Uma vida dedicada ao teatro
O encenador Mário Barradas, desaparecido no final do ano passado, é o homenageado deste ano do Avanteatro. Trata-se de um justo reconhecimento por uma vida dedicada ao teatro e à democratização da cultura.
Como adiantaram ao Avante! dois dos responsáveis por aquele espaço, Pedro Lago e Manuel Mendonça, a evocação ocorrerá na sexta-feira aquando da peça Tuning, pela Companhia de Teatro de Almada, com quem trabalhava na encenação de uma peça de Shakespeare aquando do seu súbito desaparecimento. Mário Barradas era uma presença frequente no Avanteatro, como encenador de diversas obras ali levadas à cena por várias companhias.
Aquando do seu falecimento, o PCP (do qual era militante activo) destacou o «homem de teatro em toda a sua dimensão de actor, encenador, pedagogo e pensador de políticas teatrais», lembrando o seu contributo «activo e fundamental para o desenvolvimento e democratização da cultura em Portugal».
Nascido nos Açores e antigo advogado em Moçambique, Mário Barradas decidiu, a dada altura da sua vida, mudar de carreira, fazendo o o curso de direcção na Escola do Teatro Nacional de Estrasburgo e tornando-se mais tarde, em Portugal, funcionário da Secretaria de Estado da Cultura e Director Geral de Espectáculos. Depois do 25 de Abril, fundou e dirigiu a escola de teatro do Centro Cultural de Évora, cidade onde viveu muitos anos. Pelo muito que deu à cultura daquela cidade alentejana, foi agraciado pela Câmara Municipal de Évora com a Medalha de Mérito Municipal, Classe Ouro. O seu contributo para a descentralização teatral é uma marcas indeléveis da sua rica e profícua vida artística.
Militante do PCP, Mário Barradas foi membro da Comissão Concelhia e do Sector Intelectual de Évora do PCP. A nível autárquico, foi presidente da Assembleia Municipal.
Reconhecido pelos seus pares
Quando se soube da morte de Mário Barradas, em Novembro de 2009, figuras ligadas ao teatro dedicaram-lhe palavras elogiosas, à altura do seu papel no desenvolvimento e difusão do teatro em Portugal. Joaquim Benite, director da Companhia de Teatro de Almada, que o considera uma «figura marcante do teatro português pós-25 de Abril», destacou o «papel importante» que desempenhou na descentralização do teatro. Mário Barradas, acrescentou Benite, «empenhou-se muito na descentralização, à qual votou toda a sua vida», opção esta que, garante, se fez notar quando assumiu funções como director-geral das Artes, «cuja acção se sente hoje no tecido teatral português». Ainda antes do 25 de Abril, «o seu papel foi fundamental na reforma do Conservatório».
A direcção do Centro Dramático de Évora, sucessor do Centro Cultural de Évora (fundado por Barradas), falou, na ocasião, de uma «vida dedicada ao teatro», lembrando que Mário Barradas fundou em Évora um projecto que se tornou numa «referência da descentralização teatral em Portugal» – um projecto que foi responsável, acrescentou, pela formação de «várias gerações de actores e de germinação de novas estruturas artísticas». A companhia lamentou ainda ter perdido um dos seus obreiros.