AKEL apela ao reforço do diálogo
O Comité Central do Partido Progressista do Povo Trabalhador (AKEL) manifestou total apoio à política conduzida pelo presidente da República do Chipre, Dimitris Christofias, com vista à reunificação do país, e reafirmou que continuará a luta por uma solução do problema cipriota na base dos compromissos já alcançados.
Numa resolução aprovada no dia 14 de Maio, o CC do AKEL assinala que a assunção da liderança da comunidade turca-cipriota por Dervis Eroglou, na sequência das eleições de Abril do ano passado, «representa um desenvolvimento negativo».
A este respeito, o documento lembra que Eroglou tem manifestado «posições que colidem com a letra e espírito das resoluções das Nações Unidas, são contra os interesses do povo cipriota no seu conjunto e saem do quadro acordado das conversações».
Todavia, os comunistas cipriotas consideram que esta circunstância «não deve levar à desilusão. Pelo contrário, impõe a necessidade de intensificar os contactos e coordenar as acções com as forças que, no seio dos compatriotas turco-cipriotas, desejam genuinamente uma solução do problema de Chipre, baseada numa federação bizonal e bicomunal».
Registando as declarações do primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, de que pretende alcançar uma solução do problema de Chipre até ao final do ano, o AKEL salienta que estas intenções «têm de ser traduzidas em vontade política e em acções concretas na mesa das negociações». De outro modo, anota, «não passarão de exercícios sem qualquer utilidade».
«Ancara tem de compreender que a eternização do problema de Chipre constitui um problema para a própria Turquia e para as suas ambições. Quanto mais cedo compreender esta realidade e mudar a sua política mais rapidamente será aberto o caminho para a solução do problema cipriota».
Por último, o AKEL manifesta o seu desapontamento com uma parte das forças políticas internas que «questionam cada vez mais e se opõem à solução da federação bizonal e comunal», assentando aqui os principais «ataques ao Presidente da República e ao AKEL».
Todavia, como alternativa à federação bizonal e bicomunal, estas forças contrapõem uma alegada «solução ideal», que «nunca ninguém especificou nem explicou como e com que apoio internacional poderia tal solução ser realizada».
Assim, o AKEL sublinha que, «em nome desta solução “ideal”, está na realidade a ser fomentada uma cultura de “não-solução” e de aceitação da divisão. A retórica patriota, o fervor nacionalista e posições impraticáveis, que não têm em conta as realidades do mundo moderno, bem como os ataques desenfreados ao Presidente e ao AKEL não podem escamotear o facto de que os opositores à federação, tenham ou não consciência disso, estão a promover a divisão, com todas as consequências desastrosas que um tal desenvolvimento teria para o conjunto do nosso povo.»