Solução: expropriar
O Parlamento alemão começou a debater, no dia 6, um invulgar projecto de lei, aprovado pelo governo de Angela Merkel em 18 de Fevereiro, que prevê a expropriação de accionistas de grupos resgatados com fundos públicos.
Embora tenha sido concebida para resolver a situação específica do banco Hypo Real Estate (HRE), a «radical» medida colocou a grande burguesia do País à beira de um ataque de nervos, vendo ali um precedente que a poderá atingir no futuro. E talvez não se engane.
Porém, apesar da agitação dos «círculos empresariais», a verdade é que a expropriação é encarada a título pontual pelo governo para anular a chantagem gananciosa de alguns accionistas. Foi de resto assim que, cautelosamente, o ministro da Finanças, Peer Steinbrück, apresentou o projecto: como uma «solução de última instância», além do mais limitada temporalmente até 30 de Junho.
Em causa está o conflito com o fundo norte-americano JC Flowers, principal accionista do HRE, banco especializado em crédito imobiliário que se encontra à beira da falência e que em breve deverá ser nacionalizado. O problema é que o accionista americano, detentor de 24 por cento do capital, só aceita ceder as suas acções caso o governo as pague ao preço de três euros a unidade, ou seja, cerca de quatro vezes a sua cotação actual.
Apesar da razoabilidade da reacção das autoridades, recusando a chantagem do fundo em defesa do interesse do Estado, a oposição liberal (FDP) veio logo a terreno ironizar, afirmando que «Hugo Chavez aplaudiria este projecto de lei». Também o presidente da confederação patronal, Dieter Hundt, se mostrou «surpreendido» com a ideia, considerando que «não há lugar para tal medida, nem mesmo em última instância». Outro responsável da alta finança, Hanns Ostmeier, alarmado, notou que «a expropriação é uma medida muito severa e muito radical» e confessou-se «incomodado por ver que podem acontecer coisas destas».
Preocupado deve estar também o ex-presidente do Hypo Real Estate, Georg Funke, que alega irregularidades no seu despedimento e exige que o governo lhe pague 3,4 milhões de euros em salários e direitos de aposentação, insistindo que o seu contrato é vigente até 2013. Será que alguém se lembrará de incluir uma alínea no projecto de lei para resolver também o seu caso?
CN
Embora tenha sido concebida para resolver a situação específica do banco Hypo Real Estate (HRE), a «radical» medida colocou a grande burguesia do País à beira de um ataque de nervos, vendo ali um precedente que a poderá atingir no futuro. E talvez não se engane.
Porém, apesar da agitação dos «círculos empresariais», a verdade é que a expropriação é encarada a título pontual pelo governo para anular a chantagem gananciosa de alguns accionistas. Foi de resto assim que, cautelosamente, o ministro da Finanças, Peer Steinbrück, apresentou o projecto: como uma «solução de última instância», além do mais limitada temporalmente até 30 de Junho.
Em causa está o conflito com o fundo norte-americano JC Flowers, principal accionista do HRE, banco especializado em crédito imobiliário que se encontra à beira da falência e que em breve deverá ser nacionalizado. O problema é que o accionista americano, detentor de 24 por cento do capital, só aceita ceder as suas acções caso o governo as pague ao preço de três euros a unidade, ou seja, cerca de quatro vezes a sua cotação actual.
Apesar da razoabilidade da reacção das autoridades, recusando a chantagem do fundo em defesa do interesse do Estado, a oposição liberal (FDP) veio logo a terreno ironizar, afirmando que «Hugo Chavez aplaudiria este projecto de lei». Também o presidente da confederação patronal, Dieter Hundt, se mostrou «surpreendido» com a ideia, considerando que «não há lugar para tal medida, nem mesmo em última instância». Outro responsável da alta finança, Hanns Ostmeier, alarmado, notou que «a expropriação é uma medida muito severa e muito radical» e confessou-se «incomodado por ver que podem acontecer coisas destas».
Preocupado deve estar também o ex-presidente do Hypo Real Estate, Georg Funke, que alega irregularidades no seu despedimento e exige que o governo lhe pague 3,4 milhões de euros em salários e direitos de aposentação, insistindo que o seu contrato é vigente até 2013. Será que alguém se lembrará de incluir uma alínea no projecto de lei para resolver também o seu caso?
CN