Exposição evocativa da vida e acção de Álvaro Cunhal no Seixal

Contributo para a Liberdade e Democracia

Jerónimo de Sousa, na inauguração da exposição «evocativa da vida e acção de Álvaro Cunhal – contributo para a liberdade e democracia», dinamizada pela Câmara do Seixal, sublinhou que «num momento em que 33 anos de política de direita, destruindo parte grande das conquistas de Abril, conduziram o País ao lamentável estado actual - a leitura e a reflexão em torno da obra de Álvaro Cunhal e a luta à qual ele dedicou toda a sua vida, apresentam-se como necessidade imperiosa». Segue a intervenção na íntegra:

Está em curso uma ope­ração de bran­que­a­mento do fas­cismo

«Gostaria, em primeiro lugar, de felicitar a Câmara Municipal do Seixal por esta excelente “exposição evocativa da vida e acção de Álvaro Cunhal – contributo para a Liberdade e Democracia” - e de agradecer o convite para estar aqui na sua inauguração.
«Sendo objectivo essencial desta exposição destacar um contributo pessoal relevante para que o 25 de Abril e, com ele, a liberdade e a democracia, acontecessem, não poderia haver uma escolha mais apropriada do que a de Álvaro Cunhal.
«Com efeito, e como a exposição nos mostra, o contributo de Álvaro Cunhal para a luta pelo derrubamento do fascismo e pela conquista da democracia e da liberdade, reveste-se de transparente singularidade.
«Basta dizer que ele tinha 17 anos de idade quando iniciou a sua actividade política organizada, ingressando no PCP – e que essa sua adesão ao ideal comunista, não foi apenas a adesão a um ideal libertador e transformador: foi, também, uma opção de vida, concretizada com a entrega total ao Partido e com a entrega total à luta contra o regime fascista, pela democracia, pela liberdade, pela justiça social, pelo socialismo - luta que viria a culminar com o derrubamento do fascismo, em 25 de Abril de 1974, e com o desenvolvimento de um processo revolucionário que conduziria à construção da democracia avançada de Abril consagrada na Constituição da República Portuguesa, aprovada em 2 de Abril de 1976.
«Trata-se de uma intervenção intensa no decorrer da qual Álvaro Cunhal foi submetido a todas as duras provas a que estavam sujeitos os que assumiam frontalmente a oposição ao regime fascista - e que a esses desafios decisivos respondeu sempre com uma coragem e uma dignidade exemplares: foi preso três vezes e sempre submetido a brutais torturas; na última prisão, em 1949, foi mantido incomunicável durante 14 meses e isolado durante oito anos – e perante o tribunal fascista, em Maio de 1950, passou de acusado a acusador, denunciando o carácter e o conteúdo da política salazarista. Ao fim de onze anos de prisão, evadiu-se do Forte de Peniche, juntamente com outros destacados militantes e dirigentes comunistas, e com eles retomou o seu lugar na primeira linha da luta contra o fascismo.
«Desse contributo singular e inestimável de Álvaro Cunhal faz parte, também – e de que maneira! – a sua obra de criação literária e plástica - donde emergem, no primeiro caso, o romance “Até amanhã, camaradas», e no segundo os “Desenhos da Prisão” - e a sua obra política e teórica. Nesta encontramos a abordagem, a análise e a reflexão lúcidas e rigorosas sobre décadas da história do nosso País e do mundo e sobre a luta antifascista e o papel crucial nela desempenhado pelo Partido Comunista Português. Nela encontramos a decisiva análise à situação portuguesa nos anos 60, nos planos económico, social, político e cultural; a caracterização do capitalismo em Portugal e do seu enquadramento internacional; a caracterização de classe da ditadura fascista e a enunciação dos traços essenciais da sua crise geral – e a resposta necessária: o aprofundamento da linha do levantamento nacional para o derrubamento do fascismo, tendo na luta de massas o seu caminho principal e dando a maior relevância à unidade antifascista – e procedendo de forma notável à caracterização da natureza da revolução que haveria de pôr termo ao regime fascista: a Revolução Democrática e Nacional.

