «empresa âncora para o desenvolvimento do País e da região», capaz de «ombrear com os melhores estaleiros do mundo».
Ladeado pelo mandatário distrital, Martinho Cerqueira, operário dos Estaleiros, Francisco Lopes sublinhou ainda que esta unidade é «um bem a perservar», por isso, acrescentou, «cabe assinalar e defender a Constituição da República, que no seu artigo 82.º prevê a existência do sector público, no qual se incluem os estaleiros».
Tal faz sentido articulado com «uma política de desenvolvimento da nossa relação com o mar, que obrigue ao crescimento das necessidades de construção e reparação de navios, num caminho oposto ao que o actual Presidente da República trilhou enquanto primeiro-ministro».
Já em Lisboa, terça-feira, 7, Francisco Lopes participou, a convite da Associação de Estudantes, num debate com alunos, professores e funcionários do ISCTE, e, em seguida, visitou o Hospital de Santa Maria, tendo-se encontrado com a administração e com as organizações representativas dos trabalhadores.
Comícios de sala cheia
Característica marcante na campanha é, ainda, a crescente mobilização do núcleo de activistas e apoiantes, facto demonstrado nos comícios com centenas de pessoas na Sociedade 1.º de Agosto, terça-feira à noite, em Stª Iria de Azóia, e na tarde de quarta-feira, 8, no Parque Maria Lamas, em Odivelas.
Depois de apresentado o mandatário concelhio da candidatura, Ilídio Vale, vereador da Câmara Municipal de Odivelas eleito nas listas da CDU, Francisco Lopes, começou por manifestar confiança na possibilidade de romper com o actual estado do País e dar resposta aos problemas e anseios dos trabalhadores e do povo, a começar pela rejeição da chamada reforma da legislação laboral - que por estes dias Governo e patrões insistem em propagandear, teimando no rumo de promoção da acumulação dos lucros do grande capital com sacrifício de quem trabalha -, e, ao invés, «apostar na valorização do trabalho e dos trabalhadores, no pleno emprego, estável e com direitos, e na criação de riqueza».
Luta solidária
Antes de rumar aos distritos de Aveiro e Setúbal (ver páginas 5 e 7), Francisco Lopes começou o dia de quinta-feira, 9, a contactar os trabalhadores da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Pela tarde, participou em duas arruadas em Queluz e na Amadora, e à noite jantou com personalidades da área da justiça em Lisboa (ver caixas nesta página).
Já no domingo, 12, pela manhã, Francisco Lopes começou por se solidarizar com as populações de Tomar e Ferreira do Zézere, cujas casas e empresas foram atingidas por um tornado no início da semana passada.
«É preciso operacionalizar os mecanismos de emergência para, efectivamente, responder ao drama, à inquietação das populações, dos empresários, dos trabalhadores», disse em declarações à Lusa na localidade de Venda Nova, a mais afectada pelo fenómeno.
«Se alguém tem uma casa destelhada e começa a entrar água dentro da sua habitação, tem que ter uma resposta em dias, não pode esperar meses ou semanas», acrescentou lembrando que «não se pode repetir a situação que se verificou há dois anos, aqui mesmo nesta região».
Impressionado com a devastação na Venda Nova, o candidato insistiu na necessidade de se accionar os fundos de emergência mas advertiu que sendo a solidariedade e a entre-ajuda das populações muito importante, é preciso que seja complementada com medidas efectivas e céleres de auxílio aos residentes e às actividades económicas por parte das autoridades.
Depois da visita às áreas sinistradas do distrito de Santarém, Francisco Lopes almoçou com centenas de apoiantes em Torres Novas. Na iniciativa, e porque muito se tem falado de solidariedade, aproveitou para responsabilizar Cavaco Silva.
«Ainda recentemente o actual Presidente da República declarou estar preocupado, chocado com tanta fome em Portugal. Disse que nos devíamos sentir envergonhados». É de facto uma vergonha, reconheceu Francisco Lopes, mas quem devia ficar constrangido era Cavaco Silva e outros responsáveis da política de direita, acusou.
Não podemos aceitar os que, um dia, «defendem e promovem o desemprego, cortam nos salários, cortam nas pensões, cortam nos abonos de família, cortam no subsídio de desemprego», e, no outro, estendem «um copo de leite e um naco de pão» aos miseráveis que eles próprios criaram. «Isso não é solidariedade, é hipocrisia e cinismo», disse.
A jornada de Francisco Lopes no distrito de Santarém terminou com dois banhos de multidão. Primeiro na Casa do Povo do Couço, e, posteriormente, em Benavente, num jantar com apoiantes que serviu ainda para dar a conhecer o mandatário concelhio da candidatura, António Ganhão, presidente da Câmara Municipal.
Ficou o estímulo dado pelo candidato para que os apoiantes multipliquem a campanha de esclarecimento e de massas em curso.