Não ao bloqueio!
Nunca o isolamento do imperialismo norte-americano na matéria foi tão evidente
Pelo 18.º ano consecutivo a ONU aprovou uma resolução contra o bloqueio dos Estados Unidos a Cuba. A resolução apresentada por Cuba na semana anterior, no decorrer dos trabalhos da 64.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, congregou o mais vasto apoio de sempre: 187 Estados votaram a favor do fim do bloqueio económico, comercial e financeiro que os EUA mantêm contra Cuba já há perto de 50 anos. Foram apenas três os votos contra, em 192 países representados – EUA, Israel e Palau (com o pormenor da ilha do Pacífico ser representada por um advogado norte-americano de cidadania israelita…).
Por diversos que sejam os argumentos e motivos políticos que estão subjacentes ao voto produzido na ONU, o facto é que nunca o isolamento do imperialismo norte-americano na matéria foi tão evidente.
O bloqueio a Cuba, prosseguido pelo actual governo norte-americano, constitui um dos expoentes do mais grosseiro desrespeito pelo direito internacional e normas de convivência entre estados, da velha política de livre arbítrio e terrorismo de Estado sobejamente praticada pelos EUA e seus aliados.
Mas representa também uma das mais brilhantes páginas da capacidade de resistência de um povo em luta pela sua independência, direitos e opções. Porque este é também – e antes de mais – um bloqueio político e ideológico, patenteando o supremo ódio e intolerância de classe, contra um poder revolucionário que não só ousou afirmar e defender a soberania e dignidade nacionais como também assumir o objectivo do Socialismo, convertendo Cuba no primeiro país do Hemisfério Ocidental a iniciar a construção de uma sociedade nova, mais humana e livre.
Objectivo que não ignora a extensão a percorrer assim como a magnitude das dificuldades de toda a espécie e complexidade que se deparam a uma transição de natureza socialista, feita dialecticamente de avanços e recuos, da exploração das oportunidades e caminhos de cada país e experiência, resultado também de uma contínua e enriquecedora aprendizagem histórica, onde há que contar com os erros e desacertos. E que, acima de tudo, se revela hoje – o projecto e a luta pelo socialismo – uma necessidade imperiosa, face à profunda crise estrutural do capitalismo e ao agravamento de insuportáveis desigualdades e desequilíbrios no mundo.
Falhado o intento de afogar militarmente a vitoriosa revolução cubana de 1959, o imperialismo muda as tácticas mas mantém os mesmos objectivos estratégicos. Como recordou o ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodríguez, suportando-se de documentos secretos norte-americanos recentemente desclassificados, desde o início a política de bloqueio preconizou o objectivo de «criar fome, desespero e desalento» (Telesur, 28.10.09). Propósitos também falhados, apesar de, já nos anos 90, os EUA terem convertido o bloqueio em Lei. A sua aplicação, incluindo as desafiantes disposições de âmbito extra-territorial, e não obstante as excepções de pormenor que confirmam a «regra», configura um atentado aos princípios de igualdade e soberania dos estados, da não ingerência e da própria liberdade de comércio e navegação internacionais.
O ascenso da luta popular e de processos progressistas na América Latina e o lento declínio da capacidade de impor a doutrina Monroe isolaram como nunca as posições dos EUA, obrigando Washington a um jogo dúplice e a uma manobra mais sofisticada – que os acontecimentos nas Honduras tão bem ilustram. A persistência do bloqueio alerta-nos, contudo, para os muros esquecidos mas reais – de opressão, exploração e ocupação – que a hegemonia do grande Capital continua a erguer no mundo.
Por diversos que sejam os argumentos e motivos políticos que estão subjacentes ao voto produzido na ONU, o facto é que nunca o isolamento do imperialismo norte-americano na matéria foi tão evidente.
O bloqueio a Cuba, prosseguido pelo actual governo norte-americano, constitui um dos expoentes do mais grosseiro desrespeito pelo direito internacional e normas de convivência entre estados, da velha política de livre arbítrio e terrorismo de Estado sobejamente praticada pelos EUA e seus aliados.
Mas representa também uma das mais brilhantes páginas da capacidade de resistência de um povo em luta pela sua independência, direitos e opções. Porque este é também – e antes de mais – um bloqueio político e ideológico, patenteando o supremo ódio e intolerância de classe, contra um poder revolucionário que não só ousou afirmar e defender a soberania e dignidade nacionais como também assumir o objectivo do Socialismo, convertendo Cuba no primeiro país do Hemisfério Ocidental a iniciar a construção de uma sociedade nova, mais humana e livre.
Objectivo que não ignora a extensão a percorrer assim como a magnitude das dificuldades de toda a espécie e complexidade que se deparam a uma transição de natureza socialista, feita dialecticamente de avanços e recuos, da exploração das oportunidades e caminhos de cada país e experiência, resultado também de uma contínua e enriquecedora aprendizagem histórica, onde há que contar com os erros e desacertos. E que, acima de tudo, se revela hoje – o projecto e a luta pelo socialismo – uma necessidade imperiosa, face à profunda crise estrutural do capitalismo e ao agravamento de insuportáveis desigualdades e desequilíbrios no mundo.
Falhado o intento de afogar militarmente a vitoriosa revolução cubana de 1959, o imperialismo muda as tácticas mas mantém os mesmos objectivos estratégicos. Como recordou o ministro cubano dos Negócios Estrangeiros, Bruno Rodríguez, suportando-se de documentos secretos norte-americanos recentemente desclassificados, desde o início a política de bloqueio preconizou o objectivo de «criar fome, desespero e desalento» (Telesur, 28.10.09). Propósitos também falhados, apesar de, já nos anos 90, os EUA terem convertido o bloqueio em Lei. A sua aplicação, incluindo as desafiantes disposições de âmbito extra-territorial, e não obstante as excepções de pormenor que confirmam a «regra», configura um atentado aos princípios de igualdade e soberania dos estados, da não ingerência e da própria liberdade de comércio e navegação internacionais.
O ascenso da luta popular e de processos progressistas na América Latina e o lento declínio da capacidade de impor a doutrina Monroe isolaram como nunca as posições dos EUA, obrigando Washington a um jogo dúplice e a uma manobra mais sofisticada – que os acontecimentos nas Honduras tão bem ilustram. A persistência do bloqueio alerta-nos, contudo, para os muros esquecidos mas reais – de opressão, exploração e ocupação – que a hegemonia do grande Capital continua a erguer no mundo.