Os baralhos viciados
No panorama político e empresarial português trava-se a batalha final pela posse e conservação do poder. É uma luta de vida ou de morte que pode (e vai mesmo) ser fatal para as estruturas sóciopolíticas do grande capital. Esta fase envolve já todas os organismos dirigentes das instituições superiores do regime, desde o Presidente da República e o primeiro-ministro, à Assembleia da República, aos tribunais, às polícias, à advocacia, ao empresariado, à banca e à Igreja. Todos são apanhados em falta e todos se recolhem à sombra da inocência. A existência de uma tal situação não é apenas imoral. Ela só é possível com a existência de leis ambíguas destinadas a condenar e impedir o crime mas, na realidade, redigidas de forma a permitir, a cada momento, leituras dúplices e à medida dos interesses financeiros e políticos em jogo. O País afunda-se num lamaçal que não se explica totalmente com as transgressões éticas e o abandono dos valores. Vemos sucederem-se os escândalos, conhecem-se pormenores mínimos da prática das falcatruas, identificam-se culpados, destroem-se provas incriminatórias e... nada acontece depois. Os tribunais invocam os princípios das leis e traem esses princípios. As polícias afadigam-se em encontrar culpados que acabam por ser esquecidos. Os processos arrastam-se tanto tempo quanto o necessário para caducarem as acusações. O Presidente da República finge olhar para o lado. O primeiro-ministro figura na maior parte dos casos fraudulentos mas continua, imperturbável, a proferir as falsidades do seu discurso oco. A Igreja tudo isto conhece mas soma, segue, cala-se e acumula lucros e proveitos. Entretanto, nada acontece no plano legal. Muitas leis por remunerar a iniquidade. Tudo isto revela a existência de um minucioso sistema de segurança das mafias em competição. Entretanto, digam o que quiserem, Portugal entrou na roda livre da bancarrota nacional. O País já está nas mãos da banca mundial, das multinacionais, da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional. Se apenas estas entidades exigissem para já o pagamento das dívidas contraídas pelos governos portugueses, Portugal entraria irremissívelmente em falência. Entretanto, os grandes negócios dão crescentes lucros. A «crise económica» passa-lhes ao lado. Um caso exemplar:
a compra e venda da TVI São muitas as fraudes estrondosas e em não menor número os golpes governativos encapotados que, em qualquer Estado medianamente democrático implicariam a demissão imediata dos governantes. Escolhamos o processo do «caso TVI» para muito resumidamente ilustrarmos o clima que já alastrou a toda a «sociedade civil» e às forças vivas portuguesas. Os cenários do «caso TVI» são extremamente móveis. O que representa, aliás, uma técnica da ocultação de objectivos e uma via para a valorização do produto a vender mas a conservar, simultaneamente, na mesma área de influência ideológica. Actualmente, a estação pertence à PRISA, o gigante espanhol que domina as aquisições no mercado televisivo, tem profundas ligações à ultraconservadora Igreja espanhola e conseguiu dominar, através de negociações secretas com a Media Capital, 94,39% das acções da TVI. É ela o novo patrão. Esta posição consolidou-se imediatamente com a compra à norte-americana Liberty Acquisition Holding de um aumento de capitais em dinheiro, operação que lhe vai render 660 milhões de euros de lucro. Dizem os amigos de Sócrates que – coitado dele! - bem tentou conservar a TVI em mão nacionais! Não o conseguiu e votou vencido... E o folhetim continua. A PRISA foi à TVI, comprou-a e irá introduzir rapidamente na estação «modificações estatutárias e regulamentares» de forma a garantir o controlo da empresa pelo accionista de referência (a Liberty). Segundo se sabe, esta reforma interna limitará o direito de voto de 30% de todos os accionistas. Fixado o novo administrador, a PRISA passa à frente e entrará nos mercados internacionais, como os norte-americanos, brasileiros, mexicanos e latino-americanos. Finalmente, no novo panorama televisivo nacional, assim estabelecido, a misteriosa Ongoing, vencida no negócio da TVI mas não convencida, fechou com o «empregado» José Eduardo Moniz um contrato milionário, entrou em reserva estratégica e promete ser a próxima vedeta da Comunicação Social. «Dividir para reinar» continua a ser a palavra de ordem mais cara à Igreja e aos especuladores. Este «caso da TVI», longe de ficar esgotado, tem no seu subsolo um vasto matagal de intrigas. A ele voltaremos em breve, em espaço mais alargado do nosso Avante!... «Se Deus quiser!»...
a compra e venda da TVI São muitas as fraudes estrondosas e em não menor número os golpes governativos encapotados que, em qualquer Estado medianamente democrático implicariam a demissão imediata dos governantes. Escolhamos o processo do «caso TVI» para muito resumidamente ilustrarmos o clima que já alastrou a toda a «sociedade civil» e às forças vivas portuguesas. Os cenários do «caso TVI» são extremamente móveis. O que representa, aliás, uma técnica da ocultação de objectivos e uma via para a valorização do produto a vender mas a conservar, simultaneamente, na mesma área de influência ideológica. Actualmente, a estação pertence à PRISA, o gigante espanhol que domina as aquisições no mercado televisivo, tem profundas ligações à ultraconservadora Igreja espanhola e conseguiu dominar, através de negociações secretas com a Media Capital, 94,39% das acções da TVI. É ela o novo patrão. Esta posição consolidou-se imediatamente com a compra à norte-americana Liberty Acquisition Holding de um aumento de capitais em dinheiro, operação que lhe vai render 660 milhões de euros de lucro. Dizem os amigos de Sócrates que – coitado dele! - bem tentou conservar a TVI em mão nacionais! Não o conseguiu e votou vencido... E o folhetim continua. A PRISA foi à TVI, comprou-a e irá introduzir rapidamente na estação «modificações estatutárias e regulamentares» de forma a garantir o controlo da empresa pelo accionista de referência (a Liberty). Segundo se sabe, esta reforma interna limitará o direito de voto de 30% de todos os accionistas. Fixado o novo administrador, a PRISA passa à frente e entrará nos mercados internacionais, como os norte-americanos, brasileiros, mexicanos e latino-americanos. Finalmente, no novo panorama televisivo nacional, assim estabelecido, a misteriosa Ongoing, vencida no negócio da TVI mas não convencida, fechou com o «empregado» José Eduardo Moniz um contrato milionário, entrou em reserva estratégica e promete ser a próxima vedeta da Comunicação Social. «Dividir para reinar» continua a ser a palavra de ordem mais cara à Igreja e aos especuladores. Este «caso da TVI», longe de ficar esgotado, tem no seu subsolo um vasto matagal de intrigas. A ele voltaremos em breve, em espaço mais alargado do nosso Avante!... «Se Deus quiser!»...