CGTP-IN agendou dia nacional de luta

Há que derrotar o PEC

O Conselho Nacional da CGTP-IN agendou, para 8 de Julho, um «dia nacional de protesto e de luta», com manifestações e greves por todo o País e avisou que recorrerá «a todas as formas de luta constitucionalmente consagradas» para travar o PEC.

A 8 de Julho decorrerão manifestações e greves por todo o País

O objectivo do dia nacional de protesto e de luta, a 8 de Julho, é reforçar ainda mais a luta contra o ataque sem precedentes aos direitos dos trabalhadores e do povo português, protagonizado pelo Governo PS e pelo PSD, com a conivência do PP. Quanto ao futuro, nenhuma forma de luta consagrada constitucionalmente está posta de parte, incluindo a greve geral, decidiu o Conselho Nacional da CGTP-IN.

Em conferência de imprensa, dia 8, na sede da central, o secretário-geral, Manuel Carvalho da Silva, ladeado por Maria do Carmo Tavares, Mário Nogueira, Arménio Carlos e João Lourenço, membros da Comissão Executiva, apresentou as conclusões do Conselho Nacional. Este, depois de ter procedido a um balanço da manifestação de 29 de Maio, agendou mais um protesto nacional, agora descentralizado, para 8 de Julho.

Prosseguindo a actual ofensiva por iniciativa e acção do Governo PS, com a direita, «é claro que teremos de utilizar todas as formas de luta consagradas na Constituição da República», avisou, considerando que essa decisão só será tomada «de acordo com os tempos e as condições que a central considerar mais favoráveis aos trabalhadores e ao povo».

Porque a actual ofensiva contra os direitos laborais e sociais dos trabalhadores e de toda a população se mantém, a CGTP-IN considera imperioso que a acção de 8 de Julho reforce ainda mais o protesto geral, partindo dos locais de trabalho, mas também com forte expressão nas ruas, em todas as regiões, com o objectivo de dar ainda mais força ao combate contra as medidas acordadas no PEC.

O reforço da unidade na acção continuará a ser a grande prioridade da central, em todos os planos de intervenção.

Todas as acções de 8 de Julho terão também o propósito de «dar combate às supostas inevitabilidades e à submissão», através de manifestações solidárias entre gerações de trabalhadores, reforçando-se a participação da juventude.

«Só será possível vencer a actual ofensiva contra os direitos laborais e sociais, mobilizando-se as gerações mais jovens», considerou Carvalho da Silva, que salientou e saudou, em nome da central, a massiva participação de jovens na luta de 29 de Maio.

Durante este mês, a CGTP-IN anunciará, especificamente, as acções para 8 de Julho, em cada região, sector e empresa.

 

O PEC agravará a crise

 

O Conselho Nacional da CGTP-IN considerou que das medidas impostas aos portugueses não ocorrerá nenhuma saída da crise, mas antes o seu agravamento e aprofundamento.

Numa primeira fase, foram utilizados dinheiros públicos «para tapar os buracos financeiros provocados por grandes grupos económicos». Depois, essas dívidas foram transferidas para o Orçamento de Estado, tornando-as parte do défice das contas públicas, fazendo o povo português pagar essa factura. Decorre agora uma terceira fase de aprofundamento dos sacrifícios para os trabalhadores e o povo, em nome do combate à crise, para agravar ainda mais a dimensão da exploração, explicou o dirigente sindical.

Reafirmando todas as propostas alternativas da central, a CGTP-IN também demonstrará, com a acção de 8 de Julho, que há soluções para a crise sem a necessidade de se agravar ainda mais as condições de vida e de trabalho, tributando o grande capital e os verdadeiros responsáveis pela situação, que continuam a acumular avultados lucros à custa da destruição dos direitos laborais e sociais.

 

Submissão criminosa

 

A submissão do Governo português a políticas erradas provenientes da UE «é um crime contra o País», acusou Carvalho da Silva.

A CGTP-IN considera fundamental uma mudança de postura de Portugal na União Europeia que defenda os seus interesses próprios, reivindicando alterações que dilatem os prazos de pagamento das dívidas e o patamar do défice, outro funcionamento do sistema financeiro europeu e que a UE seja um espaço de solidariedade e não a utilização das fragilidades dos países mais fracos pelos mais poderosos.

Do Governo português, a central exige que reclame, na UE, o reconhecimento da especificidade da nossa economia, e que proceda a um debate profundo sobre os caminhos para revitalizar a produção nacional, captar novos investimentos que resultem produtivos para o País, reactivar sectores vitais que foram abandonados durante décadas, combater a economia clandestina e valorizar o mercado interno.

 

Mobilizar toda a população

 

A extraordinária participação de trabalhadores de todas as gerações na manifestação de 29 de Maio «deu um grande sinal de esperança e de confiança na possibilidade de um futuro diferente e mais justo, que será possível através de uma ainda maior mobilização de toda a população», considerou Carvalho da Silva.

A central registou e saudou a evolução qualitativa da participação de jovens, enaltecendo o enorme esforço de todos os que se deslocaram a Lisboa, provenientes de todas as regiões, para demonstrarem que estão determinados em prosseguir o combate por um futuro que os dignifique.



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