Amor a Cuba
Há, naquele povo, uma enorme dignidade que nos faz voltar ao princípio do mundo e das revoluções. Há José Marti e há Fidel. Há Che Guevara e há Raul. Mas há mais. Em cada rosto, nas ruas e cidades, descobrimos a essência da vida, a ética que nos obriga a ser humanos para sempre.
Têm sofrido muito. Os furacões que devastam o país são fenómenos naturais, violentos; arrasam casas, lugares, cidades, agricultura e fábricas; a organização revolucionária, em todos os sentidos, preserva vidas, acautela bens e áreas essenciais, resiste e luta de frente, com um sentido enorme de sofrimento e de heroicidade humana. Aqui, estamos no campo da capacidade de cada homem, de cada mulher, em enfrentar os elementos adversos. De cada acontecimento, saem mais fortes, mais unidos na proximidade de vizinhos e de combatentes contra as catástrofes em que aquela região do mundo é fértil.
Mas há outras catástrofes, furacões, cercos e crimes. Fala-se de bloqueio e quase parece um lugar-comum. Desde a Revolução, há 50 anos, desde que Cuba deixou de ser um paraíso para a «máfia», para os jogadores dos casinos, para os bêbados, para a exploração da prostituição, e, sobretudo, desde que Cuba deixou de ser um lugar à mercê das políticas imperiais dos Estados Unidos da América, o país e o povo passaram a ser vítimas diárias, hora após hora, de algo que não se pode descrever, porque há sempre qualquer coisa que não será possível transmitir na sua poderosa indignidade humana.
Proibir a venda de medicamentos e de equipamentos essenciais à saúde das crianças cubanas; impedir que empresas de outros países se relacionem com Cuba; cercar e destruir qualquer troca e cumprimento de obrigações já assumidas; «instruir» cadeias de hotéis norte-americanas (Ritz, Carlton, Hilton e Marriot) para cancelarem contratos com músicos cubanos; afectar cerca de 30 países, entre 2006 e 2007, nas relações em Cuba, por disposições extraterritoriais da política de bloqueio norte-americana; impedir cidadãos americanos de viajarem para Cuba, para férias ou para participarem, como artistas, escritores, cientistas em iniciativas culturais e outras; proibir a ida de intelectuais cubanos aos EUA; multar a Aliança de Igrejas Baptistas americana, por exemplo, alegando que alguns dos seus seguidores fizeram turismo durante visitas com fins religiosos a Cuba; proibir companhias norte-americanas de fornecer serviços de Internet a Cuba; provocar perdas, no bloqueio económico, comercial e financeiro, de 228 mil milhões de dólares, ao valor actual desta moeda, impedindo o desenvolvimento económico e social que Cuba poderia ter alcançado ao longo dos anos; ignorar as muitas resoluções adoptadas pela Assembleia Geral das Nações Unidas pedindo o levantamento do bloqueio contra Cuba; fazer uma guerra sem quartel, através do Departamento do Tesouro norte-americano, a instituições financeiras e bancárias de outros países, para impedi-las de terem relações com Cuba; e poderiam suceder-se exemplos concretos de aplicação de «regulações» do bloqueio ao Netherlands Caribbean Bank, das Antilhas Holandesas, incluindo o congelamento de contas nos Estados Unidos e a proibição de qualquer transacção de cidadãos e entidades norte-americanas com este banco; multar a empresa britânica PSL Energy Services em 164 000 dólares por exportar para Cuba equipas e serviços para a indústria do petróleo; não autorizar a companhia alemã BASF de vender um herbicida a Cuba, nem desde a Alemanha nem através de qualquer sucursal na América Latina, por o ingrediente activo ser de origem norte-americana; suspender as operações do cruzeiro Holiday Dream, da companhia de cruzeiros espanhola Pullmantur, em Cuba, depois de ter sido adquirida pela Royal Caribbean, que é norte americana…
Tudo isto e muito mais
Face a estes e a muitos mais exemplos que encheriam páginas e páginas, que podemos dizer? Que o nazismo foi o que foi, nos campos de concentração, nos assassínios em massa, na própria Alemanha, nas invasões da União Soviética e de tantos países da Europa; que o fascismo em Itália, em Espanha, em Portugal, proibiu, perseguiu, matou; que, em muitos pontos do globo, há guerras, há morte, há fome, muita fome; mas este cerco, estes mil cercos todos os dias, o que são? Nazismo, fascismo, o inominável horror dos governos norte-americanos, as operações cirúrgicas de perseguir e de matar pelas bombas, pelos atentados terroristas, pela proibição de aceder ao desenvolvimento das relações entre países livres e capazes de lançarem projectos de vida essenciais à grande caminhada da humanidade para o futuro.
