O povo unido jamais será vencido!
«Jamais as Forças Armadas voltarão a ser usadas contra o povo», disse o presidente venezuelano Hugo Chávez perante uma multidão que no dia 27 assinalou o 21.º aniversário do Caracazo. «Hoje os venezuelanos sabem que têm um governo que lhes pertence; que têm um projecto e avança na sua construção; que têm um presidente que jamais permitirá que a burguesia dispare ódio contra o peito do povo venezuelano», continuou.
A iniciativa realizada num município vizinho da capital teve como objectivo prestar homenagem aos mortos da revolta popular em Caracas e, simultaneamente, reforçar a exigência massiva de regresso do então presidente, Carlos Andrés Pérez, ao país para que seja julgado pelo massacre cometido. Pérez
Insurreição
Em Fevereiro de 1989, Pérez iniciava o seu segundo mandato com o país afogado na pobreza e na corrupção. Em Caracas o aumento do preço dos transportes públicos e da gasolina entre 30 e 100 por cento acendeu o rastilho e milhares de venezuelanos saíram à rua para repudiarem a receita económica do FMI que o presidente pretendia aplicar. Entre as medidas anunciadas estavam ainda a liberalização dos preços e das taxas de juro, o aumento em 50 por cento da electricidade e do telefone, a privatização do ensino. Estudantes e professores juntaram-se às reivindicações.
Anunciada a implementação da lei da selva nos preços de todos os bens, a grande distribuição começou a açambarcar produtos básicos. Faltava um pouco de tudo nas prateleiras e os patrões recusavam acompanhar com o aumento dos salários a inflação no valor de troca dos bens e serviços. O povo não ficou parado e prosseguiu com as manifestações.
Os protestos foram violentamente reprimidos pela polícia. O governo fez um balanço de 300 mortos, mas relatos de participantes nos acontecimentos confirmados por investigações sobre o sucedido dizem que o número de vítimas superou os dois milhares. O governo de Pérez logrou esmagar a insurreição, ainda que em bairros como o 23 de Janeiro a resistência tenha durado cerca de uma semana.
As autoridades venezuelanas iniciaram recentemente a exumação dos corpos enterrados nas fossas comuns para apurarem com maior rigor o dados da tragédia. Testemunhos indicam que alguns dos mortos foram executados extrajudicialmente depois de presos.
Experiência para a vitória
Mesmo afogado em sangue, o Caracazo criou entre as jovens patentes militares um sentimento de repúdio para com o governo de Pérez. Um grupo de militares liderados por Chávez tenta, em 1992, derrubá-lo, mas fracassa.
Ficou, no entanto, a experiência para que, anos mais tarde, o povo venezuelano opte por um processo revolucionário de progresso e justiça social que mostra que o povo unido jamais será vencido.
Falta levar Carlos Andrés Pérez a tribunal, disseram os milhares que se juntaram sábado passado na localidade de Valle de Caracas. Nesse sentido, as autoridades judiciais venezuelanas já pediram a extradição do ex-presidente, que goza uma aposentação principesca no protectorado norte-americano de Porto Rico.
A iniciativa realizada num município vizinho da capital teve como objectivo prestar homenagem aos mortos da revolta popular em Caracas e, simultaneamente, reforçar a exigência massiva de regresso do então presidente, Carlos Andrés Pérez, ao país para que seja julgado pelo massacre cometido. Pérez
Insurreição
Em Fevereiro de 1989, Pérez iniciava o seu segundo mandato com o país afogado na pobreza e na corrupção. Em Caracas o aumento do preço dos transportes públicos e da gasolina entre 30 e 100 por cento acendeu o rastilho e milhares de venezuelanos saíram à rua para repudiarem a receita económica do FMI que o presidente pretendia aplicar. Entre as medidas anunciadas estavam ainda a liberalização dos preços e das taxas de juro, o aumento em 50 por cento da electricidade e do telefone, a privatização do ensino. Estudantes e professores juntaram-se às reivindicações.
Anunciada a implementação da lei da selva nos preços de todos os bens, a grande distribuição começou a açambarcar produtos básicos. Faltava um pouco de tudo nas prateleiras e os patrões recusavam acompanhar com o aumento dos salários a inflação no valor de troca dos bens e serviços. O povo não ficou parado e prosseguiu com as manifestações.
Os protestos foram violentamente reprimidos pela polícia. O governo fez um balanço de 300 mortos, mas relatos de participantes nos acontecimentos confirmados por investigações sobre o sucedido dizem que o número de vítimas superou os dois milhares. O governo de Pérez logrou esmagar a insurreição, ainda que em bairros como o 23 de Janeiro a resistência tenha durado cerca de uma semana.
As autoridades venezuelanas iniciaram recentemente a exumação dos corpos enterrados nas fossas comuns para apurarem com maior rigor o dados da tragédia. Testemunhos indicam que alguns dos mortos foram executados extrajudicialmente depois de presos.
Experiência para a vitória
Mesmo afogado em sangue, o Caracazo criou entre as jovens patentes militares um sentimento de repúdio para com o governo de Pérez. Um grupo de militares liderados por Chávez tenta, em 1992, derrubá-lo, mas fracassa.
Ficou, no entanto, a experiência para que, anos mais tarde, o povo venezuelano opte por um processo revolucionário de progresso e justiça social que mostra que o povo unido jamais será vencido.
Falta levar Carlos Andrés Pérez a tribunal, disseram os milhares que se juntaram sábado passado na localidade de Valle de Caracas. Nesse sentido, as autoridades judiciais venezuelanas já pediram a extradição do ex-presidente, que goza uma aposentação principesca no protectorado norte-americano de Porto Rico.