Mobilização e luta
Com a campanha nacional Com o PCP – Lutar contra as injustiças, Exigir uma vida melhor, os comunistas dirigem-se, em primeiro lugar, aos trabalhadores. Porque será sempre a sua mobilização e luta a abrir os caminhos da ruptura e da mudança.
A luta de massas é o caminho mais seguro para construir a alternativa
A Comissão Concelhia de Santo Tirso do PCP convocou para dia 29 de Janeiro, em São Martinho do Campo, um encontro com trabalhadores do sector têxtil. Um sector de grande importância naquele concelho do Vale do Ave, onde a taxa de desemprego supera os 16 por cento. No distrito do Porto, e só nos anos de 2006 e 2007 (ou seja, antes da «crise de que tanto se fala agora), encerraram 134 empresas têxteis.
Solidariamente presente no encontro, Jerónimo de Sousa foi calorosamente recebido pelos mais de 250 trabalhadores que responderam afirmativamente ao apelo dos comunistas – entre estes, destacavam-se dezenas de operários da Flor do Campo, que tinham vindo em desfile pelas ruas da freguesia numa manifestação de protesto contra a injusta situação em que se encontram e que se arrasta há vários anos.
No plano de insolvência da empresa, aprovado em tribunal com o voto favorável da Segurança Social, os trabalhadores, enquanto credores, só deverão receber 30 por cento dos créditos em dívida, e ainda assim, ao longo de dez anos em 20 prestações semestrais.
Esta foi uma das situações abordadas no encontro que, dada a elevada participação, não se pôde realizar, como estava previsto, no salão da Junta de Freguesia. As intervenções acabariam por ser proferidas a partir das escadarias, com o largo fronteiriço completamente cheio, fundamentalmente com trabalhadores convidados para o encontro, mas também com muitos outros, que por ali estavam e que escutaram atentamente o que se dizia.
Dos vários testemunhos apresentados, ficou patente o alastrar da miséria e da exploração na região do Ave: o desemprego que não pára de aumentar; os «cursos de formação» apenas servem para apagar desempregados dos ficheiros, sendo totalmente inconsequentes para quem os frequenta; os fundos e subsídios que muitos empresários recebem para, depois, encerrarem as empresas e enviarem mais trabalhadores para o desemprego.
Na sua intervenção, muito saudada pelos presentes, Jerónimo de Sousa referiu-se à proposta do PCP visando o alargamento dos critérios para atribuição do subsídio de desemprego, que o PS por várias vezes chumbou. Um tema que cavou fundo na audiência, composta certamente por muitos desempregados completamente desapoiados. A mesma recepção teve outra proposta anunciada pelo dirigente comunista: o direito à reforma após 40 anos de descontos, sem qualquer penalização.
Jerónimo de Sousa teve ainda a oportunidade de manifestar a «solidariedade combativa do PCP» ao legítimo desejo a uma vida melhor. Uma solidariedade que, sendo importante e dando rosto político às reivindicações dos trabalhadores, não substitui a sua luta – factor determinante e insubstituível para a ruptura necessária.
Denunciar injustiças, propor caminhos
Entretanto, organizações e militantes comunistas levam a cabo a campanha do Partido junto dos trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho. Em centenas de acções, distribui-se milhares de folhetos onde se denunciam injustiças e propõem alternativas – a conquistar, sempre, pela unidade e pela luta! Quer se trate dos jornais nacionais da campanha quer sejam comunicados sobre questões específicas.
Na SN Seixal, por exemplo, a célula do Partido e a Comissão Concelhia local denunciam as pressões exercidas pela administração sobre os trabalhadores para que estes gozem as suas férias no Inverno. Num comunicado distribuído aos trabalhadores, os comunistas realçam que as férias marcadas para dia 1 de Fevereiro, com prolongamento até ao dia 17 de Março, «não foram marcadas de mútuo acordo» e as declarações individuais assinadas foram conseguidas «por assédio».
Actualmente sob administração do grupo espanhol Megasa, a SN Seixal (herdeira de parte da antiga Siderurgia Nacional) ignora constantemente os direitos dos trabalhadores: dos cerca de 380 postos de trabalho directos, 252 permanecem sem vínculo efectivo; na Aciaria, os trabalhadores são submetidos a horários diários às sextas, sábados e domingos de dez horas e meia com 30 minutos para refeição e intervalo de descanso entre turnos inferior a 12 horas; desde 2005 que não existe actualização salarial.
Em Loures, o Sector de Empresas do Partido emitiu um comunicado a exigir que o Governo intervenha junto da multinacional francesa Saint-Gobain para que esta cumpra os acordos assumidos com o Estado português. Caso contrário, a produção de vidro plano deve ser nacionalizada, defendem os comunistas.
