Santos continua política de Uribe
Juan Manuel Santos venceu a segunda volta das presidenciais colombianas garantindo cerca de 9 milhões de votos (69 por cento), contra aproximadamente de 3,5 milhões (27,5 por cento) recolhidos pelo outro concorrente ao cargo, Antanas Mockus. No discurso de vitória, o futuro chefe de Estado e do governo colombiano sublinhou que a política militarista contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) vai prosseguir na mesma linha da implementada pelo seu antecessor, Álvaro Uribe.
Santos deverá tomar posse em Agosto assumindo um regime envolto em ligações ao paramilitarismo e ao narcotráfico; manchado pelas execuções extrajudiciais de jovens trabalhadores posteriormente apresentados à imprensa como guerrilheiros das FARC; reincidente na repressão dos trabalhadores e seus representantes sindicais (ainda a semana passada outro sindicalista foi morto elevando para 31 os assassinados este ano); responsável por milhões de deslocados e por um conflito armado que insiste em prolongar; isolado no contexto regional face à subordinação e apoio contínuo aos planos imperialistas norte-americanos na América Latina.
Acresce que, segundo cifras oficiais, 45,5 por cento da população da Colômbia vive na pobreza e a taxa de desemprego em sentido restrito é a mais alta do subcontinente - 12 por cento.
Não obstante, o candidato do Partido da U afirmou reagindo ao sufrágio, que Álvaro Uribe, figura que acompanhou como ministro da Defesa entre 2006 e 2009, foi o melhor presidente em dois séculos de República.
Sufrágio nubloso
Um dado importante na segunda volta das presidenciais é o elevado nível de abstenção. De acordo com indicadores recolhidos pela organização Movimento de Observação Eleitoral, a falta de comparência às urnas supera os 57 por cento do total de eleitores, sendo a primeira vez que a abstenção sobe numa segunda volta das presidenciais.
Por outro lado, quase 750 mil eleitores votaram em branco ou tiveram o seu boletim considerado nulo.
À elevada e pela primeira vez crescente abstenção, junta-se, nesta consulta, a «particularidade» do vencedor ser accionista da empresa encarregue de organizar o acto. Santos foi mesmo membro do conselho de administração do grupo detentor da Unión Temporal Disproel, saindo no ano de 2006 para ingressar no executivo de Álvaro Uribe.
A denuncia foi feita pelo senador e dirigente do Pólo Democrático Alternativo, Gustavo Petro, que detém o conjunto de documentos entretanto fornecidos à Radio del Sur.
«A empresa fabrica os boletins de voto e os demais materiais eleitorais, transporta os formulários e boletins para as assembleias de voto e, posteriormente, recolhe-os. Isto é, tem nas mãos todo o processo eleitoral», frisou Petro.
Presidente em tribunal
Mas as «particularidades» do acto eleitoral e de Juan Manuel Santos não se ficam por aqui. O ex-ministro da Defesa vai ser notificado pela justiça do vizinho Equador por responsabilidade no assassinato de 25 pessoas, Março de 2008, durante um bombardeamento das força aérea colombiana contra território equatoriano.
A justiça equatoriana já emitiu um mandato de captura contra Santos e exigiu à congénere colombiana a extradição do ex-ministro da Defesa de Uribe.