Nas empresas de Leiria

Uma voz que se faz ouvir

Gustavo Carneiro
No distrito de Leiria, os comunistas tomaram medidas concretas para reforçar a organização e a intervenção do Partido junto da classe operária e dos trabalhadores. Hoje, o PCP é presença constante nas empresas e locais de trabalho da região e a sua voz é ouvida e tida em conta nos duros conflitos de classe que diariamente se travam.

A or­ga­ni­zação é um ins­tru­mento fun­da­mental para de­fender di­reitos

Que é possível um PCP mais forte, os quatro anos que mediaram o XVII e o XVIII congressos do Partido encarregaram-se de o demonstrar. O balanço feito revela um Partido maior e mais dinâmico; com mais militantes e com mais organismos a funcionar e a tomar posição mais regular sobre os problemas concretos sentidos pelos trabalhadores e pelas populações.
Entre as orientações assumidas, uma merece um realce especial – o reforço da organização e intervenção do Partido junto da classe operária e dos trabalhadores. Porque é lá, nas empresas e locais de trabalho, que se dá a exploração, que se forja a consciência de classe, que se trava de forma mais aguda a luta de classes. É lá que mais cabalmente se cumpre o papel de vanguarda do Partido.
No distrito de Leiria, a Direcção da Organização Regional do PCP tomou medidas para aumentar a presença do Partido junto dos trabalhadores. Actualmente, os comunistas surgem frequentemente nos conflitos laborais que se sucedem nas empresas da região. Tomando posição, manifestando solidariedade, mobilizando para a resistência, cimentando a unidade.
Esta acção é dinamizada pela Comissão Distrital de Leiria do PCP para as Empresas e Locais de Trabalho, que agrupa as diferentes células e sectores profissionais do distrito, em coordenação com as várias comissões concelhias.

Passo a passo

Ao Avante!, Filipe Rodrigues, responsável pela Comissão, e eleito para o Comité Central no XVIII Congresso, contou que o primeiro passo foi dado em 2006, ano consagrado ao reforço do Partido: «Começámos por retirar do ficheiro de cada concelho os camaradas que trabalhavam por conta de outrem.» Desta forma, surgiram dezenas de militantes do Partido que trabalhavam em algumas das principais empresas do distrito que se encontravam desligados da actividade partidária regular ou intervinham activamente em organizações locais.
Depois, prosseguiu Filipe Rodrigues, «vimos, em função disso, onde podíamos criar células ou, caso não fosse possível, sectores de empresas nos vários concelhos». Hoje, existem células nos Estaleiros Navais de Peniche; na SPAL e na Atlantis, em Alcobaça; no Centro de Segurança Social e no Hospital de Santo André, em Leiria; e nas câmaras municipais da Marinha Grande e do Bombarral.
Agrupando os militantes de várias empresas, estão criados os sectores conserveiro e da administração pública, em Peniche; cerâmico, nas Caldas da Rainha; vidreiro e metalúrgico, na Marinha Grande. Os professores da zona Norte do distrito têm o seu organismo específico e, ao nível regional, funciona o sector das médias e grandes superfícies comerciais.
Valorizando os passos entretanto alcançados, Filipe Rodrigues reconhece que «este trabalho precisa de ser consolidado, criando organização onde ainda não existe e reforçando a existente». Porque a organização, reafirmou, é um «instrumento fundamental para os trabalhadores poderem alcançar os seus objectivos imediatos e a longo prazo».

Co­nhecer e in­tervir

Este virar de agulha na intervenção partidária para as empresas e locais de trabalho resultou num maior conhecimento das situações concretas que se vivem nas várias empresas, salientou Filipe Rodrigues. Segundo Vítor Conceição, membro da Comissão Distrital de Empresas, há milhares de trabalhadores a viver dias dramáticos: Os salários em atraso regressaram; a precariedade alastra; o desemprego não pára de aumentar; os encerramentos de empresas sucedem-se; a exploração intensifica-se.
Para o membro do Comité Central, o conhecimento adquirido tem permitido ao PCP tomar regularmente posições sobre problemas concretos das empresas e sectores. E obrigou a «redobrar esforços» na produção de meios e instrumentos para fazer chegar as posições do Partido aos trabalhadores, como boletins e comunicados. Os documentos nacionais do Partido e o boletim O Tra­balho, editado pela Comissão Distrital de Empresas, chegam também com frequência aos trabalhadores. Nos últimos meses, em várias iniciativas, o Partido contactou perto de 10 mil trabalhadores em todo o distrito, valorizou Vítor Conceição.
Esta presença regular do Partido, constatou este militante, levou a que se verifique uma crescente aproximação de muitos trabalhadores ao PCP. Inclusive nas regiões mais conservadoras do distrito, onde nos anos da Revolução os comunistas sofriam ameaças e eram alvo de perseguições.
Na Mat-Ce­râ­mica, na Batalha, um grupo de militantes comunistas deparou-se com um curiosa recepção por parte de uma trabalhadora, quando abordada para receber um folheto: «só recebo se for do PCP.» Na Por­ce­lanas Bon­vida, também na Batalha, onde os trabalhadores estão com subsídios em atraso, «pedem-nos para não deixarmos de lá ir», relatou Vítor Conceição. Que conclui: «Já nos vêem como uma força que lhes faz falta.»
Como consequência desta intensa actividade, muitos trabalhadores aderiram ao Partido, reforçando as células existentes e permitindo a criação de novos organismos, e foi possível aumentar a venda do Avante! nos locais de trabalho. Mas, alertou Filipe Rodrigues, «se não insistirmos, muito facilmente cai o regular funcionamento dos colectivos, perde-se o trabalho inicial e o contacto com os militantes. Que depois é muito difícil de retomar».


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