Clima e Revolução
O caminho da mudança passa por profundas transformações políticas, económicas e sociais
Ainda os ecos da cimeira do clima de Copenhaga. Fracasso e decepção foram os termos mais usados para caracterizar os resultados da 15.ª conferência da ONU sobre alterações climáticas realizada na capital dinamarquesa. Após 12 dias de trabalhos que entraram pela madrugada de sábado, 19 de Dezembro, a vã declaração de intenções tortuosamente negociada nas costas do plenário e apenas subscrita por 25 estados – mesmo que entre estes se contem as grandes potências capitalistas e países emergentes – não apaga o fiasco, nem limpa a face da reunião de Copenhaga. Esta foi uma cimeira profundamente minada pela agenda, interesses e contradições capitalistas e o cinismo das grandes potências, muito particularmente dos Estados Unidos, o maior contaminador mundial. Afastada da resolução dos problemas candentes que afectam o futuro da Humanidade, das preocupações e anseios das pessoas, trabalhadores e povos, Copenhaga ficou manchada pelas inúmeras manobras ardilosas e discriminatórias pactuadas pela presidência dinamarquesa, e a repressão e violência policial nas ruas.
Dos escombros da cimeira dinamarquesa releva, porém, um outro dado substancial, decorrente da posição articulada dos países do G-77, na verdade a mais representativa organização intergovernamental das Nações Unidas que integra mais de 130 países, assim como da afirmação pelos países da ALBA de que «para mudar de clima é preciso mudar de sistema» e de que só na via do socialismo será possível a resolução dos problemas fundamentais que se colocam ao mundo, incluindo a questão ambiental e da delapidação dos recursos naturais, cujo cerne não pode ser dissociado do sistema predominante capitalista de produção e relações sociais.
Apesar de todas as pressões, o protagonismo do G-77, a defesa intransigente do princípio de responsabilidades comuns mas diferenciadas enunciado por países como a China e Cuba acabaram por ser determinantes para impedir que uma vez mais vingasse o espúrio e hipócrita consenso da agenda do imperialismo. EUA e UE reagiram usando todo o arsenal de acções antidemocráticas e de propaganda, contribuindo para o cenário de caos instalado na conferência. Desde as reiteradas tentativas de apontar a China como bode expiatório da «ausência de acordo», até à chantagem e manobras divisórias visando o estabelecimento paralelo de uma espécie de G-20 ambiental, como biombo e forma de impor à ONU e ao mundo as soluções que convêm ao grande capital e imperialismo.
Trata-se, como o PCP tem dito, de «soluções» que, significando uma grotesca instrumentalização da questão ambiental e climática, pretendem aprofundar a mercantilização do ambiente e avançar na via da privatização da atmosfera, engendrando mais uma monstruosa bolha financeira e um novo maná da especulação, agora com o comércio mundial de carbono. Medidas orientadas para o reforço da exploração e do espartilho das relações económicas desiguais, que se inserem em novos e mais poderosos mecanismos de neocolonialismo. Absolvendo, pelo caminho, a pesadíssima pegada carbónica do imperialismo – pense-se apenas no peso das emissões de CO2 das colossais despesas militares dos EUA, das guerras de agressão e da infernal máquina militar no terreno, nos quatro cantos do planeta.
A história demonstra que nenhuma mudança de paradigma tecnológico ou revolução energética – mesmo verde – podem alterar a natureza do capitalismo e abolir as suas contradições intrínsecas. O caminho da mudança passa por profundas transformações políticas, económicas e sociais. A tomada de consciência pelos trabalhadores e povos do que está em jogo é essencial.
Só o tempo julgará o que ficará para a História da cimeira de Copenhaga. Na certeza de que, em última instância, é nos caminhos da Revolução Social que reside, também, a «solução para a degradação ambiental» e a salvação do planeta. Esta nunca «poderá vir de um sistema, o capitalismo, que prova a cada dia a sua total irracionalidade e a sua natureza predatória e autodestruidora».
Dos escombros da cimeira dinamarquesa releva, porém, um outro dado substancial, decorrente da posição articulada dos países do G-77, na verdade a mais representativa organização intergovernamental das Nações Unidas que integra mais de 130 países, assim como da afirmação pelos países da ALBA de que «para mudar de clima é preciso mudar de sistema» e de que só na via do socialismo será possível a resolução dos problemas fundamentais que se colocam ao mundo, incluindo a questão ambiental e da delapidação dos recursos naturais, cujo cerne não pode ser dissociado do sistema predominante capitalista de produção e relações sociais.
Apesar de todas as pressões, o protagonismo do G-77, a defesa intransigente do princípio de responsabilidades comuns mas diferenciadas enunciado por países como a China e Cuba acabaram por ser determinantes para impedir que uma vez mais vingasse o espúrio e hipócrita consenso da agenda do imperialismo. EUA e UE reagiram usando todo o arsenal de acções antidemocráticas e de propaganda, contribuindo para o cenário de caos instalado na conferência. Desde as reiteradas tentativas de apontar a China como bode expiatório da «ausência de acordo», até à chantagem e manobras divisórias visando o estabelecimento paralelo de uma espécie de G-20 ambiental, como biombo e forma de impor à ONU e ao mundo as soluções que convêm ao grande capital e imperialismo.
Trata-se, como o PCP tem dito, de «soluções» que, significando uma grotesca instrumentalização da questão ambiental e climática, pretendem aprofundar a mercantilização do ambiente e avançar na via da privatização da atmosfera, engendrando mais uma monstruosa bolha financeira e um novo maná da especulação, agora com o comércio mundial de carbono. Medidas orientadas para o reforço da exploração e do espartilho das relações económicas desiguais, que se inserem em novos e mais poderosos mecanismos de neocolonialismo. Absolvendo, pelo caminho, a pesadíssima pegada carbónica do imperialismo – pense-se apenas no peso das emissões de CO2 das colossais despesas militares dos EUA, das guerras de agressão e da infernal máquina militar no terreno, nos quatro cantos do planeta.
A história demonstra que nenhuma mudança de paradigma tecnológico ou revolução energética – mesmo verde – podem alterar a natureza do capitalismo e abolir as suas contradições intrínsecas. O caminho da mudança passa por profundas transformações políticas, económicas e sociais. A tomada de consciência pelos trabalhadores e povos do que está em jogo é essencial.
Só o tempo julgará o que ficará para a História da cimeira de Copenhaga. Na certeza de que, em última instância, é nos caminhos da Revolução Social que reside, também, a «solução para a degradação ambiental» e a salvação do planeta. Esta nunca «poderá vir de um sistema, o capitalismo, que prova a cada dia a sua total irracionalidade e a sua natureza predatória e autodestruidora».