A tourada e o futebol, de novo!
Apesar da gigantesca manifestação de mais de 300 mil pessoas a protestar no passado sábado, em Lisboa, contra a feroz ofensiva do PEC atacando os direitos dos trabalhadores e da população em geral, o canal público de televisão não fez lá um «directo», um apontamento de reportagem, sequer: os «directos» e os «apontamentos» ficaram todos para acontecimentos fundamentais para o País como... o Festival de cançonetas da Eurovisão.
A programação desta semana prossegue na mesma senda, tendo à cabeça dois elementos bem conhecidos do fascismo, a tourada e o futebol, com que preenchia abundantemente as suas grelhas.
A tourada surge no serão do próximo sábado, na forma da XLVI Grande Corrida TV (46.ª, embora a RTP prefira a pomposa numeração romana, certamente para acentuar a suposta «solenidade» das suas corridas de touros). Trata-se de um acontecimento televisivo sem pinga de originalidade, mas que persiste, indomável, na programação televisiva da RTP como «grande acontecimento nacional» do ano. Desta vez a refrega ocorre no Coliseu do Redondo e tem «em praça» os cavaleiros Joaquim Bastinhas, Luís Rouxinol e António Brito Paes, com forcados de Cascais, Redondo e Academia de Elvas. Para que conste e não nos acusem de não divulgarmos o cartel...
Quanto ao futebol – que no próximo mês de Junho vai inundar-nos o quotidiano, com as transmissões do Campeonato do Mundo a realizar na África do Sul -, também surge na pantalha da RTP-1, mas por enquanto apenas sob a forma de «apoio à selecção». O programa chama-se, aliás, Força Selecção!, terá apresentação de Tânia Ribas de Oliveira e de João Baião (paus para toda a obra), ocorrerá no Parque Eduardo VII, em Lisboa e funcionará como «uma homenagem à selecção nacional de futebol, durante a sua passagem» (pelo local, supomos...). Para cobrir o entremez haverá dois «directos» no próximo sábado, o primeiro entre as 11 da manhã e as 13 horas, o segundo entre as 16 e as 20 horas.
Crise? Qual crise? Viva o futebol!
V – de Vingança
V – de Vingança é um bom filme de 2006, que a RTP-1 transmitirá na próxima sexta-feira, a partir das 23.30. Trata-se de uma co-produção EUA/Alemanha, escrita por Alan Moore em 1982 e que apresenta uma Inglaterra dominada por um regime fascista, onde o totalitarismo está presente em tudo e em todos: uma polícia política assassina, poderes sem quaisquer escrúpulos ou travões, um quotidiano opressivo de terror e a inevitável organização da resistência clandestina, onde um herói individual (romântico e romantizado, pois claro), que usa uma máscara e evidencia recursos físicos e materiais quase inesgotáveis, conduz ele próprio uma guerrilha mortal contra o regime tirânico e os seus principais títeres, ao mesmo tempo que organiza uma vingança implacável, tudo tendo como fundo sonoro uma tonitroante Abertura de 1812, de Tchaikovsky.
Um bom espectáculo cinematográfico.
Animais Sentinela: Alerta!
Chama-se Animais Sentinela: Alerta! e trata-se de um prometedor documentário tipo National Geographic, que a RTP-1 anuncia para o final da manhã de domingo. Trata-se de um conjunto de cinco episódios (domingo é o primeiro) de uma série documental onde investigadores de todo o mundo tentam estudar e explorar o instinto dos animais na previsão de tragédias naturais e industriais, como acontece com cães, aves, elefantes e até minhocas. O objectivo é ver como esses extraordinários mecanismos de alerta dos animais pode beneficiar a humanidade. A série aborda cinco temas – a água, o solo, a contaminação do ar, os terramotos e os tsunamis. O programa de estreia aborda o alerta animal para terramotos.