A Teoria do Caos

Carlos Gonçalves
«O bater de asas de uma borboleta em Tóquio pode provocar um furacão em Nova Iorque» – foi esta ideia sobre a interactividade dos fenómenos imprevisíveis e caóticos que expressou em 1963 a «Teoria do Caos», de Edward Lorenz, matemático e meteorologista norte-americano. Desde então foram formuladas equações em muitos domínios, nem sempre com sucesso - como no Nobel da Economia de 1997 pela «previsão das aplicações financeiras». Pelos vistos, o sistema do capital só estudou a matemática do «venha a nós».
Também o PS/Sócrates formulou equações diversas para adaptar a Teoria do Caos às suas conveniências – ou o PS continua no governo ou haverá «instabilidade política», a juntar à «instabilidade económica», os «partidos da oposição contribuem para a vida política nacional apenas com maledicência, sem qualquer proposta ou ideia para o país», sem o Governo PS «poderíamos estar na bancarrota, como a Islândia», o PS e as suas políticas são «a única alternativa» ao caos», etc..
Tudo isto é mera propaganda, revelando uma desvergonha que só pede meças ao «alapanço» do PS ao poder e à política de direita, que conduziu a esta desgraçada situação.
Aqui e agora, com 2 milhões de pobres e 200 mil portugueses a passar fome, com milhares de MPMEs, a agricultura familiar e as pescas moribundas, com os défices produtivo, energético e tecnológico, com mais de 10 por cento de desemprego em sentido lato, com cerca de ¼ dos TPCO na precariedade, com muitos milhares de trabalhadores desempregados, espoliados de salários e direitos e em lay off - com o encerramento das respectivas empresas e o desemprego marcado para a semana seguinte às eleições de Outubro -, como é possível mistificar uma dicotomia entre o PS/Sócrates e o caos?
Se este Governo não é o caos então o que é o caos?
Para o PS o caos seria - a EDP, a Galp, a Banca, os Melos e os Amorins ficarem sem os seus milhares de milhões de lucros, ou os executivos da Quimonda, da Yazaki, da PSA, etc., perderem de facto - que não na propaganda cúmplice e interesseira do PS e do BE – o acesso aos off shores, ou talvez, haver respostas de dignidade e igualdade na saúde, na educação, na justiça...
Proponho uma nova equação para o País: derrota do PS e da política de direita, mais reforço do PCP e da CDU, igual ao fim do caos.


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