Jerónimo de Sousa no encerramento do Congresso

A trilhar os caminhos do futuro

A encerrar o Congresso da JCP, Jerónimo de Sousa manifestou confiança na capacidade dos jovens comunistas cumprirem o lema do Congresso e, com a luta da juventude, ajudarem à construção do futuro (publicamos em seguida excertos da intervenção).

«Um momento de construção colectiva e de reflexão critica sobre a evolução do País»

O nosso Partido está orgulhoso do trabalho desenvolvido na preparação deste Congresso. Um Congresso preparado em centenas de reuniões, encontros, assembleias, debates, ao mesmo tempo mantendo a ligação à vida e à luta, com os jovens comunistas a assumirem um papel destacado e decisivo em toda as lutas juvenis desenvolvidas neste período. Um Congresso preparado mantendo sempre uma intervenção activa e diversificada e um conjunto de iniciativas na área da literatura, de música, de artes gráficas, do desporto que foram importantes momentos de realização e de alegre convívio que prestigiam a JCP.

A realização do 9.º Congresso da JCP, sendo um momento muito importante para todos os jovens comunistas e de afirmação da JCP como a organização de vanguarda da juventude portuguesa é, particularmente, um momento de construção colectiva e de reflexão crítica sobre a evolução do País, do mundo e da situação da juventude.

Momento de balanço e avaliação sobre as batalhas travadas contra as políticas de direita do Governo do PS de José Sócrates e da sua ofensiva global que atingiu e degradou todos os sectores da vida do País, que conduziu o País à estagnação e à crise e está a pôr em causa o presente e o futuro da juventude portuguesa.

Momento de balanço das grandes lutas que neste período foram travadas em defesa dos direitos da juventude nas escolas, nas empresas, no movimento juvenil, aos diversos níveis da luta de massas e da intervenção institucional.

Momento para retirar ensinamentos e conclusões, definir orientações para o futuro e apontar medidas de organização e direcção para reforço da JCP e da sua dinâmica que permitam uma maior capacidade de atracção, de luta e de proposta e se traduza numa ainda maior influência política e eleitoral junto da juventude. (…)

 

Uma intensa luta de classes

 

O mundo está perante uma nova fase qualitativa da crise estrutural do sistema capitalista que está a afectar milhões e milhões de seres humanos e a evidenciar os limites históricos e as insanáveis contradições do sistema. Uma crise que, como a actual crise de dívidas soberanas dos Estados demonstra, se aprofunda, está muito longe de estar terminada e que confirma as tendências de fundo do sistema pondo em evidência a validade e actualidade do marxismo-leninismo, nomeadamente das suas leis fundamentais sobre o funcionamento do sistema capitalista.

Em Portugal e no resto do mundo, o quadro de intervenção com que os comunistas e os progressistas estão confrontados é extremamente exigente. A luta de classes – aquela que muitos decretaram como algo de ultrapassado e fora de moda e portanto alheio à realidade dos povos e da juventude – aí está mais viva que nunca, agudizando-se a cada passo dado na intensificação da ofensiva imperialista e na consequente resposta dos trabalhadores e dos povos.

Neste rápido desenvolvimento da situação os perigos que pendem sobre os povos são imensos. A criminosa fuga para a frente do capital, do imperialismo, dos governos e partidos ao seu serviço e das instituições do capitalismo como a União Europeia, está a revelar até onde eles pretendem ir na estratégia de impor aos trabalhadores, à juventude e aos povos a miséria, o desemprego e as injustiças, elevando para níveis sem precedentes nas últimas décadas a exploração e a opressão capitalistas e os ataques à soberania dos povos. (…)

 

Sacrifícios sim, por amor ao povo

 

Reforcem as vossas organizações, liguem-se profundamente às massas juvenis, interpretem os seus anseios e aspirações, expliquem-lhes o real significado das palavras luta e esperança e tragam-nos para a luta.

Responsabilizem os jovens, façam-lhes ver que a política, a política real, é nada mais nada menos que um povo, uma juventude a lutar pelo direito a ser feliz. Vão junto desses milhões de jovens e afirmem que face a um Mundo cada vez mais antidemocrático, injusto, instável e perigoso, existem alternativas bem reais e possíveis, e que é por elas que estão a lutar.