Tudo isto e muito mais. Pensemos que estamos em nossa casa e não podemos sair, ou não podemos receber amigos, irmãos, familiares que vivem num país ali ao lado, que nem sequer podem enviar dinheiro ao pai, à mãe, a quem quer que seja que poderiam ajudar. Pensar que não podemos comprar materiais para reconstruir as casas destruídas pelos furacões; pensar que eles, os governos norte-americanos, gastam centenas e centenas de milhões de dólares para financiarem bandidos, assassinos, invasões das nossas casas e do nosso país; ano após ano, dia após dia, isso acontece contra Cuba e já nos parece banal, no imenso crime que é cometido como quem bebe um copo de água ou se senta à mesa para jantar.
Mas não podemos admitir a barbaridade como o habitual, o gesto que já nem se vê, o cerco da nossa insensibilidade, o traço do destino feito com crueldade banal; temos de sentir, de ter ética, de resistir e de lutar. E, por isso, o povo português acorre a ajudar Cuba quando os furacões a atacam e devastam, como acorre e é solidário contra o crime e o bloqueio dos EUA, como está aí, nas iniciativas pela liberdade dos cinco cubanos que são patriotas e pagam, por serem dignos e lutadores, anos e anos de prisão nos Estados Unidos da América.
Os criminosos que mataram e incendiaram no Vietname; os governos que ordenaram as invasões de países e que sustentam guerras no Iraque, no Afeganistão, em qualquer lado do mundo em impõem interesses imperiais, ocupações e conquistas de matérias-primas; governantes que cercam e eliminam governos democráticos de outros países e favorecem o crime, a produção e tráfico de droga, entre outros factos e evidências indesmentíveis, o que são?
Olhemos com muita admiração e amor para Cuba e para o povo cubano e saibamos ser dignos de nós próprios, no apoio, na solidariedade e na indignação que nos torna mais justos e humanos. Lá onde pudermos estar, na iniciativa de protesto, nos actos de solidariedade, nesse ombro com ombro da dignidade, da ética, da justiça e da paixão pela transformação do mundo, aí estaremos ao lado de Cuba e do povo cubano, e assim ficamos melhores connosco, na grandeza infinda que é o maior gesto de estarmos vivos e de reescrevermos a palavra solidariedade e o amor indestrutível por Cuba, pelo seu povo e pela revolução cubana.
Até sempre. Até sempre, cidadãos e camaradas de Cuba.
Mas há outras catástrofes, furacões, cercos e crimes. Fala-se de bloqueio e quase parece um lugar-comum. Desde a Revolução, há 50 anos, desde que Cuba deixou de ser um paraíso para a «máfia», para os jogadores dos casinos, para os bêbados, para a exploração da prostituição, e, sobretudo, desde que Cuba deixou de ser um lugar à mercê das políticas imperiais dos Estados Unidos da América, o país e o povo passaram a ser vítimas diárias, hora após hora, de algo que não se pode descrever, porque há sempre qualquer coisa que não será possível transmitir na sua poderosa indignidade humana.
