Encerramento evitável
A pretexto da deslocação da produção para unidades na Polónia e em Castelo Branco, a Delphi anunciou que vai encerrar a fábrica da Guarda no final deste ano. Serão assim lançados no desemprego mais 324 trabalhadores, que se juntarão aos cerca de 550 já despedidos este ano.
Para a Direcção da Organização Regional da Guarda do PCP trata-se de uma «profunda injustiça, no plano social e territorial», que se salda, acrescenta, numa «gravíssima machadada no aparelho produtivo do distrito, na qualidade de vida e nos direitos dos trabalhadores, na actividade económica da cidade e da região». Com este encerramento, aumentarão as assimetrias no desenvolvimento entre a região e o resto do País.
O anúncio do encerramento da fábrica vem confirmar aquilo que o PCP «há muito denunciou»: a posição do Governo, «no decorrer de todo esta longa agonia da Delphi, mesmo perante a sua morte anunciada, pautou-se pela efectiva subserviência face aos interesses da multinacional Delphi, pelo anúncio de pretensas “medidas”, que ou não tomou ou foram incompetentes, e pela ausência de respostas concretas, capazes de evitar o encerramento da empresa, a destruição dos postos de trabalho e os efeitos profundamente negativos para os trabalhadores e a região».
Neste processo, o Governo revela ainda uma «absoluta falta de vergonha», acusa o PCP. Em causa estão as afirmações do Governador Civil da Guarda, que manifestou a sua «surpresa» face ao anúncio da empresa. Para os comunistas, o encerramento da Delphi não era inevitável e era possível tê-lo impedido, assegurando os postos de trabalho e a modernização da empresa, através da intervenção do Estado. A direcção comunista exige que o Governo encontre respostas para salvaguardar a fábrica e os postos de trabalho e defender todos os direitos e interesses dos trabalhadores.