O Tripaliu está de volta?
Ao longo dos séculos, vários termos utilizados para designar o trabalho significaram dor, sofrimento, esforço, castigo, humilhação, dependência, exploração. O lavoro italiano ou o labour inglês provêm do latim labor, isto é, sofrimento, esforço, dor, fadiga, desventura... O ouvrier francês e operário em português derivam do latim operarius, homem com pena. O português trabalho e o francês travail têm também a sua origem latina no tripaliu, instrumento de tortura formado por três paus ferrados ...
Longe desses sinónimos arrepiantes, é útil, até necessário, recordá-los e segui-los através da sua evolução histórica – com recuos periódicos, mas com avanços cada vez mais tenazes – para compreender e valorizar o alcance da conquista actualmente celebrada em todo o mundo.
Nunca no entanto, desde o fim da segunda guerra mundial, a conquista do trabalho com direitos, arrancada contra-corrente, foi tão mal tratada e esteve tão ameaçada.
No nosso país de conquistas tiradas a ferros, é um poder respaldado na subserviência aos grandes interesses supranacionais que quer esvaziar até ao âmago o conteúdo dos direitos de Abril, entre os quais o direito ao trabalho.
O Governo actual confunde-se hoje perigosamente com o conjunto das várias vertentes que integram o poder instituído – provocando ou mesmo forçando o afastamento da participação popular, reduzida à figura recuada e discreta de um eleitorado, tanto mais útil quanto de docilidade conformada e passiva.
Embora com investidas duríssimas, um temor prudente da resistência popular leva-o no entanto a formas sofisticadas de actuação, com crescente recurso à manipulação demagógica e invocação constante de um vocabulário democrático. Mas a máscara de Tartufo cai e o nariz de Pinóquio cresce quando se vê confrontado com a eminente (e talvez também iminente) perda de benefícios dos seus cidadãos dilectos: os grandes patrões, os senhores do dinheiro. Aí, apressa-se com desenvoltura a invocar o tão saqueado interesse nacional, pondo em rápido movimento (com socorrismo expedito de homologação presidencial) o recurso de bóias salva-vidas saídas por inteiro do seu fundo permanente de reserva: a algibeira popular.
Em muralha de hipocrisia governamental há uma fenda que se alarga dia a dia, em cada gesto desta coisa pública com maioria absoluta: a mesquinhez de postura, a ausência de estatura, a falta evidente de sentido de Estado.
Longe desses sinónimos arrepiantes, é útil, até necessário, recordá-los e segui-los através da sua evolução histórica – com recuos periódicos, mas com avanços cada vez mais tenazes – para compreender e valorizar o alcance da conquista actualmente celebrada em todo o mundo.
Nunca no entanto, desde o fim da segunda guerra mundial, a conquista do trabalho com direitos, arrancada contra-corrente, foi tão mal tratada e esteve tão ameaçada.
No nosso país de conquistas tiradas a ferros, é um poder respaldado na subserviência aos grandes interesses supranacionais que quer esvaziar até ao âmago o conteúdo dos direitos de Abril, entre os quais o direito ao trabalho.
O Governo actual confunde-se hoje perigosamente com o conjunto das várias vertentes que integram o poder instituído – provocando ou mesmo forçando o afastamento da participação popular, reduzida à figura recuada e discreta de um eleitorado, tanto mais útil quanto de docilidade conformada e passiva.
Embora com investidas duríssimas, um temor prudente da resistência popular leva-o no entanto a formas sofisticadas de actuação, com crescente recurso à manipulação demagógica e invocação constante de um vocabulário democrático. Mas a máscara de Tartufo cai e o nariz de Pinóquio cresce quando se vê confrontado com a eminente (e talvez também iminente) perda de benefícios dos seus cidadãos dilectos: os grandes patrões, os senhores do dinheiro. Aí, apressa-se com desenvoltura a invocar o tão saqueado interesse nacional, pondo em rápido movimento (com socorrismo expedito de homologação presidencial) o recurso de bóias salva-vidas saídas por inteiro do seu fundo permanente de reserva: a algibeira popular.
Em muralha de hipocrisia governamental há uma fenda que se alarga dia a dia, em cada gesto desta coisa pública com maioria absoluta: a mesquinhez de postura, a ausência de estatura, a falta evidente de sentido de Estado.