Lutamos e lutaremos para transformar o mundo!
No segundo dia dos trabalhos foi apresentado e aprovado por todos os delegados ao 9.º Congresso da JCP um Manifesto à Juventude Portuguesa que apela à luta de todos por uma sociedade livre, participativa, de igualdade, de progresso social.
«É necessário que mais e mais se juntem aos milhares que hoje lutam pelos seus direitos. Vamos empenhar esforços, vontades e energias para consciencializar e mobilizar muitos mais na árdua luta contra as políticas de direita que os sucessivos governos nos têm imposto. Luta esta que se faz no dia-a-dia, todos os dias! É possível um mundo melhor! É possível manter abertas as portas que a Revolução de Abril abriu!», acentua o documento, apresentado por Diogo d'Ávila.
No manifesto, os jovens comunistas prometem ainda lutar por uma sociedade livre, participativa, de igualdade, de paz e cooperação, de progresso social. «Esta sociedade é o socialismo! Esta é a razão da nossa luta», prossegue o texto, onde ainda se pode ler: «É com a luta pelos direitos dos trabalhadores, pela estabilidade, pelo pleno emprego, por horários e salários dignos como condição fundamental para o desenvolvimento do País que abrimos caminho para o futuro».
A JCP defendeu, de igual forma, o direito à educação, à cultura, ao desporto e à saúde, à habitação. «Por todo o mundo, os povos lutam pela sua independência, soberania ou auto-determinação, resistindo corajosamente ao avanço catastrófico do imperialismo, fase avançada por capitalismo, libertando-se do jogo neocolonial, das agressões militares, dos bloqueios e sabotagens», referem os jovens comunistas.
Detenção ilegal
PSP tenta impedir pintura de mural
Três dias antes do Congresso, um grupo de militantes da Organização Regional do Porto da JCP foi abordado pela PSP enquanto procedia à pintura de um mural de propaganda política. Um dos militantes foi inclusivamente detido e transportado para a Esquadra do Bom Pastor, sob a justificação de estar a cometer uma «ilegalidade».
Mesmo após a força de segurança ter admitido que o muro que os militantes da JCP utilizaram era público, o jovem foi mantido em detenção.
«Diariamente, por todo o País, assiste-se à tentativa ilegal de limitação da liberdade de expressão e propaganda da iniciativa da JCP, com especial relevo para a colagem de cartazes, distribuição de documentos e pinturas de murais. Das identificações às apreensões de materiais, ameaças e proibições do exercício destes direitos pela polícia têm-se seguido, com variantes, centenas de processos, ora criminais conduzidos nos tribunais, ora contra-ordenações, com executivos camarários a tomarem para si poderes legislativos e judiciais visando a limitação de liberdades constitucionais», acusou, durante o Congresso, Rui Lopes, deixando um aviso: «Não aceitamos pagar multas ou ser condenados por exercer os nossos direitos. Sem ilusões legislativas, não interromperemos por um momento sequer a actividade palpitante entre as massas, nem deixaremos de empregar, em prol da transformação da sociedade pela qual lutamos, todas as possibilidades legais que as condições e circunstâncias permitem.»
Seminário Internacional
«Com a luta da Juventude, nem bases nem blocos político-militares»
Cerca de 20 delegações estrangeiras anteciparam a sua presença nos trabalhos do 9.º Congresso da JCP para participarem, na tarde de sexta-feira, em Almada, num Seminário Internacional promovido pela organização revolucionária da juventude portuguesa.
O eurodeputado do PCP, João Ferreira, marcou presença no encontro sublinhando a militarização da UE como uma das características mais marcantes daquele bloco imperialista.
Mas o militarismo ameaça, igualmente, todo o mundo, particularmente o militarismo norte-americano, acrescentou Jesus Mora, da União da Juventude Comunista de Cuba, organização que, actualmente, ocupa o cargo de secretário-geral da Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD).
O império – lembrou – tem bases militares em mais de 45 países com o único propósito de garantir a hegemonia norte-americana no mundo, por isso uma das principais lutas da juventude e da FMJD é contra a instalação de bases militares e pela dissolução dos blocos político-militares, parte da luta mais geral contra o imperialismo e a guerra.
Já Valter Lóios, da Comissão Executiva da CGTP-IN e da Direcção Nacional da JCP, destacou que no plano nacional e internacional os jovens trabalhadores enfrentam a maior ofensiva contra os seus direitos laborais e sociais conquistados em décadas de luta por gerações de trabalhadores. Por isso, a luta contra a política de direita e a teoria das inevitabilidades com que procuram conformar os jovens é uma batalha central.
Intervieram ainda no Seminário representantes de organizações de jovens comunistas de Espanha, Índia, Chipre, Brasil, Senegal, Sahara Ocidental, entre outros.
Solidariedade internacionalista
Várias delegações das juventudes comunistas e progressistas do mundo estiveram presentes no 9.º Congresso da JCP e, com a sua presença, mostraram que a solidariedade internacionalista está bem vida. Foram elas:
● A Liga Juvenil do ANC da África do Sul;
● O Congresso de Estudantes da África do Sul;
● A UJS do Brasil;
● A EDON do Chipe;
● A UJC de Cuba;
● A Juventude Socialista do Equador;
● A CJC de Espanha;
● A UJCE de Espanha;
● A MJCF de França;
● A Juventude Comunista da Grã-Bretanha;
● A KNE da Grécia;
● A Federação Democrática da Juventude da Índia;
● A Giovanni Communisti de Itália;
● A UJDL do Líbano;
● A Juventude do PPP da Palestina;
● A UJSARIO do Sahara Ocidental;
● A MJD do Senegal;
● A Juventude Comunista da Suíça;
● A Federação Mundial da Juventude Democrática, representada pelo seu Secretário-geral.