Voltando ao assunto

José Casanova
Volto ao tema «liberdade de informação», ultimamente tão debatido nos média dominantes – nesses média onde, insista-se, a liberdade de informação é um faz-de-conta e a liberdade de desinformar é o pão deles de cada dia.
E volto ao tema para insistir na denúncia do silenciamento a que esses mesmos média sujeitam praticamente toda a actividade do PCP – ao mesmo tempo que se desdobram em preocupações com a «liberdade de informação».
Dir-se-ia que, quando uma informação enviada pelo PCP chega às redacções desses média – de todos, sem excepção – ecoa, estridente, uma campainha que faz saltar da cadeira o lápis azul mais próximo da informação acabada de chegar e lhe dá o destino previamente determinado, por isso consabido.
É assim que, sobre tudo o que diz respeito ao PCP – as suas iniciativas (incluindo aquelas em que está presente o secretário-geral do Partido); as suas tomadas de posição sobre aspectos importantes da situação nacional e internacional; as suas propostas respeitantes aos problemas mais gravosos que a política de direita faz recair sobre a imensa maioria dos portugueses – os média dominantes dizem... nada.
Um exemplo: há dias, o Grupo Parlamentar do PCP convocou uma conferência de imprensa para anunciar as propostas do Partido respeitantes ao Orçamento do Estado – propostas que, não tendo a ilusão de remediar o irremediável que é o conteúdo essencial do Orçamento do Estado da política de direita, pretendem tão-somente contribuir para atenuar as terríveis consequências desse OE nas condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e do povo.
Vários média – quase todos – estiveram representados na conferência de imprensa. Todavia nenhum deles publicou uma linha sequer sobre o que lá se passou.
Porque aos directores e chefes de redacção não agradou o conteúdo das propostas do PCP? Porque acharam que não era conveniente dar a conhecer essas propostas? Porque noticiando-as retiram «argumentos» aos que se fartam de acusar o PCP de só ser do contra e não fazer propostas? Porque sim?
Por tudo isso, certamente. E também porque falar da «liberdade de informação» é o que está a dar...


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