Após 22 dias de guerra

Gaza destruída

Apesar de decretado o cessar-fogo, a ofensiva israelita continua a fazer vítimas na Faixa de Gaza. O território encontra-se destruído por 22 dias de ataques e os palestinianos enfrentam todo o tipo de carências.

A maioria das vítimas são civis

Os combates cessaram em Gaza e as tropas israelitas prosseguem a retirada parcial da Faixa, mas, terça-feira, a guerra movida contra os palestinianos ainda provocou vítimas. Um agricultor foi abatido a tiro pelo exército e duas crianças morreram na sequência da explosão de uma bomba não detonada.
Estes acontecimentos ocorreram no mesmo dia em que o secretário-geral da Nações Unidas, Ban Ki-moon, visitou o território, e três dias depois de Telavive ter interrompido a ofensiva, iniciativa à qual responderam várias facções da resistência palestiniana, incluindo o Hamas, com uma trégua à condição. Isto é, exigem que Israel retire o seu dispositivo militar, abra todas as passagens fronteiriças e permita a entrada de ajuda humanitária.
Em Gaza, Ki-moon exigiu que os responsáveis israelitas pelos bombardeamentos contra instalações da ONU – um armazém destruído no dia 15 com toneladas de alimentos e medicamentos, uma caravana humanitária bombardeada e uma escola em Jabaliya igualmente arrasada com um saldo de mais de 40 mortos – prestem contas perante a justiça, mas de Telavive não se ouviu resposta e a «comunidade internacional» parece ter ficado muda perante o repto.
Os jornalistas continuam impedidos de entrar no território. Cadeias sul-americanas acusam Israel de escolher a dedo os repórteres autorizados, a maioria dos afortunados, dizem, trabalham para grandes meios de comunicação dos EUA e da Grã-Bretanha. Certamente pretendem abafar os relatos dos crimes cometidos, como o uso de bombas de fósforo contra civis. Crimes «de guerra», qualificou a Amnistia Internacional, e «contra a humanidade», classificou o relator da ONU para os direitos humanos nos territórios palestinianos, Richard Falk.

Tragédia humanitária

No terreno, o cenário é de devastação, testemunham as informações que furam a espessa barreira de silêncio mediático. O dinheiro prometido pelo 22 países membros da Liga Árabe poderia dar uma ajuda, casos estes tivessem chegado a acordo sobre a criação de um fundo para a reconstrução. Até ver, apenas a entrada de 134 camiões com auxílio humanitário, 60 mil litros de combustível e 10 ambulâncias parece garantida.
Para lá das promessas, alguns números estimados pela ONU ilustram uma realidade cruel e esmagadora. Quatro mil casas destruídas e outras 17 mil parcialmente atingidas. Mais de 51 mil palestinianos sem tecto e 400 mil sem acesso a água potável. Mais de cinco mil feridos. Um número superior a 1300 mortos, a esmagadora maioria civis, entre as quais mais de 400 crianças e mais de uma centena de mulheres, embora o balanço seja provisório dada a probabilidade da existência de muitos cadáveres sobre os escombros.
Tudo isto num território de 362 Km2, ou seja, do tamanho de inúmeros municípios portugueses, ou de outros países da Europa, para que se fique com uma imagem aproximada, ainda que pálida.
É por isso revoltante que o Parlamento Europeu tenha aprovado, a semana passada, uma resolução «contendo aspectos negativos sobre a gravíssima situação em Gaza», expressou o eurodeputado Pedro Guerreiro na declaração de voto a respeito daquele texto.
«Perante a brutal agressão, os crimes, as violações dos mais elementares direitos humanos, o PE não tem uma palavra de condenação de Israel», disse ainda o deputado comunista. Pelo contrário, «reafirma a sua ambiguidade, escamoteando que na Palestina há um colonizador e um colonizado, um agressor e uma vítima», «branqueia as responsabilidades da UE, que é cúmplice com a impunidade de Israel» e «não denuncia o desrespeito pelas resoluções da ONU por parte de Israel, o fim da ocupação, dos colonatos, do muro de segregação, dos assassinatos, das detenções, das inúmeras humilhações infligidas ao povo palestiniano», acrescentou.


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