As epidemias

João Frazão
Nesta altura do ano é normal que aumentem os casos de constipações, gripes e infecções respiratórias. E, embora não seja compreensível, já vem sendo também normal que isso resulte em entupimentos nos serviços de urgência dos hospitais portugueses, tendo mesmo obrigado, desta vez, a adiar cirurgias, pois os médicos foram necessários noutros serviços.
Nesta matéria, este final do ano é, assim, uma síntese das consequências da política de destruição do Serviço Nacional de Saúde.
Ou seja, no final do ano em que o Governo PS encerrou inúmeros serviços de urgência, apesar da forte resposta de massas das populações, basta uma constipação do País para que fiquem à evidência as fragilidades do sistema, dando razão ao que dissemos, ao longo do ano. Que os serviços encerrados eram, de facto, urgências para atendimento de situações agudas; que o seu encerramento iria provocar grandes congestionamentos nos serviços que se mantiveram abertos; que isso, do ponto de vista da organização dos serviços, era um erro e iria criar novas dificuldades; beneficiando apenas os privados, que crescem como cogumelos.
Resta dizer que esta situação nem será extraordinária. Que talvez nem se possa falar ainda em epidemia. A verdade é que uma maior afluência previsível nesta época, está canalizada para os poucos serviços que ficaram abertos. A verdade é que até o Governo o reconhece, pois vem, à pressa, apelar à classe médica e anunciar alargamento de horários, que ele próprio tinha antes encurtado. A verdade é que o Governo do PS vem cortando nos meios deste sector, com o objectivo de poupar uns cobres que, mais tarde ou mais cedo, irá entregar à banca para lhes acudir em hora de aflição.
Essa é a verdadeira epidemia de que o País padece.


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