Aos que vos pedem sacrifícios respondam-lhes que sim. Que estão dispostos a fazer sacrifícios, mas não para hipotecar o vosso presente e o vosso futuro. Que estão dispostos a sacrifícios sim, mas pelo amor à liberdade, à justiça, à paz, ao progresso social e ao socialismo. Sacrifícios sim, pela juventude, pelos trabalhadores e pelo povo, e não contra eles!

Sabemos que a JCP e as organizações aqui representadas já o estão a fazer. Por isso, queremos deixar-vos também um voto de profunda confiança.

Confiança na vossa capacidade de luta. Confiança nas vossas organizações. Confiança nessa poderosa arma que tendes: a Federação Mundial da Juventude Democrática, cada vez mais alargada e fortalecida e que realizará este ano, em Dezembro, esse grande Festival Mundial na África do Sul que estamos certos terá tanto de luta como alegria e convicções.

Então resta-nos apelar: continuem e intensifiquem a vossa luta, a nossa luta. Afirmem com a convicção e a alegria que sempre vos caracteriza, que por via da luta estão, como refere o lema do vosso Congresso, a construir futuro, o vosso futuro que é também o nosso presente. Um presente e um futuro que estamos certos trilhará os caminhos que apontam o rumo ao socialismo e ao comunismo.

Camaradas, realizastes um grande Congresso. Estais mais preparados para ir para lá onde pulsa a vida, os problemas, as aspirações, lá onde pulsa o sonho sempre mais avançado que a realidade, concretizando o vosso lema «com a luta da juventude construir o futuro». Nós temos a convicção de que é possível, pela justeza do projecto que vos anima e pela força das convicções que vos determinam!

 

Intervenção de Cristina Cardoso

«Juntos construiremos a alternativa»

 

Coube a Cristina Cardoso fazer um balanço final do que foram os dois dias de Congresso da JCP, onde se reflectiu o desenvolvimento da organização e o aprofundamento da discussão sobre a realidade dos jovens portugueses e do mundo. Ao todo, informou a jovem comunista, realizaram-se 64 intervenções, que espelharam a intervenção dos colectivos de base e das organizações da JCP, em cada escola e local de trabalho, junto da juventude. «Este Congresso é, pela sua combatividade, pelo convívio e alegria, a prova de que a juventude comunista está enraizada no seio da juventude, tem ligação às massas juvenis, um profundo conhecimento da sua realidade e a certeza que com a sua luta construímos um futuro melhor», salientou.

Cristina Cardoso deu ainda conta dos quatro grandes objectivos traçados, em 2009, pela Direcção Nacional, que passaram por: «Cumprir o nosso papel da organização revolucionária da juventude para que em cada escola, local de trabalho, nas ruas, se reforce a luta da juventude pelos seus direitos e aspirações»; «reforçar a organização e a sua intervenção, com mais militantes, mais colectivos de base, mais capacidade realizadora dos colectivos»; «aprofundar o conhecimento e a análise da realidade da juventude, traçando as orientações gerais da JCP para a sua intervenção diária» e «afirmar o ideal comunista».

«Podemos afirmar que cada um destes objectivos foi cumprido. Reforçámos a nossa organização com mais de 660 recrutamentos que em muito contribuem para a criação de mais colectivos e reforço dos existentes. Com mais militantes e mais colectivos a nossa intervenção cresceu junto da juventude portuguesa. Assim, também aprofundámos o nosso conhecimento sobre a sua realidade», valorizou a jovem comunista, dando conta do trabalho realizado nos últimos oito meses, no âmbito da preparação do Congresso: «Fizemos centenas de distribuições e colagens de cartazes, pintámos murais pelo País todo, realizámos dezenas de debates e iniciativas de convívio, vendemos o AGIT nas ruas, realizámos o torneio de futsal da JCP, realizámos vários encontros regionais. O Congresso esteve na rua e a juventude sentiu-o como seu. Cada documento, cada cartaz, cada conversa e cada iniciativa foi e é fundamental para afirmar o nosso ideal, o ideal comunista.»

 

Ao trabalho, camaradas!

 

Sobre a nova Direcção Nacional da JCP, aprovada por maioria com oito abstenções, Cristina Cardoso lembrou que a mesma foi «constituída a partir de todos os colectivos, onde centenas de nomes foram levantados, uma Direcção construída colectivamente, como tão bem caracteriza a nossa forma de funcionamento baseada na aplicação criativa do centralismo democrático».

