«Tecnologia de ponta» chinesa, pois claro!
Para não ficar apenas por generalidades e por recentemente ter sido noticiado que a Telenor, que é o operador de telecomunicações «incumbente» da Noruega, conhecido entre outras coisas por, não obstante partir de uma base de mercado num país com 4 a 5 milhões de habitantes, já ter ultrapassado os 160 milhões de clientes (puxa, é obra!!), para além de ser, a Telenor, um dos mais inovadores operadores do mundo - na verdade arrancou na frente, quando foi caso de entrar na 3.ª geração móvel, a conhecida 3G / UMTS -, pois, ao ser noticiado que a Telenor - escrevia eu - tinha firmado um acordo quadro a médio prazo com a Huawei, nomeadamente incluindo a fase de arranque da 4G / LTE, um fabricante detentor de muitas patentes para a nova geração móvel e o maior fabricante chinês e 4.º/3.º mundial na área das telecomunicações, assim, neste contexto pareceu-me inadiável, para não ficar pelas generalidades costumeiras, voltar ao tema da indústria chinesa de fabricação de equipamentos e sistemas de telecomunicações.
E faço-o pegando, desde logo, num artigo, publicado no The Economist em 24 de Setembro de 2009, sobre os progressos imensos feitos pela China em termos da fabricação de equipamentos/sistemas de telecomunicações, sobretudo na área das redes, isto é, das infra-estruturas que afinal estão no cerne das tão referidas sociedade da informação e do conhecimento.
O citado artigo começa por relembrar o trajecto do Japão - para utilizá-lo de acordo com um habitual método de comparação com as caminhadas de sociedades que terão antes passado por situações semelhantes. Com efeito, «nos anos 60, quando o Japão emergiu como um exportador industrial, cedo se passou a palavra do baixo custo e da baixa qualidade. Gracejou-se muito então sobre os não fiáveis relógios japoneses e com os carros japoneses baratos. Mas progrediu a qualidade e o Japão tornou-se uma força poderosa na electrónica, na fabricação de automóveis e noutras indústrias. Hoje em dia a Toyota, com um modelo de fabricação eficiente, e as firmas japonesas estão na frente mundial em tecnologias limpas, na fabricação de automóveis e na electrónica de consumo. A China tem esperança (continuamos a citar o artigo) de efectuar uma transição semelhante. Para já os estrangeiros pensam que a sua electrónica e os seus automóveis são de segunda qualidade, como se pensava do Japão, há 40 anos. Mas a qualidade está a aumentar regular e constantemente e a China está a ser tomada crescentemente como um inovador. A firma que personifica esta nova China hi-tech (passe o anglicismo) é a Huawei, o maior fabricante de equipamento de telecomunicações do país».
O maior fabricante do país é pouco dizer. No mesmo artigo é apresentado um quadro da «liga principal» do sector onde se pode ver que Huawei era já a 4.ª maior do mundo depois da Ericsson, da Nokia-Siemens e muito próximo da 3.ª a Alcatel-Lucent (alguns dados indicam que a Huawei já teria ultrapassado aquela). Depois vêm, pela seguinte ordem, a Cisco, a Motorola e a Nortel (esta última tendo entrado em falência no início de 2009). Mas, mais curioso ainda, é que logo a seguir aparece a ZTE, que, para utilizar uma linguagem ciclista, já vai na cola da Motorola! Pois, assim mesmo.
Mais, tal como refere o artigo que vimos citando, o impacto das duas firmas chinesas nas telecomunicações tem sido colossal: «elas foram em grande parte responsáveis pela fusão em 2006 da Alcatel e da Lucent, e dos sectores de equipamento de rede da Nokia e da Siemens, bem como pelo colapso em Janeiro de 2009 da Nortel e da venda de muitos dos seus activos à Ericsson».
