Aprovadas alterações ao Código do Trabalho

PS escreve página negra

Depois de ter inviabilizado todas as propostas de alteração apresentadas no decurso do debate na especialidade pelos partidos das oposição (com destaque para o PCP que foi autor de quase duas centenas), a maioria PS aprovou, faz amanhã oito dias, isolada, o texto final da revisão do Código do Trabalho.
Como salientou o deputado Jorge Machado, falando em nome da bancada comunista, o PS escreveu com esta alteração para pior ao actual Código «uma das mais negras páginas da legislação laboral do nosso País».
O caminho aberto com a nova legislação, na perspectiva da bancada do PCP, é o da acentuação da precariedade, da exploração e do trabalho com poucos direitos. Por isso os comunistas apresentaram 13 propostas de avocação sobre questões centrais do Código com o intuito de travar esse rumo.
A defesa do princípio do tratamento mais favorável foi uma dessas propostas da autoria dos deputados comunistas, que, a propósito, recuperaram o texto entregue pelo PS em 2003, altura em que, na oposição, teceu duras críticas ao actual Código, prometendo corrigir as suas malfeitorias.
Esquecendo tudo o que disse, cedendo aos desejos do patronato e conseguindo ir mais longe que o PSD e o CDS, o PS não só manteve como agravou um núcleo alargado de medidas que representam graves retrocessos no plano da legislação laboral.
É o caso, por exemplo, da precariedade que, ao contrário do que o Governo afirma, conhecerá um novo agravamento com o alargar do período experimental para seis meses, período durante o qual o patrão pode despedir livremente.
«Com esta proposta, o PS transforma a precariedade ilegal em legal», acusou Jorge Machado, que criticou, por outro lado, o novo tipo de contrato de trabalho (intermitente) que apenas garante trabalho a tempo inteiro durante quatro meses, disposição que no entender da formação comunista é violador da Constituição e por isso foi objecto de proposta com vista à sua eliminação.

Jornadas de escravidão

Vista igualmente pelo PCP como cedência ao patronato é a questão dos horários de trabalho, designadamente o conjunto de mecanismos (adaptabilidade, horários concentrados, banco de horas) que desregulamentam os horários de trabalho, permitindo jornadas de trabalho até 12 horas por dia e 60 horas por semana.
Sobre o despedimento, para Jorge Machado, não há dúvidas que a alteração do PS torna-o «mais fácil, mais barato e mais rápido», sendo inaceitável a redução de um ano para 60 dias do prazo que o trabalhador dispõe para o impugnar.
Alvos das mais duras críticas da bancada comunista foram ainda as alterações que visam reduzir direitos sindicais, bem como, noutro plano, o ataque à contratação colectiva através da criação de um mecanismo de acelerada caducidade. Daí a proposta comunista no sentido de garantir que o contrato colectivo de trabalho apenas caduca quando substituído por outro e sempre com normas mais favoráveis para os trabalhadores.


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