Proibir a venda de medicamentos e de equipamentos essenciais à saúde das crianças cubanas; impedir que empresas de outros países se relacionem com Cuba; cercar e destruir qualquer troca e cumprimento de obrigações já assumidas; «instruir» cadeias de hotéis norte-americanas (Ritz, Carlton, Hilton e Marriot) para cancelarem contratos com músicos cubanos; afectar cerca de 30 países, entre 2006 e 2007, nas relações em Cuba, por disposições extraterritoriais da política de bloqueio norte-americana; impedir cidadãos americanos de viajarem para Cuba, para férias ou para participarem, como artistas, escritores, cientistas em iniciativas culturais e outras; proibir a ida de intelectuais cubanos aos EUA; multar a Aliança de Igrejas Baptistas americana, por exemplo, alegando que alguns dos seus seguidores fizeram turismo durante visitas com fins religiosos a Cuba; proibir companhias norte-americanas de fornecer serviços de Internet a Cuba; provocar perdas, no bloqueio económico, comercial e financeiro, de 228 mil milhões de dólares, ao valor actual desta moeda, impedindo o desenvolvimento económico e social que Cuba poderia ter alcançado ao longo dos anos; ignorar as muitas resoluções adoptadas pela Assembleia Geral das Nações Unidas pedindo o levantamento do bloqueio contra Cuba; fazer uma guerra sem quartel, através do Departamento do Tesouro norte-americano, a instituições financeiras e bancárias de outros países, para impedi-las de terem relações com Cuba; e poderiam suceder-se exemplos concretos de aplicação de «regulações» do bloqueio ao Netherlands Caribbean Bank, das Antilhas Holandesas, incluindo o congelamento de contas nos Estados Unidos e a proibição de qualquer transacção de cidadãos e entidades norte-americanas com este banco; multar a empresa britânica PSL Energy Services em 164 000 dólares por exportar para Cuba equipas e serviços para a indústria do petróleo; não autorizar a companhia alemã BASF de vender um herbicida a Cuba, nem desde a Alemanha nem através de qualquer sucursal na América Latina, por o ingrediente activo ser de origem norte-americana; suspender as operações do cruzeiro Holiday Dream, da companhia de cruzeiros espanhola Pullmantur, em Cuba, depois de ter sido adquirida pela Royal Caribbean, que é norte americana…
Tudo isto e muito mais
Face a estes e a muitos mais exemplos que encheriam páginas e páginas, que podemos dizer? Que o nazismo foi o que foi, nos campos de concentração, nos assassínios em massa, na própria Alemanha, nas invasões da União Soviética e de tantos países da Europa; que o fascismo em Itália, em Espanha, em Portugal, proibiu, perseguiu, matou; que, em muitos pontos do globo, há guerras, há morte, há fome, muita fome; mas este cerco, estes mil cercos todos os dias, o que são? Nazismo, fascismo, o inominável horror dos governos norte-americanos, as operações cirúrgicas de perseguir e de matar pelas bombas, pelos atentados terroristas, pela proibição de aceder ao desenvolvimento das relações entre países livres e capazes de lançarem projectos de vida essenciais à grande caminhada da humanidade para o futuro.
Tudo isto e muito mais. Pensemos que estamos em nossa casa e não podemos sair, ou não podemos receber amigos, irmãos, familiares que vivem num país ali ao lado, que nem sequer podem enviar dinheiro ao pai, à mãe, a quem quer que seja que poderiam ajudar. Pensar que não podemos comprar materiais para reconstruir as casas destruídas pelos furacões; pensar que eles, os governos norte-americanos, gastam centenas e centenas de milhões de dólares para financiarem bandidos, assassinos, invasões das nossas casas e do nosso país; ano após ano, dia após dia, isso acontece contra Cuba e já nos parece banal, no imenso crime que é cometido como quem bebe um copo de água ou se senta à mesa para jantar.
Mas não podemos admitir a barbaridade como o habitual, o gesto que já nem se vê, o cerco da nossa insensibilidade, o traço do destino feito com crueldade banal; temos de sentir, de ter ética, de resistir e de lutar. E, por isso, o povo português acorre a ajudar Cuba quando os furacões a atacam e devastam, como acorre e é solidário contra o crime e o bloqueio dos EUA, como está aí, nas iniciativas pela liberdade dos cinco cubanos que são patriotas e pagam, por serem dignos e lutadores, anos e anos de prisão nos Estados Unidos da América.
Os criminosos que mataram e incendiaram no Vietname; os governos que ordenaram as invasões de países e que sustentam guerras no Iraque, no Afeganistão, em qualquer lado do mundo em impõem interesses imperiais, ocupações e conquistas de matérias-primas; governantes que cercam e eliminam governos democráticos de outros países e favorecem o crime, a produção e tráfico de droga, entre outros factos e evidências indesmentíveis, o que são?
Olhemos com muita admiração e amor para Cuba e para o povo cubano e saibamos ser dignos de nós próprios, no apoio, na solidariedade e na indignação que nos torna mais justos e humanos. Lá onde pudermos estar, na iniciativa de protesto, nos actos de solidariedade, nesse ombro com ombro da dignidade, da ética, da justiça e da paixão pela transformação do mundo, aí estaremos ao lado de Cuba e do povo cubano, e assim ficamos melhores connosco, na grandeza infinda que é o maior gesto de estarmos vivos e de reescrevermos a palavra solidariedade e o amor indestrutível por Cuba, pelo seu povo e pela revolução cubana.
Até sempre. Até sempre, cidadãos e camaradas de Cuba.