Estes factos não serão tão alucinantes quanto o são já os relativos ao posicionamento dos bancos chineses entre os maiores do mundo, matéria sobre que já escrevemos quando o mais recente episódio de crise se cavou vai para cerca de um ano, mas, de qualquer forma, são impressionantes.
De facto, a China não tem apenas esperança de efectuar uma transição semelhante à do Japão. Já vai é em fase muito adiantada de tal processo e com uma rapidez nunca vista. Responsáveis principais desta evolução: preços muito «competitivos», mas sobretudo os imensos recursos de I&D empregues pela Huawei e pela ZTE, os quais para esse nível de preços bem têm contribuído.
E faço-o pegando, desde logo, num artigo, publicado no The Economist em 24 de Setembro de 2009, sobre os progressos imensos feitos pela China em termos da fabricação de equipamentos/sistemas de telecomunicações, sobretudo na área das redes, isto é, das infra-estruturas que afinal estão no cerne das tão referidas sociedade da informação e do conhecimento.
O citado artigo começa por relembrar o trajecto do Japão - para utilizá-lo de acordo com um habitual método de comparação com as caminhadas de sociedades que terão antes passado por situações semelhantes. Com efeito, «nos anos 60, quando o Japão emergiu como um exportador industrial, cedo se passou a palavra do baixo custo e da baixa qualidade. Gracejou-se muito então sobre os não fiáveis relógios japoneses e com os carros japoneses baratos. Mas progrediu a qualidade e o Japão tornou-se uma força poderosa na electrónica, na fabricação de automóveis e noutras indústrias. Hoje em dia a Toyota, com um modelo de fabricação eficiente, e as firmas japonesas estão na frente mundial em tecnologias limpas, na fabricação de automóveis e na electrónica de consumo. A China tem esperança (continuamos a citar o artigo) de efectuar uma transição semelhante. Para já os estrangeiros pensam que a sua electrónica e os seus automóveis são de segunda qualidade, como se pensava do Japão, há 40 anos. Mas a qualidade está a aumentar regular e constantemente e a China está a ser tomada crescentemente como um inovador. A firma que personifica esta nova China hi-tech (passe o anglicismo) é a Huawei, o maior fabricante de equipamento de telecomunicações do país».
O maior fabricante do país é pouco dizer. No mesmo artigo é apresentado um quadro da «liga principal» do sector onde se pode ver que Huawei era já a 4.ª maior do mundo depois da Ericsson, da Nokia-Siemens e muito próximo da 3.ª a Alcatel-Lucent (alguns dados indicam que a Huawei já teria ultrapassado aquela). Depois vêm, pela seguinte ordem, a Cisco, a Motorola e a Nortel (esta última tendo entrado em falência no início de 2009). Mas, mais curioso ainda, é que logo a seguir aparece a ZTE, que, para utilizar uma linguagem ciclista, já vai na cola da Motorola! Pois, assim mesmo.
Mais, tal como refere o artigo que vimos citando, o impacto das duas firmas chinesas nas telecomunicações tem sido colossal: «elas foram em grande parte responsáveis pela fusão em 2006 da Alcatel e da Lucent, e dos sectores de equipamento de rede da Nokia e da Siemens, bem como pelo colapso em Janeiro de 2009 da Nortel e da venda de muitos dos seus activos à Ericsson».
Estes factos não serão tão alucinantes quanto o são já os relativos ao posicionamento dos bancos chineses entre os maiores do mundo, matéria sobre que já escrevemos quando o mais recente episódio de crise se cavou vai para cerca de um ano, mas, de qualquer forma, são impressionantes.
De facto, a China não tem apenas esperança de efectuar uma transição semelhante à do Japão. Já vai é em fase muito adiantada de tal processo e com uma rapidez nunca vista. Responsáveis principais desta evolução: preços muito «competitivos», mas sobretudo os imensos recursos de I&D empregues pela Huawei e pela ZTE, os quais para esse nível de preços bem têm contribuído.