Austeridade chega à Dinamarca
O elogiado modelo social da Dinamarca, de onde foi importado o sistema da chamada «flexigurança», acaba de ser parcialmente desmantelado por um vasto plano de austeridade orçamental acordado na semana passada entre o governo conservador e a extrema-direita.
Entre a panóplia de medidas anti-sociais, destaca-se a redução para metade da duração máxima do subsídio de desemprego, que até aqui podia atingir os quatro anos. As prestações familiares foram também restringidas e os benefícios fiscais suprimidos.
O dirigente do principal sindicato LO, Harald Boersting, qualificou o pacote de medidas como «uma declaração de guerra» aos trabalhadores. Também o partido social-democrata assinalou que se trata de um ataque ao «sistema de flexigurança» dinamarquês, o qual deveria combinar a facilidade de despedimento com uma protecção no desemprego generosa e de longa duração.
«O dinamarquês médio não tem segurança de emprego. Em contrapartida, está protegido por um sistema sólido de apoio aos desempregados. Agora, o governo tirou tudo como um ladrão pela calada da noite», considerou Henrik Sass Larsen, porta-voz dos sociais-democratas.