Homenagem a José Saramago

Prosseguir o seu ideal e luta

O Parlamento prestou homenagem ao escritor comunista e Nobel da Literatura José Saramago aprovando faz hoje oito dias um voto de pesar subscrito por todos os partidos e observando um minuto de silêncio em plenário.

Acompanhando das galerias este singelo tributo a um dos nossos maiores escritores, que projectou de forma ímpar a língua e a cultura portuguesas, a viúva, Pilar del Rio, outros familiares presentes, responsáveis da Fundação José Saramago, José Sucena e o editor Zeferino Coelho ouviram de todas as bancadas parlamentares palavras que confluíram no reconhecimento do «grande escritor que é Saramago», figura com «uma obra intensamente ligada às mais profundas aspirações de progresso da Humanidade».

Jerónimo de Sousa, intervindo em nome do PCP, depois de referir que a morte de José Saramago constitui «uma perda irreparável» não só para os comunistas, seus camaradas, «mas para o povo português designadamente para o povo trabalhador do qual era originário e a quem amou na sua obra e durante toda a sua vida», sublinhou o facto de se estar igualmente perante uma perda para a literatura e a cultura portuguesas «da qual foi representante e embaixador por direito próprio e reconhecido um pouco por todo o mundo entre os homens da cultura».

O Secretário-geral do PCP considerou que a atribuição do prémio Nobel colocou Saramago «na galeria dos escritores maiores», conferindo uma «dimensão mundial sem precedentes à literatura, à língua e à cultura portuguesas».

«Tomando sua obra notável como um todo, Saramago inventou mais do que um estilo, um inovador ritmo oral na escrita, que não se limitou a narrar para os que o liam, mas a participar activamente na narração devolvendo a história a todos aqueles que bastas vezes são ignorados pela linha oficial  dos que escrevem a História», destacou o dirigente comunista, em sentidas palavras que serviram ainda para recordar que «pela sua obra percorre a indignação e o questionamento face a dogmas e à opressão que marcam o quotidiano dos povos».

Uma postura seguramente indissociável do seu comprometimento «com os explorados, injustiçados e humilhados da terra», bem como dos «valores éticos» e do «ideal político» que perfilhou e «dos quais não abdicou até ao fim da sua vida, neste Partido Comunista Português que quis que fosse o seu».

«Amando o seu povo amou Abril com tudo o que comportou de concretização do sonho de transformação e de avanço progressista», disse ainda Jerónimo de Sousa, admitindo, mesmo podendo ser «abusivo», que José Saramago «nunca teria criado a sua obra notável não fora esse Abril onde se assumiu como protagonista».

«Morreu o escritor. Ficou a sua obra e o seu exemplo», afirmou, por fim, o dirigente do PCP, para quem, como o dissera já Pilar del Rio no derradeiro adeus a Saramago, «não é tempo de choro e lágrimas, é tempo de prosseguir o seu ideal e a sua luta pelo povo que o homenageou».



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