É preciso acreditar
O atraso e a dependência de Portugal não é nem uma fatalidade nem um «destino»
O Seminário do PCP «2000/2010, dez anos de política de direita – exigência de ruptura» mostrou uma vez mais a imperiosa necessidade de romper com as amarras que prendem Portugal ao imperialismo e impedem o seu desenvolvimento.
O problema da dependência externa de Portugal, que tem a marca entreguista das classes dominantes, é um problema histórico que se arrasta sem solução há séculos. Um problema bem conhecido quanto às relações de dependência com a Inglaterra com a qual em má hora foi selada uma «aliança» de que nunca nos livrámos inteiramente, e à qual devemos a humilhação do «Ultimatum» (mas também a revolta do 31 de Janeiro que acelerou a derrota da Monarquia) ou a desgraça nacional que foi a participação de Portugal na I Guerra Mundial imperialista durante a República.
Com o fascismo a situação tornou-se ainda mais grave. Sem romper com a «velha aliada» Salazar fez quanto pôde por Hitler e Mussolini, mas a derrota do nazi-fascismo trocou-lhe as voltas. Virou-se então para o imperialismo norte-americano, entregou-lhe o estratégico «porta-aviões» das Lages nos Açores, tornou-se membro fundador da NATO em 1949 quando, para combater o avanço do campo socialista e dos partidos comunistas (e em Portugal o PCP tornara-se um grande partido nacional), o «democrático Ocidente» desencadeava a contra-ofensiva da «guerra fria» e lançava sobre o mundo as nuvens negras de uma nova guerra mundial. Guerra que só foi evitada pela consequente política de paz da URSS e do recém formado campo socialista, e pelo poderoso movimento contra a guerra que nesses anos mobilizou milhões em todo o mundo, incluindo em Portugal, com as grandes acções em torno do «Apelo de Estocolmo» e outras, que atiraram para as prisões muitos democratas, nomeadamente jovens do MUD Juvenil. A troco da sua sobrevivência e da sobrevivência do império colonial em que o imperialismo estava igualmente interessado, o fascismo entregava o país nas mãos das grandes potências capitalistas. A libertação de Portugal do imperialismo, sendo um objectivo secular do povo português, tornou-se um dos «oito pontos» do Programa do PCP para a Revolução Democrática e Nacional.
A Revolução de Abril foi em si mesma um poderoso acto libertador. O prestígio e a autoridade de Portugal no plano internacional tornaram-se muito grandes. As amarras de dependência externa foram fortemente abaladas. Mas não foram cortadas. A conspiração imperialista contra a revolução portuguesa – com Spínola, Mário Soares, Carlucci, a «Europa connosco» e tutti quanti - não só não encontrou a resistência que se impunha, como foi activamente procurada pelas forças da reacção e da social-democracia, conduzindo à recuperação imperialista da revolução.
Passaram mais de trinta anos de políticas de submissão nacional e aí temos em força União Europeia, FMI, Banco Mundial, OCDE, «agências de rating» subitamente atiradas para a ribalta política, tudo a exigir que se descarreguem sem dó nem piedade para cima dos trabalhadores os custos da crise em que as políticas de direita mergulharam o País, mais os custos da crise capitalista internacional da qual já ninguém vê o fim. Aí temos os partidos do «bloco central» PS e PSD, Governo, PR, e com eles toda uma corte de banqueiros e capitalistas parasitários, a dizer amen às medidas anti-sociais e antinacionais exigidas pela globalização imperialista.
É contra isto que temos de lutar sem descanso. É com esta secular aliança perversa das classes dominantes nacionais e estrangeiras que temos de acabar para que a alternativa patriótica e de esquerda que o PCP aponta ao País ganhe finalmente vida.
E para isso é preciso acreditar, e levar as massas a acreditar, que a situação de atraso e dependência de Portugal não é nem uma fatalidade nem um «destino», mas um problema que, em aliança de luta com outros povos amantes da liberdade, está inteiramente ao alcance do povo português resolver.
O problema da dependência externa de Portugal, que tem a marca entreguista das classes dominantes, é um problema histórico que se arrasta sem solução há séculos. Um problema bem conhecido quanto às relações de dependência com a Inglaterra com a qual em má hora foi selada uma «aliança» de que nunca nos livrámos inteiramente, e à qual devemos a humilhação do «Ultimatum» (mas também a revolta do 31 de Janeiro que acelerou a derrota da Monarquia) ou a desgraça nacional que foi a participação de Portugal na I Guerra Mundial imperialista durante a República.
Com o fascismo a situação tornou-se ainda mais grave. Sem romper com a «velha aliada» Salazar fez quanto pôde por Hitler e Mussolini, mas a derrota do nazi-fascismo trocou-lhe as voltas. Virou-se então para o imperialismo norte-americano, entregou-lhe o estratégico «porta-aviões» das Lages nos Açores, tornou-se membro fundador da NATO em 1949 quando, para combater o avanço do campo socialista e dos partidos comunistas (e em Portugal o PCP tornara-se um grande partido nacional), o «democrático Ocidente» desencadeava a contra-ofensiva da «guerra fria» e lançava sobre o mundo as nuvens negras de uma nova guerra mundial. Guerra que só foi evitada pela consequente política de paz da URSS e do recém formado campo socialista, e pelo poderoso movimento contra a guerra que nesses anos mobilizou milhões em todo o mundo, incluindo em Portugal, com as grandes acções em torno do «Apelo de Estocolmo» e outras, que atiraram para as prisões muitos democratas, nomeadamente jovens do MUD Juvenil. A troco da sua sobrevivência e da sobrevivência do império colonial em que o imperialismo estava igualmente interessado, o fascismo entregava o país nas mãos das grandes potências capitalistas. A libertação de Portugal do imperialismo, sendo um objectivo secular do povo português, tornou-se um dos «oito pontos» do Programa do PCP para a Revolução Democrática e Nacional.
A Revolução de Abril foi em si mesma um poderoso acto libertador. O prestígio e a autoridade de Portugal no plano internacional tornaram-se muito grandes. As amarras de dependência externa foram fortemente abaladas. Mas não foram cortadas. A conspiração imperialista contra a revolução portuguesa – com Spínola, Mário Soares, Carlucci, a «Europa connosco» e tutti quanti - não só não encontrou a resistência que se impunha, como foi activamente procurada pelas forças da reacção e da social-democracia, conduzindo à recuperação imperialista da revolução.
Passaram mais de trinta anos de políticas de submissão nacional e aí temos em força União Europeia, FMI, Banco Mundial, OCDE, «agências de rating» subitamente atiradas para a ribalta política, tudo a exigir que se descarreguem sem dó nem piedade para cima dos trabalhadores os custos da crise em que as políticas de direita mergulharam o País, mais os custos da crise capitalista internacional da qual já ninguém vê o fim. Aí temos os partidos do «bloco central» PS e PSD, Governo, PR, e com eles toda uma corte de banqueiros e capitalistas parasitários, a dizer amen às medidas anti-sociais e antinacionais exigidas pela globalização imperialista.
É contra isto que temos de lutar sem descanso. É com esta secular aliança perversa das classes dominantes nacionais e estrangeiras que temos de acabar para que a alternativa patriótica e de esquerda que o PCP aponta ao País ganhe finalmente vida.
E para isso é preciso acreditar, e levar as massas a acreditar, que a situação de atraso e dependência de Portugal não é nem uma fatalidade nem um «destino», mas um problema que, em aliança de luta com outros povos amantes da liberdade, está inteiramente ao alcance do povo português resolver.