Cabala contra fundador do WikiLeaks

A pressão do Pentágono

O fundador do site WikiLeaks foi vítima de uma estranha acusação de violação e agressão, emitida pela justiça sueca de manhã e anulada à tarde do mesmo dia. O acusado soube por um jornal que era procurado.

EUA exigem retirada de documentos publicados

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Uma juíza sueca emitiu, no sábado, 21, um mandado de captura contra Julian Assange, australiano de 39 anos, fundador do site Internet WikiLeaks, que recentemente se envolveu numa polémica com o governo norte-americano por ter divulgado milhares de documentos secretos sobre a intervenções militar no Afeganistão.

A imprensa refere que os factos foram relatados à polícia por duas mulheres, que se tinham avistado com Assange dias antes, mas que se recusaram a apresentar queixa formal.

Com base nas informações comunicadas pela polícia, a juíza de serviço decidiu dar ordem de prisão, mas horas depois, uma segunda magistrada, considerando os indícios insuficientes, resolveu anular o mandado de captura e retirar a grave acusação de violação, mantendo aberta a investigação sobre uma alegada agressão.


«Golpes baixos»


Assange, de férias na casa de um amigo no Norte da Suécia, soube que era acusado ao ler, de manhã, a notícia no diário de direita
Expressen. Negou de imediato as acusações, interpretando-as como uma manobra para prejudicar o Wikileaks.

«Não sei o que se esconde por trás [destas acusações], mas fomos avisados de que haveria golpes baixos, por exemplo do Pentágono, para nos destruir», declarou numa entrevista publicada no domingo pelo jornal sueco Aftonbladet, acrescentando que também foi advertido para «armadilhas sexuais».

Na segunda-feira, 23, em declarações à rede CNN, Assange acusou directamente o Pentágono de ter iniciado uma «campanha de desprestígio» contra a sua pessoa. A resposta foi dada pouco depois pelo porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman, que considerou «absurda» qualquer insinuação de que a Defesa dos Estados Unidos esteja envolvida numa conspiração contra Assange.

No entanto, Whitman insistiu que o Pentágono mantém o seu pedido ao Wikileaks para que retire os documentos que publicou no seu site, alguns dos quais incluem os nomes de soldados americanos e cidadãos afegãos que colaboram com eles.

Sob o título «Diário da Guerra Afegã», o Wikileaks publicou no dia 25 de Julho 77 mil documentos datados entre Janeiro de 2004 até 2010, nos quais são revelados desde mortes de civis não divulgadas até ligações dos serviços secretos do Paquistão com os talibãs.

Na semana passada, apesar das pressões norte-americanas, Assange anunciou em Estocolmo a intenção de publicar outros 15 mil documentos secretos.



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