Violação grave do cessar-fogo
«O exército marroquino demonstrou ser culpado de uma grave e flagrante violação do cessar-fogo ao cometer um crime abjecto contra civis saaráuis indefesos», considerou o presidente da República Árabe Saarauí Democrática (RASD), Mohamed Abdelaziz, em carta enviada ao secretário-geral das Nações Unidas.
No documento dirigido a Ban Ki Moon a propósito do assassinato de Nayem Elgarhi, de 14 anos, o máximo responsável da RASD denunciou ainda a escalada da violência contra o seu povo e qualificou a militarização da zona ocupada como um atropelo aos acordos assinados com a Frente Polisário em 1991.
Abdelaziz referia-se ao cerco montado pelas tropas da monarquia ao acampamento de protesto onde, desde há mais de duas semanas, se estabeleceram 25 mil saarauís. O campo, situado a escassos quilómetros da cidade de El Aiún, está fortemente controlado pelas autoridades marroquinas, que impedem a entrada de água, comida ou medicamentos, e a saída de doentes para assistência médica.
Entretanto, a mãe do adolescente assassinado apresentou queixa na justiça e exige uma investigação completa dos acontecimentos. Nesse sentido, pretende que os militares suspeitos sejam detidos e nega-se a receber o corpo do menor antes de ser efectuada uma perícia séria.
Nayem Elgarhi e o seu irmão, Zubeir Elgarhi, tentavam entrar no acampamento para visitarem a mãe, Bent Lahmidi.
Depois de ter sido atendido no hospital de El Aiún, Zubeir foi levado pela polícia para parte incerta. Destino idêntico tiveram Alaui Salek e Hemdaiti Abay Ahmed Hamadi, igualmente atingidos no tiroteio, diz o Minstério dos Territórios Ocupados saaráui.