Entrevista ao Colectivo da JCP da Escola Secundária Emídio Navarro

Na vanguarda da luta

Constituídos por jovens comunistas, os colectivos de escola são a base da Organização do Ensino Secundário da JCP, que tem como objectivo principal a consciencialização dos estudantes para os problemas que os afectam, elevando, desta forma, a sua consciência política.

«Não é com o conformismo que conseguimos alterar a sociedade»

No âmbito do 9.º Congresso da JCP, que se realiza em Lisboa nos dias 22 e 23 de Maio, sob o lema «Com a luta da juventude, construir o futuro!», o Avante! foi conhecer o Colectivo da Escola Secundária Emídio Navarro, um grupo de jovens comunistas que estão, assim como muitos outros espalhados pelo País, na vanguarda da luta pelos direitos, sonhos e aspirações dos jovens portugueses.
A longa história deste colectivo ultrapassa a memória dos que agora dele fazem parte. «Não consigo dizer quando é que ele começou, porque já existe há muitos anos. Este, com estas e muitas outras pessoas, começou neste ano lectivo», revelou-nos Inês Maia. «Alguns já estavam cá o ano passado, tendo recrutado mais militantes para que se pudesse continuar o trabalho do colectivo», acrescentou Bia Varela, explicando que o recrutamento e enquadramento de novos militantes é uma tarefa, diária, necessária e imperativa para o reforço da JCP.
No entanto, foi com a luta vitoriosa dos estudantes daquela escola, contra a falta de funcionários e a não disponibilização de verbas por parte do Ministério da Educação para pagar a água do pavilhão onde provisoriamente os alunos têm aulas de educação física, que se viu reforçado aquele colectivo. «A papelaria fechava a uma determinada hora para o bar poder funcionar. Depois da realização de um abaixo-assinado e uma concentração de estudantes, conseguimos mais três funcionários e os serviços começaram a funcionar em simultâneo», explicou Pedro Carrolha. «Os estudantes começaram então a perceber a importância e o papel da JCP na dinamização da luta», valorizou. «Fomos nós, através do contacto com os nossos colegas, que os levámos para a luta e a perceber a importância que tinha a sua organização, de modo a resolver aqueles problemas concretos», disse Inês Maia.
Alexandre Mendes foi um dos estudantes que aderiu, logo após os protestos, ao colectivo dos jovens comunistas. «Soube que a JCP estava muito ligada à luta dos estudantes e isso despertou-me a atenção. Senti necessidade de participar, de lutar pelos meus direitos, como todos os outros jovens o deviam fazer», sublinhou. O mesmo aconteceu com Rafael França. «Já tinha participado em várias acções de luta, assim como em outras actividades. Percebi, então, qual era o papel da JCP, onde me sinto completo».
Até ao Congresso, este colectivo tem como meta recrutar oito novos «camaradas», «uma meta que tencionamos superar», afiançou Inês Maia. Depois, há que enquadrar os novos militantes na actividade diária da JCP, dando-lhes tarefas e discutindo no colectivo os problemas específicos na escola. «Não importa ser só militante, tem que se ir ter com as pessoas e consciencializá-las para os problemas que existem e lembrar-lhes que podem fazer algo para alterar a situação», destacou Rafael França.

Reforçar a organização

Mas as actividades da Juventude Comunista Portuguesa não se ficam por aqui, passam também por fazer debates, pinturas de murais, convívios, jantares, torneios desportivos, iniciativas que visam reforçar a organização e consequentemente a luta da juventude. «Na passada semana realizámos um jantar/convívio onde não só falámos das bandeiras de luta, como do papel da JCP, ou seja, falámos do Congresso e da luta que vamos ter agora no dia 24 de Março», revelou Bia Varela, reportando-se às comemorações do Dia do Estudante, que foi marcado, por todo o País, por várias acções de protesto contra a política educativa do Governo.
No âmbito da campanha «100 murais por todo o País», que a JCP está a realizar até Maio, os jovens comunistas de Almada pintaram ainda, há cerca de um mês, um mural, afirmando aquele que é um direito democrático, que pela sua história é obra da liberdade. «Ainda pensamos pintar mais. Há camaradas que têm já alguma prática na pintura de murais, o que torna mais fácil a tarefa. Um camarada ensina o outro, que, daqui a uns tempos, vai ensinar outros mais», frisou Pedro Carrolha. «Mais importante do que aquilo ficar bonito é passar a mensagem que pretendemos», lembrou Inês Maia, salientando: «Não é com o conformismo que conseguimos alterar a sociedade».


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