Política de duas caras
A Direcção da Organização da Cidade do Porto do PCP (DOCP) considera que o PS, o PSD e o CDS/PP praticam uma política de duas caras porque, sustentam, no Porto, defendem a defesa de investimentos públicos, e na Assembleia da República rejeitam as propostas que concretizam esses mesmos investimentos na cidade.
Em comunicado divulgado no final da semana passada, os comunistas portuenses frisam que «a discussão na especialidade do Orçamento do Estado (OE) para 2011 foi um momento de clarificação», uma vez que «as mais de 20 propostas apresentadas pelo PCP para o OE de 2011 relativas à cidade do Porto, nas áreas do apoio social, cultura, educação, saúde, segurança pública, transportes e infra-estruturas viárias, foram rejeitadas com os votos do PS, PSD e CDS/PP».
«É de sublinhar que a proposta de OE para 2011 implicava uma redução do PIDDAC em quase 3,5 milhões de euros», isto num contexto de «continuação da redução do investimento público também em sede de Orçamento Municipal, efectuado pelo coligação PSD/CDS», acrescentam.
Entre as propostas apresentadas pelo Grupo Parlamentar do Partido, lembra a Direcção da Organização da Cidade do Porto, estão a construção de uma outra loja do cidadão; a instalação de uma rede de lares para idosos, a construção e instalação do Centro de Saúde de Ramalde; intervenções de beneficiação das residências estudantis da Universidade e no Instituto Politécnico do Porto; o reforço da rede pública de creches e jardins de infância; a construção de novas esquadras e postos da PSP, a insonorização da VCI e colocação de barreiras de protecção acústica; a reabilitação do parque habitacional do Centro Histórico do Porto; a concretização do Centro Materno-Infantil do Norte (cujo processo continua bloqueado entre o Governo e a CM do Porto, denunciam), e o reforço do programa destinado à habitação social, Phohabita.
Exemplos claros
Para ilustrar a conduta que assumem os partidos da política de direita, basta recordar «as declarações do secretário de Estado da Saúde e presidente da concelhia do Porto do PS, Manuel Pizarro, defendendo uma segunda loja do cidadão na cidade do Porto», ou «a sua defesa da reabilitação do Centro Histórico e da construção de uma nova unidade de saúde em Ramalde», ou ainda «as suas críticas aos cortes no Teatro Nacional S. João».
No mesmo sentido, o presidente da CM do Porto, Rui Rio, do PSD, reclamou recentemente «mais verbas da Administração Central para a reabilitação da habitação social e do Centro Histórico do Porto», exigiu «a colocação de barreiras acústicas na VCI» e defendeu «mais meios para as forças de segurança», recorda-se no texto da DOCP.
«No Porto, procurando agradar à população», PS, PSD e CDS «exigem investimentos, e logo a seguir, em sede de Orçamento na AR, rejeitam as mesmas propostas que no Porto dizem defender!», conclui o documento.