Massacre na Palestina

Israel arrasa Faixa de Gaza

O governo israelita desencadeia desde sábado a mais violenta operação militar dos últimos 40 anos contra o povo palestiniano. Os bombardeamentos provocaram centenas de vítimas em Gaza e merecem o repúdio de milhares em todo o mundo.

Aos bom­bar­de­a­mentos pode juntar-se uma in­vasão ter­restre

Segundo informações confirmadas pelas Nações Unidas, os ataques ininterruptos do exército israelita já fizeram mais de 300 mortos e cerca de 1400 feridos. Telavive argumenta que a maioria das vítimas são militantes do Hamas, procurando, desta forma, esbater o carácter genocida da campanha. Os relatos indicam que entre os mortos está um número indeterminado de civis palestinianos.
A operação desencadeada sábado não dá sinais de abrandar e Israel promete, através do chefe-adjunto do Estado-Maior, general Dan Harel, citado segunda-feira pela imprensa israelita, que «nenhum edifício do Hamas ficará de pé.
Às palavras de Harel juntam-se as proferidas dias antes pelo ministro da Defesa do país, Ehud Barak, para quem esta é «uma guerra sem tréguas». «Israel irá expandir e aprofundar as suas operações na medida do necessário», investida que, advertiu ainda, «não será de curta duração e não será fácil».
As declarações do titular da Defesa indicam que aos bombardeamentos pode juntar-se uma invasão terrestre. Tal cenário não foi ainda desmentido, tanto mais que Israel decretou parte da zona de fronteira com a Faixa de Gaza «zona militar encerrada», concentrou um grande número de tanques na região e mobilizou 6500 reservistas.

Es­tado de ca­la­mi­dade

Se o bloqueio imposto à Faixa de Gaza por Israel desde Junho de 2007 deixou os cerca de 1 milhão e 500 mil habitantes do território em situação de carência extrema, o ataque dos últimos dias provocou o estado de calamidade.
Neste contexto, o Comité Internacional da Cruz Vermelha apelou a Telavive para que permitida a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, sobretudo equipas e material médico para ajudar as centenas de feridos causados pela ofensiva militar. A resposta tarda.
Os hospitais, que já antes da agressão enfrentavam graves restrições e uma ruptura permanente nos stocks, encontram-se sobrelotados e não têm qualquer capacidade de resposta, diz a Cruz Vermelha.
Sábado, o Egipto abriu o posto fronteiriço de Rafah com o objectivo de receber os feridos resultantes da ofensiva israelita. Horas depois, o terminal foi encerrado depois de um polícia ter sido morto, alegadamente por disparos provenientes do lado palestiniano.
O Egipto mantém a passagem encerrada e advertiu que só casos excepcionais serão acolhidos. O executivo liderado por Hosni Mubarak acusa o Hamas de impedir a assistência aos palestinianos, mas o movimento pede que o posto de Rafah seja aberto permitindo à população escapar aos impiedosos bombardeamentos.
Desde sábado já entraram no Egipto ilegalmente cerca de meio milhar de palestinianos que fogem ao assalto israelita refugiando-se no deserto do Sinai. Centenas juntam-se desesperados na fronteira, e nem os tiros da polícia egípcia demovem os populares encurralados entre os raides de Israel e as portas fechadas pelo governo do Cairo.

De­cla­ra­ções sem efeito

Entretanto, o Hamas, através do seu líder no exílio, Khaled Mechaal, reagiu ao massacre na Faixa de Gaza apelando aos palestinianos para que desencadeiem uma nova Intifada contra Israel.
Já o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmoud Abbas, pediu ao movimento que governa Gaza que «evite o derramamento de sangue», considerando que cabe ao Hamas «retirar todos os pretextos usados por Israel» nesta campanha. Antes, Abbas havia apelado à «comunidade internacional» para que pressione Israel e ponha cobro ao massacre, mas a «comunidade» parece ignorar o repto.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, manifestou-se profundamente preocupado com a escalada de violência em Gaza», qualificando a acção de «inaceitável». Equiparando a débil resposta palestiniana com a moderna máquina de guerra israelita, Ki-moon exortou as partes a interromperem a violência e a declararem um cessar-fogo. Posição semelhante assumiram potências como o Japão ou a UE. Hoje, reúnem em Paris os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.
A Alemanha, por sua vez, juntou-se aos EUA culpabilizando o Hamas pelos acontecimentos. A administração norte-americana disse mesmo compreender a iniciativa israelita classificando-a de «acção defensiva».

Re­púdio global

Contra o genocídio que Israel promove na Faixa de Gaza, centenas de milhares de pessoas manifestam-se em todo o mundo exigindo o fim imediato dos bombardeamentos e solidarizando-se com o povo palestiniano.
Protestos ocorrem desde sábado em Ca­racas, Bei­rute, Paris, Co­pe­nhaga, Es­to­colmo, Lon­dres, Hel­sín­quia, Ma­drid, em Is­tambul e outras cidades da Turquia, na Jor­dânia, Síria, Líbia, Pa­quistão, Ban­gla­desh, Te­erão, no Dubai, em Bagdad, Mossul e várias cidades iraquianas, no Cairo, ou em San­tiago do Chile. Nos EUA, um protesto junto à sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, exigiu o fim do massacre.
Em Portugal, a CGTP-IN e o CPPC emitiram comunicados condenando o massacre na Faixa de Gaza. A central sindical sublinha que nada pode justificar este crime de guerra e apela ao reforço da solidariedade para com o heróico povo palestiniano.
No mesmo tom, o CPPC considera os ataques «um exemplo particularmente cruel da política de terrorismo de Estado que Israel pratica há várias décadas contra o povo da palestina e o seu direito a constituir-se em Estado soberano», e «alerta para as consequências que estes ataques poderão ter na já muito tensa situação no Médio Oriente».


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