Contra aproveitamentos políticos
A Campanha «Paz sim! NATO não!», criada em Janeiro de 2010 e que une mais de uma centena de organizações de um diversificado e largo espectro, convocou para o dia 20 de Novembro uma manifestação, em Lisboa, no dia 20, entre o Marquês de Pombal e a Praça dos Restauradores, tendo comunicado às autoridades competentes a sua realização.
Entretanto, foi com surpresa que se tomou conhecimento de que outras entidades - nomeadamente a Plataforma Anti-guerra, Anti-NATO (PAGAN) - vieram, posteriormente, anunciar a realização de uma outra e diferente manifestação para o mesmo local e dia.
Em nota de imprensa, dando seguimento ao sentir expresso na reunião plenária das suas organizações promotoras, realizada no início do mês, a Campanha «Paz sim! NATO não!» rejeita «qualquer tipo de instrumentalização por parte dessa ou de qualquer outra entidade na manifestação convocada para o dia 20 de Novembro» e informa que não permitirá «que a sua manifestação seja posta em causa por oportunistas razões de aproveitamento político».
«A atitude dessas outras entidades demonstra uma preocupante falta de responsabilidade política e só pode ser lida como uma lamentável tentativa de pôr em causa a natureza, objectivos e características da manifestação que a Campanha "Paz sim! NATO não!" está a convocar, para além de constituir um acto de deliberada procura de factores conflituantes», lê-se no documento enviado às redacções.
Oposição à Cimeira da NATO
A Campanha «Paz sim! NATO não!» apela ainda às mais diversas organizações da sociedade portuguesa e aos cidadãos e cidadãs defensoras da paz que se congreguem em torno da Campanha para expressar «a oposição da população portuguesa à realização da Cimeira da NATO e aos seus objectivos belicistas», exigir «ao Governo a retirada das forças portuguesas envolvidas em missões militares da NATO», reclamar «o fim das bases militares estrangeiras e das instalações da NATO em território nacional», exigir «a dissolução da NATO», «o desarmamento e o fim das armas nucleares e de destruição maciça» e «às autoridades portuguesas o cumprimento das determinações da Carta das Nações Unidas e da Constituição da República Portuguesa, em respeito pelo direito internacional, e pela soberania e igualdade dos povos».
Contra a dominação e o militarismo
Dezenas de pessoas participaram, sexta-feira, em Coimbra, num debate sobre a paz e contra a NATO. Ali, Gustavo Carneiro, da Direcção Nacional do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), falou dos objectivos da Campanha «Paz sim! NATO não!» e denunciou as orientações do complexo industrial-militarista que, na mira do lucro e dominação, não olha a meios para atingir os seus objectivos. No final da sua intervenção, manifestou confiança na luta e na massiva participação de portugueses no pacífico protesto contra a Cimeira da NATO, que terá lugar no dia 20 de Novembro, em Lisboa, e na continuidade futura da luta pela paz, contra a guerra e pela definitiva dissolução da NATO.
Na segunda-feira, nesta cidade, teve ainda lugar um evento de música e dança dinamizado pelo Grupo Etnográfico e Folclórico da Academia de Coimbra.
Amanhã, sexta-feira, o Núcleo de Aveiro da Campanha vai realizar, no Auditório do Museu da Chepelaria, em São João da Madeira, uma palestra denominada «Os Caminhos da Paz». Uma iniciativa que conta com a participação de Manuela Silva, do Movimento Democrático de Mulheres, de Luís Guerra, do Centro de Estudos Humanistas, e de Vítor Silva, vice-presidente do CPPC.