A Festa que continua
A grande Festa do Avante! é só três dias, que começam meses antes e continuam com as novas perspectivas de trabalho para o presente e para o futuro.
Recordar a Festa para lhe dar continuidade é tarefa do Partido e da JCP
Construir a Festa e assegurá-la é reforçar a organização e o trabalho de direcção a partir do contacto e da disponibilidade de camaradas e amigos, com a planificação de trabalho, elaboração de projectos, criação de ideias, militância e confraternização, aprendizagem individual e colectiva, aperfeiçoamento e transmissão de conhecimento aos mais jovens, com reflexos que devem ser potenciados em todo o trabalho nas respectivas organizações.
Avivar a memória e analisar o que se fez, como e com quem se fez, e o que se alcançou, é um exercício de direcção que muitos organismos do Partido já estão a fazer e outros irão fazer por ser indispensável para avançar em novas possibilidades de trabalho para o reforço, renovação e rejuvenescimento de organismos e mesmo para a criação de novos organismos e aprofundamento da estruturação do Partido.
A resposta de cada organização às tarefas da Festa constitui estímulo e confiança para outros projectos e objectivos igualmente realizáveis. É assim que trabalham os comunistas.
Na obra O Partido com Paredes de Vidro, o camarada Álvaro Cunhal diz: «A organização é um princípio geral e universal do trabalho do Partido. É decisiva para o êxito de qualquer tarefa e da actividade em geral1», e o camarada dá como um dos exemplos disto mesmo a Festa do Avante!.
Com todo o êxito que a envolve, a Festa do Avante! só é possível com esta concepção da organização do Partido intimamente ligada ao nosso projecto de sociedade e à luta pela sua concretização. É a Festa dos comunistas onde se sentem muito bem muitos milhares de pessoas que não são membros do Partido, de várias gerações, de diversos sectores sociais e de certo muitas com opção política diferente da nossa ou sem opção política.
«A atmosfera política, cívica e humana da Festa do Avante! tem como componentes a verdade, a liberdade, a cultura, os interesses do povo e do País, o patriotismo, a solidariedade internacionalista, a fraternidade e o humanismo que caracterizam o Partido Comunista Português e a causa universal de emancipação dos trabalhadores e dos povos – a causa universal do comunismo», afirmou Álvaro Cunhal no comício de encerramento da Festa do Avante! de 19862.
Estímulo à intervenção
Mesmo os mais distraídos ou os que vão à Festa (ou ao Avante!, como alguns dizem) por interesses muito específicos, terão dado um olhar rápido pelo conteúdo, escrito ou de imagem e não lhes é despercebido o ambiente envolvente. Outros ter-se-ão fixado em abordagens que vão ao encontro dos seus sentimentos e aspirações.
Com uns e com outros, vários camaradas tiveram contactos, conversas mais ou menos breves, procuraram conhecer as suas opiniões sobre a Festa, o Partido, a situação política, venderam o Avante!, e procuraram a sua disponibilidade para se juntar aos comunistas e intervir para a ruptura e a mudança para uma vida melhor.
Milhares de visitantes da Festa não são passivos à nossa mensagem. Ela é um estímulo à análise e à intervenção no plano social e político.
Aqueles três dias aumentam a responsabilidade de cada organização, em cada empresa, em cada sector profissional, em cada terra. Por um lado integrar na organização, nos organismos e atribuir responsabilidades às centenas de novos membros do Partido que se inscreveram durante a Festa, assumindo o apelo Basta de injustiças. Basta de Exploração – Dá mais força ao PCP. Por outro lado, potenciar a ligação a todos os que deixaram o seu contacto e se disponibilizaram para receber as posições do Partido ou da JCP, a informação das iniciativas partidárias e procurar também os seus contributos e o envolvimento em análises em torno de problemas concretos e próximos de forma a alargar a unidade na acção.
A Festa constitui um amplo espaço de contacto com pessoas de novas gerações de trabalhadores. Atribuímos profundo significado ao que se alcançou junto delas. Algumas terão vencido preconceitos e estereótipos que, eventualmente, existiam sobre o PCP e a nossa forma de intervir, mas também terá sido vencida a indiferença sobre a resistência e a luta em torno dos seus próprios direitos. Impõe-se transportar para o trabalho e dinâmica das organizações do Partido experiências destes três dias e reforçar cada vez mais a luta de quem trabalha e quer defender os seus direitos.
Por isto e por tudo o que nela se passou e alcançou, a Festa continua.
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1 Álvaro Cunhal, O Partido com Paredes de Vidro, Edições Avante! , 6.ª edição, 2002
2 Álvaro Cunhal, Discursos Políticos/21 – Edições Avante!, 1989