Desinformação organizada

José Casanova

Os cri­té­rios in­for­ma­tivos dos média do­mi­nantes são par­ti­cu­lar­mente evi­dentes em tudo o que pu­blicam sobre aqueles países do con­ti­nente ame­ri­cano cujos povos têm vindo a afirmar-se donos do seu pró­prio des­tino e a li­bertar-se da pata im­pe­ri­a­lista.

O mé­todo que uti­lizam é mul­ti­forme: ou si­len­ci­a­mento ab­so­luto sobre o que não in­te­ressa que seja co­nhe­cido; ou de­tur­pação e ma­ni­pu­lação da re­a­li­dade; ou di­vul­gação de meias men­tiras (ou de meias ver­dades); ou fa­bri­cação de men­tiras ci­rur­gi­ca­mente di­rec­ci­o­nadas… sempre vi­sando o ob­jec­tivo de es­pa­lhar dos pro­cessos em curso nesses países uma falsa imagem de atro­pelos à de­mo­cracia, à li­ber­dade e aos di­reitos hu­manos – a sa­grada tri­logia em nome da qual o im­pe­ri­a­lismo norte-ame­ri­cano de­sen­ca­deia os mais bru­tais aten­tados... à de­mo­cracia, à li­ber­dade e aos di­reitos hu­manos.

Ve­ne­zuela, Bo­lívia, Equador, Ni­ca­rágua, entre ou­tros, são países sob a mira cons­tante do ar­senal de de­sin­for­mação or­ga­ni­zada dos média do grande ca­pital.

E a sin­tonia de­sin­for­ma­tiva entre eles é tal que, com frequência, levam a imensa mai­oria das pes­soas a tomar como ver­da­deiras as mais des­ca­radas pa­tra­nhas. Um exemplo: quantas pes­soas sa­berão que, ao con­trário do que leram ou ou­viram nos média, as re­centes elei­ções na Ve­ne­zuela não ter­mi­naram com «Chávez der­ro­tado» mas com uma sig­ni­fi­ca­tiva vi­tória das forças bo­li­va­ri­anas?

A re­cente ten­ta­tiva de golpe no Equador – um golpe muito ao jeito da era Obama… - também lhes deu pano para mangas.

No dia a se­guir à der­rota dos gol­pistas, o Público, no seu «sobe e desce» não pôs Ra­fael Correa a «subir».

Porquê?: porque, ex­plicou, «o líder equa­to­riano voltou a re­velar os seus ti­ques au­to­ri­tá­rios, ao pro­mulgar leis que vi­olam a cons­ti­tuição»… Assim se ar­ruma o golpe (que já es­tava der­ro­tado) e se pros­segue o ataque ao pro­cesso re­vo­lu­ci­o­nário equa­to­riano.

Acresce que sendo de louvar a pre­o­cu­pação do jornal com o cum­pri­mento da Cons­ti­tuição equa­to­riana... é pena que não se lhe possa as­si­nalar igual pre­o­cu­pação no que toca ao cum­pri­mento da Cons­ti­tuição Por­tu­guesa – todos os dias vi­o­lada pelos go­ver­nantes de ser­viço aos in­te­resses do grande ca­pital. Como o Público sabe, mas finge não saber.



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