Tendo recebido avultados apoios do Governo para aumentar a sua capacidade produtiva e manter os postos de trabalho, a ex-Covina esperou pelas eleições legislativas para anunciar o adiamento sine die dos investimentos e enviar os trabalhadores para o desemprego. A produção de vidro plano ficou então paralisada, transformando aquela unidade industrial num verdadeiro armazém de vidro produzido em Espanha. Tudo isto se passa, acusa o PCP, «perante o silêncio cúmplice do Governo».
O mesmo sector partidário está a apelar à «luta e à unidade dos trabalhadores» da Gráfica Mirandela, confrontados com salários em atraso e com o desemprego. Apesar dos benefícios recebidos para manter os 229 trabalhadores e criar mais 50 postos de trabalho, a empresa não pagou atempadamente os salários, levando uma centena de funcionários a rescindir os contratos. A recente proposta da administração, de pagar as dívidas a 20 euros por mês, «só pode ser vista como uma provocação».
Em Lisboa, a célula do Partido no Shopping dos Olivais editou mais um número do seu boletim, onde destaca a «grande luta de todos os trabalhadores dos supermercados e hipermercados, apoiados no seu sindicato, o CESP, contra as vergonhosas propostas apresentadas pela APED», que visavam aumentos de 1 por cento para 2009 e 2010 e a aplicação de horários de 12 horas diárias/60 semanais sem pagamento extraordinário. «Hoje, mais do que nunca, é necessária a unidade de todos os trabalhadores na defesa e reconquista de muitos direitos ganhos com a luta.»
Romper o silenciamento
A notícia que constitui a realização, durante três meses, de uma campanha nacional de um partido político sobre temas como o desemprego, a precariedade e os baixos salários esgota-se no seu lançamento. Independentemente de abordar temas de inegável importância e de consistir em largas centenas de acções por todo o País, a campanha Com o PCP – Lutar contra as injustiças, Exigir uma vida melhor parece votada ao mais profundo silenciamento.
Já nem nos referimos às iniciativas de menor dimensão – sem as quais, é certo, a campanha não teria expressão – mas inclusivamente àquelas em que participa o Secretário-geral do PCP. Foi o que sucedeu, mais uma vez, em Santo Tirso.
À luz de insondáveis critérios jornalísticos, o encontro entre Jerónimo de Sousa e mais de duas centenas de trabalhadores do sector têxtil do Vale do Ave não mereceu tratamento noticioso, num momento em que alastram os encerramentos, aumenta o desemprego e a precariedade, generalizam-se os baixos salários. Quanto muito, ao Secretário-geral comunista é pedido um qualquer comentário sobre o assunto «do dia», transmitido ou referido sem qualquer referência ao local e ao contexto em que se encontrava.
Mais uma vez, é com os seus meios próprios (e com a sua maior riqueza, os seus militantes) que o Partido conta para levar a cabo esta campanha e a necessária mobilização para a luta.
GC
Solidariamente presente no encontro, Jerónimo de Sousa foi calorosamente recebido pelos mais de 250 trabalhadores que responderam afirmativamente ao apelo dos comunistas – entre estes, destacavam-se dezenas de operários da Flor do Campo, que tinham vindo em desfile pelas ruas da freguesia numa manifestação de protesto contra a injusta situação em que se encontram e que se arrasta há vários anos.
No plano de insolvência da empresa, aprovado em tribunal com o voto favorável da Segurança Social, os trabalhadores, enquanto credores, só deverão receber 30 por cento dos créditos em dívida, e ainda assim, ao longo de dez anos em 20 prestações semestrais.
Esta foi uma das situações abordadas no encontro que, dada a elevada participação, não se pôde realizar, como estava previsto, no salão da Junta de Freguesia. As intervenções acabariam por ser proferidas a partir das escadarias, com o largo fronteiriço completamente cheio, fundamentalmente com trabalhadores convidados para o encontro, mas também com muitos outros, que por ali estavam e que escutaram atentamente o que se dizia.
Dos vários testemunhos apresentados, ficou patente o alastrar da miséria e da exploração na região do Ave: o desemprego que não pára de aumentar; os «cursos de formação» apenas servem para apagar desempregados dos ficheiros, sendo totalmente inconsequentes para quem os frequenta; os fundos e subsídios que muitos empresários recebem para, depois, encerrarem as empresas e enviarem mais trabalhadores para o desemprego.
Na sua intervenção, muito saudada pelos presentes, Jerónimo de Sousa referiu-se à proposta do PCP visando o alargamento dos critérios para atribuição do subsídio de desemprego, que o PS por várias vezes chumbou. Um tema que cavou fundo na audiência, composta certamente por muitos desempregados completamente desapoiados. A mesma recepção teve outra proposta anunciada pelo dirigente comunista: o direito à reforma após 40 anos de descontos, sem qualquer penalização.