Bran­que­a­mento do fas­cismo

«Essa obra proporciona-nos, ainda, a mais desenvolvida e aprofundada análise até hoje feita à Revolução de Abril, às características específicas dos seus avanços impetuosos e das profundas transformações democráticas que conduziram à mais avançada, progressista e moderna democracia alguma vez existente no nosso País – e a subsequente análise à contra-revolução, visando a recuperação capitalista, agrária e imperialista, iniciada com o primeiro governo presidido por Mário Soares. Com o recurso a todos os meios disponíveis – desde os volumosos fundos provenientes das grandes potências capitalistas, até à utilização de práticas terroristas, confessadas pelos próprios terroristas quando os avanços da contra-revolução lhes devolveram a arrogância fascista que o 25 de Abril lhes havia retirado, passando pelas santas alianças construídas ao serviço dos interesses do capitalismo internacional e contra os interesses de Portugal e do povo português.
«E sublinhe-se que esse todo inseparável que é o singular contributo teórico e militante de Álvaro Cunhal, nasceu, cresceu, desenvolveu-se e concretizou-se incorporando sempre a opinião e a experiência do colectivo partidário comunista.
«E num momento em que, como insistentemente temos sublinhado e denunciado, está em curso uma poderosa operação de branqueamento do fascismo – procurando transformar o regime terrorista que durante quase meio século oprimiu e reprimiu o povo português, num regime tolerável e aceitável, e apagando o papel da resistência antifascista; num momento em que 33 anos de política de direita, destruindo parte grande das conquistas de Abril, conduziram o País ao lamentável estado actual - a leitura e a reflexão em torno da obra de Álvaro Cunhal e a luta à qual ele dedicou toda a sua vida, apresentam-se como necessidade imperiosa. Assim o entendemos quando definimos como lema do nosso XVIII Congresso, “Por Abril, pelo Socialismo, um Partido mais forte”.
«Esta exposição assume ainda maior relevância porque surge na altura em que comemoramos o 35.º aniversário dessa data maior da nossa história colectiva que foi o 25 de Abril de 1974, Dia da Liberdade e primeiro e decisivo passo para a construção do tempo novo da Revolução de Abril.
«Uma data e um tempo que constituem referências essenciais para a nossa luta de hoje, da qual os ideais de Abril são importante fonte de força e na qual a consigna “Abril de novo» se impõe como caminho a caminho do futuro.
«“Abril de novo»”: com o seu projecto de liberdade e democracia; de justiça social, desenvolvimento e progresso; de paz e de independência nacional.»

Poder local ho­me­na­geia re­sis­tente an­ti­fas­cista
De­fender e cons­truir Abril

Esta exposição, inaugurada sexta-feira, contou com a presença de Maria Eugénia Cunhal e de uma delegação Central e Regional do PCP. «Álvaro Cunhal, resistente antifascista, deu um contributo inestimável na Revolução dos Cravos, na libertação do povo português, na construção de um País livre e democrático, justo, fraterno e solidário. Cabe a nós continuarmos a defender e construir Abril, na defesa dos direitos, liberdades e garantias dos trabalhadores e do povo português, consignados na Constituição da República Portuguesa», sublinhou, na sessão, Paula Santos, vereadora com o pelouro da Cultura na Câmara do Seixal.
Por seu lado, António Santos, presidente da Junta de Freguesia do Seixal, em representação das juntas de freguesia do concelho, acentuou que Álvaro Cunhal «foi, é e será sempre imprescindível». «Falamos de um homem cujas ideias continuarão sempre presentes na nossa maneira de pensar e actuar», frisou, completando a sua intervenção com um poema de Bertold Brecht: «Há homens que lutam um dia, e são bons; Há outros que lutam um ano, e são melhores; Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons; Porém há os que lutam toda a vida. Estes são os imprescindíveis».
Joaquim Judas, presidente da Assembleia Municipal do Seixal, lembrou que Álvaro Cunhal «soube associar a luta ao esforço, ao sacrifício que a luta exige, mas também à beleza e à alegria que faz os homens diferentes dos outros seres». «Essa alegria, essa beleza, também nos dá confiança, a tal confiança a que ele se referia no 25 de Abril de 1974. É com essa força, com essa confiança na alegria e na luta, que vamos ultrapassar as nossas dificuldades», sublinhou.
Alfredo Monteiro, presidente da Câmara do Seixal, salientou que a exposição de homenagem a Álvaro Cunhal «é um tributo a um homem da nossa história, cujo o percurso e postura de vida nos tem guiado, nos domínios do desenvolvimento do município do Seixal». «Álvaro Cunhal defendeu, com sacrifício pessoal e a dedicação de uma vida inteira, os valores humanistas da liberdade, justiça social, respeito mútuo e dignidade democrática, que ao longo de 35 anos nos nortearam no trabalho de autarcas, na construção de um município que está entre os primeiros no que diz respeito ao desenvolvimento social, educativo e económico», afirmou.


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