Estado húngaro paga desastre ecológico
A empresa Magyar Alumínium (MAL), responsável pelo derrame incontrolado de lodo tóxico corrosivo, que provocou nas últimas duas semanas oito mortos e 150 feridos, voltou às mãos do Estado húngaro, depois de ter sido privatizada em 1995.
A medida, que remete para o Estado a responsabilidade pelas indemnizações pela catástrofe ecológica, foi aprovada na madrugada de dia 13 pelo parlamento de Budapeste e imediatamente promulgada pelo presidente da República.
Na sequência de fortes chuvas, o dique que retinha as lamas vermelhas resultantes da transformação da bauxite cedeu, no dia 4, libertando os resíduos industriais, que cobriram uma vasta região, tendo alcançado o rio Danúbio.
Há já vários meses que a empresa fora alertada para a existência de fissuras no paredão. A administração estava consciente do perigo, mas em vez de reparar a infra-estrutura impôs silêncio aos operários sob a ameaça de despedimento. Os próprios organismos oficiais de inspecção estavam ao corrente do perigo, mas nada fizeram para obrigar a empresa a cumprir os mínimos de segurança.
Para além das vidas humanas, os prejuízos causados pelas práticas criminosas da empresa poderão ascender a 76 milhões de euros. Entretanto, na semana passada, as autoridades detiveram o ex-director da MAL, Zoltan Bakonyl, sob a acusação de negligência.
Desde 1995, a Magyar Alumínium apoderou-se de 12 por cento do mercado europeu, beneficiando do processo selvagem de apropriação da propriedade estatal, que se seguiu ao derrube do regime socialista, e da total ausência de regulamentação. A empresa emprega actualmente cerca de 1100 trabalhadores, e 80 por cento da sua produção são destinados à exportação.