Jerónimo de Sousa teve ainda a oportunidade de manifestar a «solidariedade combativa do PCP» ao legítimo desejo a uma vida melhor. Uma solidariedade que, sendo importante e dando rosto político às reivindicações dos trabalhadores, não substitui a sua luta – factor determinante e insubstituível para a ruptura necessária.
Denunciar injustiças, propor caminhos
Entretanto, organizações e militantes comunistas levam a cabo a campanha do Partido junto dos trabalhadores, nas empresas e locais de trabalho. Em centenas de acções, distribui-se milhares de folhetos onde se denunciam injustiças e propõem alternativas – a conquistar, sempre, pela unidade e pela luta! Quer se trate dos jornais nacionais da campanha quer sejam comunicados sobre questões específicas.
Na SN Seixal, por exemplo, a célula do Partido e a Comissão Concelhia local denunciam as pressões exercidas pela administração sobre os trabalhadores para que estes gozem as suas férias no Inverno. Num comunicado distribuído aos trabalhadores, os comunistas realçam que as férias marcadas para dia 1 de Fevereiro, com prolongamento até ao dia 17 de Março, «não foram marcadas de mútuo acordo» e as declarações individuais assinadas foram conseguidas «por assédio».
Actualmente sob administração do grupo espanhol Megasa, a SN Seixal (herdeira de parte da antiga Siderurgia Nacional) ignora constantemente os direitos dos trabalhadores: dos cerca de 380 postos de trabalho directos, 252 permanecem sem vínculo efectivo; na Aciaria, os trabalhadores são submetidos a horários diários às sextas, sábados e domingos de dez horas e meia com 30 minutos para refeição e intervalo de descanso entre turnos inferior a 12 horas; desde 2005 que não existe actualização salarial.
Em Loures, o Sector de Empresas do Partido emitiu um comunicado a exigir que o Governo intervenha junto da multinacional francesa Saint-Gobain para que esta cumpra os acordos assumidos com o Estado português. Caso contrário, a produção de vidro plano deve ser nacionalizada, defendem os comunistas.
Tendo recebido avultados apoios do Governo para aumentar a sua capacidade produtiva e manter os postos de trabalho, a ex-Covina esperou pelas eleições legislativas para anunciar o adiamento sine die dos investimentos e enviar os trabalhadores para o desemprego. A produção de vidro plano ficou então paralisada, transformando aquela unidade industrial num verdadeiro armazém de vidro produzido em Espanha. Tudo isto se passa, acusa o PCP, «perante o silêncio cúmplice do Governo».
O mesmo sector partidário está a apelar à «luta e à unidade dos trabalhadores» da Gráfica Mirandela, confrontados com salários em atraso e com o desemprego. Apesar dos benefícios recebidos para manter os 229 trabalhadores e criar mais 50 postos de trabalho, a empresa não pagou atempadamente os salários, levando uma centena de funcionários a rescindir os contratos. A recente proposta da administração, de pagar as dívidas a 20 euros por mês, «só pode ser vista como uma provocação».
Em Lisboa, a célula do Partido no Shopping dos Olivais editou mais um número do seu boletim, onde destaca a «grande luta de todos os trabalhadores dos supermercados e hipermercados, apoiados no seu sindicato, o CESP, contra as vergonhosas propostas apresentadas pela APED», que visavam aumentos de 1 por cento para 2009 e 2010 e a aplicação de horários de 12 horas diárias/60 semanais sem pagamento extraordinário. «Hoje, mais do que nunca, é necessária a unidade de todos os trabalhadores na defesa e reconquista de muitos direitos ganhos com a luta.»
Romper o silenciamento
A notícia que constitui a realização, durante três meses, de uma campanha nacional de um partido político sobre temas como o desemprego, a precariedade e os baixos salários esgota-se no seu lançamento. Independentemente de abordar temas de inegável importância e de consistir em largas centenas de acções por todo o País, a campanha Com o PCP – Lutar contra as injustiças, Exigir uma vida melhor parece votada ao mais profundo silenciamento.
Já nem nos referimos às iniciativas de menor dimensão – sem as quais, é certo, a campanha não teria expressão – mas inclusivamente àquelas em que participa o Secretário-geral do PCP. Foi o que sucedeu, mais uma vez, em Santo Tirso.
À luz de insondáveis critérios jornalísticos, o encontro entre Jerónimo de Sousa e mais de duas centenas de trabalhadores do sector têxtil do Vale do Ave não mereceu tratamento noticioso, num momento em que alastram os encerramentos, aumenta o desemprego e a precariedade, generalizam-se os baixos salários. Quanto muito, ao Secretário-geral comunista é pedido um qualquer comentário sobre o assunto «do dia», transmitido ou referido sem qualquer referência ao local e ao contexto em que se encontrava.
Mais uma vez, é com os seus meios próprios (e com a sua maior riqueza, os seus militantes) que o Partido conta para levar a cabo esta campanha e a necessária mobilização para a luta.
GC