Uma batalha de todo o Partido

João Frazão (Membro da Comissão Política)
As três semanas que nos separam das eleições autárquicas a 11 de Outubro, com passagem pelas eleições legislativas a 27 de Setembro, são de uma exigência extraordinária. Já nas páginas do Avante! e pela voz do Secretário-geral se afirmou que nunca, no Portugal de Abril, tínhamos tido uma tal situação política com três eleições no espaço de quatro meses, nos quais se incluiu a preparação e realização da Festa do Avante!.

Apoio a apoio, voto a voto, é possível construir um grande resultado para a CDU

A vida aí está para o comprovar. Nestes poucos dias que faltam temos um gigantesco trabalho pela frente em que se interligam a preparação da campanha autárquica – com a concepção e produção de programas e outros materiais, com a indicação dos representantes da CDU para a nomeação das mesas e assembleias de voto, com a distribuição e afixação da propaganda, com a preparação de iniciativas e a acção de contacto e esclarecimento, quer para as eleições legislativas quer para as autárquicas.
Mas há razões para enfrentar estes trabalhos com confiança. Desde logo porque este prolongado processo eleitoral começou bem.
Expliquemos:
Por muito que hoje procurem apagar essa memória, nós não só contribuímos de forma clara para a estrondosa derrota do PS nas eleições para o Parlamento Europeu como obtivemos um importantíssimo resultado eleitoral, com o melhor resultado dos últimos 15 anos e a melhor percentagem dos últimos 20 anos. Realidades que nem a «operação sondagem» novamente em marcha e novamente a tentar menorizar a CDU podem pôr em causa.
Mas também porque enfrentamos todas estas tarefas com as energias renovadas pelo extraordinário êxito da Festa do Avante!. De facto, por muito que outros se esforcem, não vão ter iniciativa alguma de campanha com a dimensão, alegria, dinâmica e confiança da nossa Festa. Sabemos bem que, se atentarmos no que foi a cobertura noticiosa das iniciativas da chamada rentreé política dos diversos partidos políticos, facilmente veremos que as tricas entre este ou aquele dirigente, à mesa de jantares com centena e meia de convivas, teve mais espaço do que a Festa. Sabemos, e não nos espantamos, que a riqueza do debate sobre os problemas dos trabalhadores e do povo que na nossa Festa teve lugar não mereceu uma só linha de alguns órgãos da comunicação social dominante. Sabemos que, no domingo, nem um só jornal encontrou matéria para noticiar sobre a Festa. Mas, na verdade, ninguém nos conseguirá tirar o orgulho que sentimos naquele comício, com aquela imensa multidão, a afirmar bem alto, com toda a confiança, que a luta continua!
Mas ainda porque, pela amostra da primeira iniciativa do período oficial de campanha, o magnífico comício junto ao Templo de Diana, em Évora – relativamente ao qual seria necessário recuar até 1979 para encontrar outro de idêntica dimensão naquele local –, e das centenas de iniciativas que um pouco por todo o país se realizaram, sabemos que a campanha da CDU para a Assembleia da República será um grande movimento de massas, com momentos altos no próximo domingo, dia 20, no Porto, no Palácio de Cristal, no dia 24, em Lisboa, no Campo Pequeno, e no dia 25, no comício de encerramento em Braga.
Finalmente porque, como aqui se assinalou em texto anterior, no que às eleições autárquicas diz respeito, tivemos já o nosso primeiro êxito, com a apresentação de listas na generalidade dos municípios do País e no maior número de freguesias desde 1989.
Razões de sobra para enfrentar com confiança estas importantes batalhas políticas. E confiança redobrada em que um bom resultado a 27 de Setembro irá dar-nos novas energias para a batalha seguinte.

Vamos à luta!

Esta é, de facto, uma batalha de todo o colectivo partidário. De cada um dos membros do Partido e da JCP, dos que são candidatos às eleições legislativas e às autárquicas e dos que o não são. A começar já nas eleições legislativas.
Batalha de contacto e esclarecimento, com os amigos, os familiares, os vizinhos, os colegas de trabalho, os camaradas das colectividades, dos sindicatos, das associações em que participamos. Em que cada um de nós se transforma nas televisões que não temos.
Batalha pela exigência de ruptura e de mudança – a que a CDU, e só a CDU, dá corpo nestas eleições –, face a mais de trinta anos de «vira o disco e toca o mesmo», de políticas de direita defendidas com cuidado idêntico por parte do PS e do PSD, com as ajudas sempre prontas do CDS-PP. Ruptura com as opções dos sucessivos governos em favor dos poderosos, dos grandes grupos económicos, da banca e do capital financeiro. Ruptura com a desvalorização do trabalho e de quem trabalha, com a razia nos direitos, com os caminhos da precariedade geral. Ruptura com o rumo contrário ao projecto e aos valores de Abril, nos planos político, económico, social, cultural e ambiental.
Batalha com a convicção de que é possível acrescentar mais um apoio, mais um voto, e de que, apoio a apoio, voto a voto, é possível construir um grande resultado para a CDU.


Mais artigos de: Opinião

Sábado na Festa

Parece tema requentado, mas não é. A Festa é o maior acontecimento político-cultural do nosso país e a maior iniciativa desta campanha eleitoral, de todos os partidos. Posto isto, vamos aos factos. Como os visitantes da Festa sabem, é impossível ver tudo o que a Festa tem para oferecer. Mas faremos um esforço, com o...

E se de repente...

Basta abrir as páginas de qualquer jornal «de referência», para perceber que o tempo da campanha eleitoral é marcado ao mesmo tempo pelas inúmeras obras que, por coincidência, terminam todas a tempo de serem inauguradas antes das eleições, pelas diversas iniciativas e apoios para os mais inusitados problemas que até...

Bater no fundo

O silenciamento a que a imprensa escrita (diários, semanários, revistas) condenou a Festa do Avante!, traz à memória aquele tempo do antigamente, em que uma entidade superior ordenava o que (não) podia e (não) devia ser publicado – ordem a que os diários, semanários e revistas da ordem, todos, obedeciam diligente e...

O imperialismo japonês move-se

O Japão teve eleições. O Partido Liberal Democrático (PLD), o partido histórico do grande capital nipónico, no governo quase ininterruptamente há 54 anos, foi derrotado e o Partido Democrático Japonês (PDJ) nascido nos flancos do PLD alcançou uma espectacular maioria absoluta. Os comentadores de serviço apressaram-se a...

O silêncio

A campanha eleitoral entrou em velocidade de cruzeiro e já se desenhou na generalidade da Comunicação Social um pseudo-conflito entre «os partidos de poder», o PS e o PSD, para consolidar isso mesmo na percepção do eleitorado – que estes serão os únicos «partidos de poder» e, por isso, também os únicos a que se deve...