Consolidar o reforço para avançar na luta
Face à profunda crise em que o País está mergulhado, fruto de 34 anos de política servil aos interesses do capital nacional e internacional, o caminho é o da luta de massas. Só com a acção dos trabalhadores e do povo será possível impor a ruptura e a mudança necessárias, invertendo o rumo de declínio que sucessivos governos liderados por PS e PSD, com ou sem o CDS/PP, instalaram em Portugal, concluíram os delegados à III Assembleia da Organização de São Miguel do PCP.
Na reunião magna realizada no sábado, dia 27, os comunistas micaelenses deram particular atenção à Greve Geral que decorreu apenas três dias antes, salientando a importante expressão que aquela jornada de luta teve na ilha de São Miguel, mas acrescentando, ainda, algumas das situações que motivaram tão amplo repúdio por parte dos trabalhadores.
Continuam a crescer o número de desempregados e de empresas encerradas e os lay-off’s, e persistem os salários em atraso, a precariedade e os baixos salários. Só no primeiro semestre de 2010, existiam na Região Autónoma dos Açores 30 empresas com salários em atraso, a maioria das quais em São Miguel.
No mesmo período, houve 180 trabalhadores que rescindiram os seus contratos por falta de pagamento dos respectivos salários, e outros 173 suspenderam os vínculos com as empresas pelas mesmas razões. Ocorreram ainda 17 despedimentos colectivos abarcando 174 trabalhadores, acrescentaram os comunistas de São Miguel na nota enviada à comunicação social.
É preciso impedir que o patronato se aproveite abusivamente da crise para lançar os trabalhadores no desemprego e, simultaneamente, lhes imponha uma exploração desenfreada, sintetizam.
Neste contexto, os militantes do Partido na Ilha de São Miguel apontam como prioridade o reforço do movimento operário e sindical, e da acção dos comunistas no seu seio.
Produção e progresso
Tercearização e concentração da economia em torno dos mais importantes pólos urbanos e desertificação do mundo rural, com consequências devastadoras em termos económicos e sociais, são tristes realidades que ocorrem em todo o território nacional. São Miguel não é excepção, e por isso os comunistas indicam a necessidade de preservar e desenvolver o aparelho produtivo, particularmente o sector agro-pecuário, ameaçado pela Política Agrícola Comum, e o sector das pescas, em risco quer pela depredação dos recursos por parte de frotas estrangeiras, quer pela perda da soberania nacional sobre a Zona Económica Exclusiva.
«Avante por um PCP mais forte»
A III Assembleia indicou ainda como eixo central a consolidação e o fortalecimento da organização do Partido, especialmente nas empresas e locais de trabalho, garantia de uma mais sólida intervenção do PCP junto dos trabalhadores.
No final, os delegados elegeram a nova Comissão de Ilha de São Miguel, composta por 13 camaradas, que assume a direcção política das organizações e sectores.