A coligação com o Povo
Em vésperas de eleições legislativas, tudo decorre com seria de esperar. O PS, depois de tudo fazer na última legislação no sentido do enfraquecimento do aparelho do Estado, apresenta-se ao eleitorado como defensor do Estado Social. As restantes forças da direita (incluindo o Alto Clero da Igreja) procuram apagar o seu passado essencialmente apostado na privatização e controlo de áreas vitais da sociedade produtiva e do retorno à autoridade tirânica.
Foi assim até aqui. Agora, todos se dizem santamente apaixonados pela justiça social. Até mesmo Cavaco Silva, ainda a exercer o cargo de Chefe do Estado, promulga leis odiosas, como as do Código do Trabalho ou do Código Contributivo da Segurança Social mas declara, simultaneamente, que as mesmas leis «lhe deixam dúvidas», posição contraditória que lhe permite auto absolver-se moralmente a si próprio, como católico devoto que é. Quanto à Igreja, a estratégia a que recorre permite-lhe benzer com uma das mãos a Solidariedade social e a Reconciliação e meter ao bolso, com a outra mão, os vastos lucros obtidos com a presente política anti-social do governo de Sócrates. Untuosamente, fala de si própria; sistematicamente, cala-se sobre o desemprego, os escândalos públicos que também a atingem, a injusta distribuição da riqueza e a mentira como forma de poder.
A igreja «vende» à opinião pública os valores cristãos que ela própria não pratica – solidariedade, perdão, justa intervenção colectiva, amor ao próximo. Com esta mão abençoa. Com a outra, acumula poderio (para além dos lucros materiais) que reforça através da sua participação no mundo do mais que suspeito universo financeiro e empresarial. Se este «bloco virtual de direita» vier a vencer as próximas eleições, poderá dispor de mais uma legislatura para operar à vontade. Mais do que o tempo necessário para esmagar a democracia e o povo português.
A «hora da verdade» não está próxima... já a estamos a viver.
Intriga política e «coligações»
Coligações entre forças políticas ou sociais com interesses e objectivos antagónicos é proposta que nem sequer faz sentido. Seria tentar casar a água com o fogo. Uma verdadeira esquerda, no sentido de uma esquerda com valores radicais, tem sempre esta perspectiva bem presente. A única esquerda possível é a que alia à recusa de qualquer tipo de dogma ou de fundamentalismo, uma ideologia firme e esclarecida e a permanente ligação às massas populares. A «esquerda» não é revelação do sobrenatural mas construção dos homens.
Inversamente, a «direita», para atingir objectivos que nunca confessa (mesmo quando os alcança), mascara-se de «esquerda social» para iludir as massas que ela tão visceralmente despreza. Vemos Sócrates mentir com quantos dentes tem mas, sempre, compondo a máscara da inocência e a pureza do olhar infantil. Manuela Ferreira Leite prefere adoptar a imagem severa da monja inflexível na defesa dos princípios morais, políticos e sociais, da sociedade e da Família. Mas pactua com a banca, como sempre fez e diz pretender combater o desemprego e a pobreza com aumentos dos subsídios fiscais... Quanto ao resto é projecto do PSD (tal como é intenção do PS) construir mais creches, mais lares para idosos, mais hospitais e escolas, para depois entregarem essas redes à Igreja e aos privados. O CDS/PP, de momento, pouco ou nada conta. É «exército de reserva» que faz catequese capitalista entre o mundo empresarial, a Igreja e o Estado.
A nossa «coligação de aço» estabelece-se exclusivamente com o Povo Português e visa a reconstrução do Estado com subordinação do poder económico ao poder político e democrático. Exige o combate ao desemprego através do desenvolvimento económico. Define áreas estratégicas na Saúde, no Ensino, na Indústria e na Agricultura, no Trabalho e Segurança Social e nos planos imediatos onde se gera a pobreza e o sub-desenvolvimento. Estrutura acções concretas e concertadas de desenvolvimento cultural, técnico e científico.