Dirigiu ainda uma palavra especial aos «camaradas» funcionários e outros que passaram a tarefas do Partido. «É com orgulho que afirmamos que cada um de vós é um dos imprescindíveis de que Brecht falava, mas é com orgulho que damos este valioso contributo ao Partido, que certamente contará com o vosso empenho, dedicação, com a vossa alegria no trabalho, a mesma que neste anos deram à JCP. Encontramo-nos na luta, camaradas!», frisou, reforçando: «Arregacemos as mangas, porque apesar de todos os esforços que fizemos de contrariar todas as indisponibilidades que temos para dar resposta às tarefas, o momento actual exige o redobrar do empenho de cada jovem comunista».

Para o futuro, a jovem comunista salientou a necessidade, entre outras medidas, de prosseguir o trabalho realizado, criando mais colectivos, «dando prioridade aos de escola e empresa, enquanto espaços de concentração juvenil onde a luta de classes assume maior expressão», aumentando a recolha de fundos, «com especial atenção para a recolha de quotas», divulgando e vendendo mais o AGIT e a imprensa do Partido.

Deixou, no final, um apelo aos jovens portugueses: «Juntem-se a nós, reforcem as fileiras do nosso grande colectivo e juntos construiremos a alternativa, um mundo melhor».

 

«Há homens que lutam um dia, e são bons;

Há outros que lutam um ano, e são melhores;

Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;

Porém há os que lutam toda a vida Estes são os imprescindíveis»

Bertold Brecht

 

 Construir um mundo de paz e justiça social

 

O momento histórico que se vive é de resistência e acumulação de forças face às crescentes ameaças do imperialismo nas suas mais diversas explorações. Neste quadro, a política de alianças e solidariedade que a JCP leva a cabo procura reforçar a ampla frente anti-imperialista que o momento exige. No plano juvenil, esta necessidade assume forma na Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD), organização fundada há 65 anos por jovens de todo o mundo com a aspiração de construir um mundo de paz e justiça social.

A JCP preside à FMJD desde 2003, estando agora no seu segundo mandato. «O trabalho que levamos a cabo na direcção da FMJD orienta-se pela busca contínua de reforço de amplitude e profundidade da luta e solidariedade internacionais, com o horizonte de dar um combate cada vez mais forte ao imperialismo», revelou Tiago Vieira, dando conta das importantes acções que se realizaram desde 2007, nomeadamente na Palestina, no Sahara Ocidental, no Zimbabwe, na África do Sul, no Líbano, na Síria, na Índia, no Chipre, na Grécia, na Venezuela, na Colômbia, no Chile e em Cuba.

O jovem dirigente comunista informou ainda que o 17.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes, se irá realizar, em Dezembro, na África do Sul. Uma iniciativa que contará com mais de 20 mil delegados de todo o mundo e que será o «palco maior da convergência de todas as lutas da juventude contra o imperialismo nas suas mais diversas expressões».

Tiago Vieira alertou ainda para a crescente militarização do mundo, com particular destaque para o reforço das estruturas do imperialismo, particularmente da NATO. Manifestou ainda, em nome da JCP, a sua solidariedade com o heróico povo cubano e palestiniano, e assumiu o compromisso de apoiar a luta do povo saharui contra a opressão de Marrocos. «Garantimos que continuaremos ao lado do povo cipriota até à reunificação da ilha e ainda hoje parcialmente ocupada pela Turquia; e reafirmamos o nosso apoio à resistência dos povos do Iraque e do Afeganistão até que o último soldado estrangeiro ocupante abandone os seus países e que uma verdadeira democracia seja construída pelo povo em cada um deles», assegurou.

  

Moções aprovadas

A luta é o caminho

 

No Congresso foram apresentadas e aprovadas, pelos mais de 500 delegados, três moções, intituladas «25 de Abril sempre!», «Com a luta da juventude, construir o futuro!» e «Quem faz a guerra não quer a paz». Documentos que reflectem as preocupações e as propostas da JCP, quer em termos nacionais, quer em termos internacionais.

No primeiro documento, apresentado no sábado, os jovens comunistas valorizaram a «Revolução de Abril», um dos mais importantes acontecimentos da história de Portugal, com importantes repercussões internacionais.

