«Mais do mesmo»
Tanto pelos longos anos em que foi primeiro-ministro, como pelo desempenho em Belém, o anteontem formalizado candidato Cavaco Silva só traz às eleições presidenciais «mais do mesmo».
É o candidato das injustiças sociais, do declínio nacional e da crise
« Por sua iniciativa directa ou sob a sua chancela, foram tomadas as medidas mais gravosas para o nosso país», as quais «levaram ao definhamento do aparelho produtivo, ao aumento galopante do desemprego e da exploração e ao aprofundamento das injustiças», afirmou João Frazão, membro da Comissão Política do PCP.
Comentando o anúncio formal da recandidatura de Cavaco Silva, o dirigente comunista declarou à agência Lusa que este «é o candidato do mais do mesmo». Lembrou, a propósito, que o actual Presidente da República deu «apoio explícito à negociata entre o PS e o PSD à volta de um Orçamento do Estado, que, a ser aprovado, será ruinoso para o País».
Francisco Lopes, candidato do PCP às eleições de 23 de Janeiro, observou que o acto formal de terça-feira «não anuncia a candidatura» de Cavaco, uma vez que este «há meses estava a intervir como candidato, com uma campanha intensíssima». Num curto depoimento, publicado no sítio da candidatura na Internet (www.franciscolopes.pt), afirma que o professor de Boliqueime «foi o primeiro-ministro e é o Presidente das injustiças sociais, do declínio nacional e da crise», sendo que a recandidatura representa «a continuação e o agravamento desse rumo».
O candidato e dirigente comunista defende « outro caminho, com ruptura e mudança, um rumo patriótico e de esquerda, que ponha Portugal a produzir, a criar emprego com direitos, a distribuir a riqueza com justiça, com soberania nacional, democracia política, económica social e cultural».
N a declaração lida no Centro Cultural de Belém por Cavaco Silva, Francisco Lopes vê também «muitos actos de ilusionismo político, designadamente a sua referência a que não utilizará cartazes», uma vez que ela se segue ao «recurso, durante meses, aos meios públicos» para fazer uma intensa campanha eleitoral, utilizando as suas funções como Presidente da República.
Conselho Europeu
Jerónimo de Sousa expressou profundas preocupações em relação ao conteúdo da ordem de trabalhos do Conselho Europeu, que reúne hoje e amanhã.
Falando aos jornalistas no final da audiência, terça-feira à tarde, com o primeiro-ministro, o Secretário-geral do PCP chamou a atenção para novos apertos aos países mais vulneráveis da União Europeia, já que as medidas em debate põem em risco a soberania nacional. «Por decisão dos países mais poderosos, preparam-se novos apertos, nos planos económico, financeiro e político, aos países mais vulneráveis e às economias periféricas, como a portuguesa», como é o caso das sanções aos países com elevados défices orçamentais, integradas num processo em que «pouco a pouco vamos perdendo parcelas da nossa soberania».
Observou ainda que não é agora feita qualquer referência aos grandes anúncios de há poucos meses, sobre a supervisão, sobre a regulação, sobre os off-shores e o controlo dos produtos financeiros, o que comprova que, «lá como cá, no essencial das medidas, o que se perspectiva é mais exploração dos trabalhadores, menos direitos soberanos, dificuldades económicas acrescidas, agravamento da situação social, mais desemprego, sem uma perspectiva de coesão económica e social, de solidariedade, que levasse a que encontrássemos o caminho do desenvolvimento e do crescimento económico».