Com o voto popular, tudo será possível. É preciso romper definitivamente com o sistema capitalista do Poder!.. Depois, reconstruir em novas bases.
Foi assim até aqui. Agora, todos se dizem santamente apaixonados pela justiça social. Até mesmo Cavaco Silva, ainda a exercer o cargo de Chefe do Estado, promulga leis odiosas, como as do Código do Trabalho ou do Código Contributivo da Segurança Social mas declara, simultaneamente, que as mesmas leis «lhe deixam dúvidas», posição contraditória que lhe permite auto absolver-se moralmente a si próprio, como católico devoto que é. Quanto à Igreja, a estratégia a que recorre permite-lhe benzer com uma das mãos a Solidariedade social e a Reconciliação e meter ao bolso, com a outra mão, os vastos lucros obtidos com a presente política anti-social do governo de Sócrates. Untuosamente, fala de si própria; sistematicamente, cala-se sobre o desemprego, os escândalos públicos que também a atingem, a injusta distribuição da riqueza e a mentira como forma de poder.
A igreja «vende» à opinião pública os valores cristãos que ela própria não pratica – solidariedade, perdão, justa intervenção colectiva, amor ao próximo. Com esta mão abençoa. Com a outra, acumula poderio (para além dos lucros materiais) que reforça através da sua participação no mundo do mais que suspeito universo financeiro e empresarial. Se este «bloco virtual de direita» vier a vencer as próximas eleições, poderá dispor de mais uma legislatura para operar à vontade. Mais do que o tempo necessário para esmagar a democracia e o povo português.
A «hora da verdade» não está próxima... já a estamos a viver.
Intriga política e «coligações»
Coligações entre forças políticas ou sociais com interesses e objectivos antagónicos é proposta que nem sequer faz sentido. Seria tentar casar a água com o fogo. Uma verdadeira esquerda, no sentido de uma esquerda com valores radicais, tem sempre esta perspectiva bem presente. A única esquerda possível é a que alia à recusa de qualquer tipo de dogma ou de fundamentalismo, uma ideologia firme e esclarecida e a permanente ligação às massas populares. A «esquerda» não é revelação do sobrenatural mas construção dos homens.
Inversamente, a «direita», para atingir objectivos que nunca confessa (mesmo quando os alcança), mascara-se de «esquerda social» para iludir as massas que ela tão visceralmente despreza. Vemos Sócrates mentir com quantos dentes tem mas, sempre, compondo a máscara da inocência e a pureza do olhar infantil. Manuela Ferreira Leite prefere adoptar a imagem severa da monja inflexível na defesa dos princípios morais, políticos e sociais, da sociedade e da Família. Mas pactua com a banca, como sempre fez e diz pretender combater o desemprego e a pobreza com aumentos dos subsídios fiscais... Quanto ao resto é projecto do PSD (tal como é intenção do PS) construir mais creches, mais lares para idosos, mais hospitais e escolas, para depois entregarem essas redes à Igreja e aos privados. O CDS/PP, de momento, pouco ou nada conta. É «exército de reserva» que faz catequese capitalista entre o mundo empresarial, a Igreja e o Estado.
A nossa «coligação de aço» estabelece-se exclusivamente com o Povo Português e visa a reconstrução do Estado com subordinação do poder económico ao poder político e democrático. Exige o combate ao desemprego através do desenvolvimento económico. Define áreas estratégicas na Saúde, no Ensino, na Indústria e na Agricultura, no Trabalho e Segurança Social e nos planos imediatos onde se gera a pobreza e o sub-desenvolvimento. Estrutura acções concretas e concertadas de desenvolvimento cultural, técnico e científico.
Com o voto popular, tudo será possível. É preciso romper definitivamente com o sistema capitalista do Poder!.. Depois, reconstruir em novas bases.