A besta de guerra…

Pedro Guerreiro

O militarismo e a guerra são apanágio do imperialismo, a paz é a luta dos povos

Tendo como objectivo o «desenvolvimento» de um «novo» conceito estratégico até ao final de 2010, a NATO concluiu, no final de Fevereiro, a dita fase de «reflexão», iniciando a fase de «consulta» de cada um dos seus membros. Relativamente a Portugal, está anunciada a deslocação, em meados de Março, de elementos do grupo que está encarregue de apresentar uma proposta para o conceito estratégico desta organização político-militar de carácter agressivo, que agora se pretende com intervenção de âmbito global.
A este propósito é (in)digna de registo a intervenção do Secretário-geral da NATO proferida na recente «Conferência de Segurança de Munique», onde explanou o que se ambiciona para o futuro da NATO.

Após ter, de uma penada, mandado às urtigas princípios fundamentais da Carta da ONU e do direito internacional – como a solução pacífica dos conflitos internacionais ou a não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados – ao postular que a «defesa territorial» dos países membros da NATO se inicia «fora das (suas) fronteiras», o Secretário-geral da NATO enumera o que considera serem as novas «ameaças», formuladas à «medida do freguês», isto é, de forma a possibilitar a instrumentalização e a militarização de praticamente todas as esferas das relações internacionais (de que é exemplo a ajuda humanitária ou ao desenvolvimento, recorde-se o Haiti), a ingerência, a desestabilização e o intervencionismo militar, obviamente, em função dos interesses imperialistas dos EUA e das potências da União Europeia.

Nas intenções expostas pelo Secretário-geral da NATO, esta organização transformar-se-ia no «fórum de consulta ao nível mundial sobre questões de segurança». A NATO seria a instituição para a «segurança» de um proclamado «sistema internacional», que integraria outros «actores» como a ONU, a UE, o FMI, o Banco Mundial ou as Organizações Não Governamentais (ONG), cada um «nas suas respectivas posições» (política, económica, militar,…), mas cooperando entre si «para um mesmo fim» (aliás, apresenta-se a agressão ao Afeganistão como precursora desta «nova forma de fazer»). E, utilizando o «canto de sereia» para procurar esconder o «abraço do urso», a NATO estende maliciosamente o convite à China e à Rússia – não falasse mais alto a gritante realidade e a verdade crua dos factos...
Isto é, a NATO assumiria o mundo como seu campo de actuação, diversificaria as suas missões e interviria sem limites a pretexto de todas as questões, instrumentalizando a ONU para branquear e facilitar a sua acção belicista (recorde-se a controversa e perigosa declaração comum assinada entre a NATO e o actual Secretário-geral da ONU, relativa à sua cooperação mútua).

Moral da história, a voragem capitalista, o imperialismo, com todo o seu cortejo de atrocidades, opressão e exploração, confronta-se (sempre) com as mais legítimas e elementares aspirações e necessidades da Humanidade, pois representa, tão só, a sua brutal negação para milhões e milhões de seres humanos. Por mais silenciada e desvirtuada que seja, a verdade é que os povos (sempre) resistem e lutam pela sua libertação. Só assim se poderão entender os repetidos esforços do imperialismo para impor a sua dominação e tutela colonial, através de todas as formas, incluindo a utilização da máquina de agressão que é a NATO. Isto é, o militarismo e a guerra são apanágio do imperialismo, a paz é a luta dos povos.


Mais artigos de: Opinião

O despacho

De há uns tempos a esta parte tenho dado conta de que, seja por causa da idade ou por outros motivos que não são para aqui chamados por poderem remeter para essa coisa tenebrosa que se convencionou chamar de política, está a ser cada vez mais difícil acompanhar as minudências da vida nacional sem ficar com a sensação de...

O grande partido da esquerda democrática

«A melhor defesa é o ataque», devem ter pensado os estrategas do PS que, acossados pela divulgação das investigações a propósito do chamado caso Face Oculta, decidiram passar à ofensiva. Nada melhor do que tocar a reunir as hostes e apelar ao envolvimento dos militantes – «das bases», como se diz no PS.Foi neste contexto...

Pluralidades

Anda para aí um barulho dos diabos a propósito da alegada tentativa de intervenção de altas figuras do PS, entre as quais pontua o Secretário-geral e Primeiro Ministro, para controlar órgãos de Comunicação Social. Daí até se concluir pela necessidade de garantir a independência dos órgãos de comunicação social públicos e...

Censura cirúrgica

Numa situação em que a quase totalidade dos média é propriedade do grande capital, é óbvio que a «liberdade de expressão e informação» que a Constituição da República Portuguesa consagra, não passa de uma bela frase...O capital investe nos média com o mesmo objectivo com que investe em qualquer outra área, sendo que,...