Bater no fundo

José Casanova
O silenciamento a que a imprensa escrita (diários, semanários, revistas) condenou a Festa do Avante!, traz à memória aquele tempo do antigamente, em que uma entidade superior ordenava o que (não) podia e (não) devia ser publicado – ordem a que os diários, semanários e revistas da ordem, todos, obedeciam diligente e escrupulosamente.
É claro que, hoje, as coisas não funcionam exactamente assim: a tal entidade superior, outrora invisível e intangível, dando ordens lá de cima, de lápis azul em riste, pluralizou-se, desceu e instalou os seus tentáculos gémeos em cada um dos média, encaixou-se na democracia pós-Abril, democratizou-se, enfim...
Assim sendo, os resultados concretos obtidos são, no essencial, os mesmos desse antigamente: a difusão geral de uma opinião única, de uma única versão dos factos, de um pensamento único em relação a tudo o que acontece ou não acontece – e um igual e comum silenciamento em torno de tudo o que, porque não encaixa no esquema estabelecido, não deveria ter acontecido...
Criou-se e impôs-se, assim, um peculiar conceito de «liberdade de informação», em que vale tudo menos informar.
Todavia, esta orientação cerrada e implacável pode ser infringida em circunstâncias especiais. Por exemplo: quando a «infracção» eleva a graus superiores o conceito de «liberdade de informação» estabelecido e entra por caminhos reveladores da essência desse conceito.
É o caso do exercício de pornografia com o qual a revista Tabu, habitual acompanhante semanal do Sol, decidiu romper o silêncio geral em relação à Festa do Avante!...
Fê-lo em duas páginas de «banda desenhada», num vómito expelido por um tal Nuno Saraiva – pessoa que, nas horas vagas, usa colocar a sua «arte» também ao serviço do BE.
Trata-se de uma peça inqualificável – e, por isso mesmo, certamente muito apreciada pela entidade superior de serviço ao Sol e à sua acompanhante Tabu – e que provoca vómitos e outras decorrências próprias de qualquer gripe porcina ou coisa ainda mais porca.
Chama-se àquilo bater no fundo do cadaveroso reino mediático dominante – e, aí, chafurdar na podridão até à satisfação plena dos apetites.


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