«A Revolução de Abril teve correspondência com a vontade do povo e foi uma afirmação de liberdade, de emancipação social e de independência nacional. Pôs fim a 48 anos de ditadura fascista, à guerra colonial e alterou profundamente o enquadramento de Portugal na cena internacional», refere o texto da moção, lembrando que em 2011 «serão celebrados os 35 anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa, onde estão consagradas importantes conquistas dos trabalhadores, da juventude e do povo português, e que tem sofrido constantes ataques por parte da direita e do grande capital, em prol dos seus interesses».

 

«Brutal ofensiva» contra os jovens

 

Quase a terminar os trabalhos, por volta das 19 horas, foi aprovada a moção «Com a luta da juventude, construir o futuro», documento que alerta para a «brutal ofensiva» das políticas da União Europeia, «seguidas à risca e aprofundadas pelos sucessivos governos portugueses». «Podemos até dizer que os jovens portugueses se tornaram uma espécie de "cobaias" dos ataques aos direitos dos trabalhadores e do povo português», denuncia a JCP, frisando: «A luta é o único caminho para a transformação da sociedade e os comunistas intervêm e trabalham diariamente para reforçar e aprofundar a luta da juventude».

«Quem faz a guerra não quer a paz! Paz sim, NATO não!» foi a moção apresentada no domingo, que fez um apelo «ao envolvimento da juventude portuguesa na luta pela dissolução da NATO», pólo militar ao serviço do imperialismo. «Os povos do mundo sabem que contaram, contam e contarão sempre com a solidariedade internacionalista da JCP e com a nossa luta combativa pela defesa de uma efectiva paz e cooperação entre os povos, pelo seu direito à independência e autodeterminação, livre de ingerências do imperialismo», salientaram os jovens comunistas, acrescentando: «Com coragem e determinação, derrotaremos o imperialismo, lutemos por um mundo de paz e solidariedade entre os povos».

 

Nova direcção da JCP

Assumir responsabilidades

 

A nova Direcção Nacional da JCP foi aprovada por maioria, com oito abstenções. O órgão máximo entre congressos é agora composto por 91 jovens comunistas, de todas as organizações regionais da JCP.

Ao todo, 51 são rapazes e 40 raparigas, o que representa 56 por cento e 44 por cento respectivamente. Assim, 26 são estudantes do ensino secundário (28,6 por cento), 29 são estudantes do ensino superior (31,9 por cento), cinco são estudantes do ensino profissional (5,5 por cento), 31 são trabalhadores (34 por cento), 12 são operários (13,2 por cento), 11 empregados (12,1 por cento), quatro são quadros técnicos (4,4 por cento) e quatro são intelectuais (4,4 por cento).

Destes 12 fazem parte do quadro de funcionários da JCP, o que representa 13,2 por cento do total da proposta. No que se refere à ligação dos jovens comunistas a estruturas do movimento juvenil é de salientar que 31 são membros de associações (34,1 por cento), 15 são dirigentes estudantis (16,4 por cento) e nove são sindicalizados (9,9 por cento). Cinco militantes desempenham cargos públicos, nomeadamente quatro em autarquias locais e um na Assembleia da República.

 



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Aqui estão os que não se rendem


 

O PCP reafirmou, no dia 20, a sua determinação em dar combate às medidas inscritas no PEC, bem como às que foram acrescentadas depois, na sequência do acordo entre o Governo e o PSD. Que este será forte e decidido ficou claro na acção nacional e no vibrante comício da Voz do Operário realizados nesse dia.

Rumo ao socialismo e ao comunismo!

Sob o lema «Com a luta da juventude, construir o futuro!», realizou-se este fim-de-semana, no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa, o 9.º Congresso da JCP. Foram dois dias de intensa discussão, com fortes críticas à política de direita dos sucessivos governos, que desencadearam, ao longos dos últimos anos, uma forte ofensiva contra o emprego com direitos e à escola pública, gratuita, democrática e para todos.

A encerrar os trabalhos, Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, valorizou o órgão máximo dos jovens comunistas, «um momento de construção colectiva e de reflexão crítica sobre a evolução do País, do mundo e da situação da juventude».

Lutamos e lutaremos para transformar o mundo!

No segundo dia dos trabalhos foi apresentado e aprovado por todos os delegados ao 9.º Congresso da JCP um Manifesto à Juventude Portuguesa que apela à luta de todos por uma sociedade livre, participativa, de igualdade, de progresso social.