Denunciar a política repressiva da ditadura
A URAP defende a criação, na Fortaleza de Peniche, de um espaço para a criação de um Museu da Resistência, destinado a actividades culturais de divulgação pública de uma das épocas mais negras da história de Portugal contemporânea.
Um espaço sobre a resistência e a luta pela liberdade
«Antiga prisão de Peniche vai ser pousada turística», «Fortaleza de Peniche vai ser transformada em pousada» e «De antiga prisão política a pousada de Portugal» foram títulos que fizeram, recentemente, notícia em alguns dos principais jornais nacionais. Em vez de se informarem, desinformaram a opinião pública.
Para se perceber a situação é necessário ir às suas origens. O Forte de Peniche deixou de ser uma prisão política logo depois do 25 de Abril de 1974, não tendo tido qualquer tipo de tratamento como espaço histórico até 1984, altura em que a autarquia e o Governo, na altura PS, se propôs criar um museu municipal sobre a resistência.
«Foi a partir dai que houve a preocupação de se criar, no Forte de Peniche, um espaço que homenageasse e ao mesmo tempo contasse a história sobre a sua utilização como cadeia política. Devido à falta de meios, ficou apenas reservado uma parte do pavilhão onde tinham estado os presos políticos, o parlatório, o refeitório, o reduto da evasão de Dias Lourenço e os espaços percorridos pela fuga de Álvaro Cunhal», informou, em declarações ao Avante! Aurélio Santos, coordenador do Conselho Directivo da União de Resistentes antifascistas Portugueses (URAP).
Passados alguns anos, esta ideia voltou a surgir, com uma outra força política no Executivo da autarquia (CDU). «Esta ideia preocupou a URAP e os antifascistas, e, nesse sentido, antes de assinarmos um protocolo com a Câmara de Peniche, tivemos o cuidado de falar com o Siza Vieira, arquitecto que fez o projecto da pousada e que coordena todo o trabalho de transformação, reabilitação e revalorização do Forte no sentido de lá ser integrado o Museu da Resistência», revelou, acrescentando: «O projecto da pousada que ele [Siza Vieira] me mostrou nessa altura, até porque o Forte é muito grande, não entrava em conflito nem em contradição com o museu».
Foi entretanto assinado um acordo entre a Enatur, o Turismo de Portugal, o Grupo Pestana Pousadas e a Direcção Geral do Tesouro para a construção da pousada. «Este tema tem de ser atentamente analisado, até porque pode haver aqui uma desfiguração do Forte a pôr em causa o projecto do museu», advertiu Aurélio Santos, lembrando que este deverá ser um espaço «sobre a resistência e a luta pela liberdade em Portugal».
Para além das celas, onde estiveram os antifascistas, e a sua reabilitação, o museu da resistência deverá ainda contar com processos adequados de tratamento museológico e artístico, audiovisual e arquitectónico, que possa manter e desenvolver o interesse com que milhares de pessoas visitam anualmente o Forte. No que respeita ao Museu da Resistência, a URAP está desde já a trabalhar com um conjunto de especialistas e instituições capazes de assegurar formas de apresentação adequadas.
Está também em curso uma recolha de documentação para criação de um Centro de Documentação, devidamente informatizado, que possa contribuir para o estudo e divulgação histórica e pedagógica dessa época. «A URAP está em contacto com outros museus, o que pode colocar Peniche num roteiro de museus europeus», adiantou Aurélio Santos.
Por seu lado, a Câmara Municipal pretende ainda utilizar os espaços disponíveis no Forte para criação de outros espaços museológicos ligados com a história e as actividades de Peniche, designadamente um museu das pescas e um museu do mar que apresente o valioso conjunto de achados arqueológicos de navios naufragados nos mares de Peniche.
Para se perceber a situação é necessário ir às suas origens. O Forte de Peniche deixou de ser uma prisão política logo depois do 25 de Abril de 1974, não tendo tido qualquer tipo de tratamento como espaço histórico até 1984, altura em que a autarquia e o Governo, na altura PS, se propôs criar um museu municipal sobre a resistência.
«Foi a partir dai que houve a preocupação de se criar, no Forte de Peniche, um espaço que homenageasse e ao mesmo tempo contasse a história sobre a sua utilização como cadeia política. Devido à falta de meios, ficou apenas reservado uma parte do pavilhão onde tinham estado os presos políticos, o parlatório, o refeitório, o reduto da evasão de Dias Lourenço e os espaços percorridos pela fuga de Álvaro Cunhal», informou, em declarações ao Avante! Aurélio Santos, coordenador do Conselho Directivo da União de Resistentes antifascistas Portugueses (URAP).
Passados alguns anos, esta ideia voltou a surgir, com uma outra força política no Executivo da autarquia (CDU). «Esta ideia preocupou a URAP e os antifascistas, e, nesse sentido, antes de assinarmos um protocolo com a Câmara de Peniche, tivemos o cuidado de falar com o Siza Vieira, arquitecto que fez o projecto da pousada e que coordena todo o trabalho de transformação, reabilitação e revalorização do Forte no sentido de lá ser integrado o Museu da Resistência», revelou, acrescentando: «O projecto da pousada que ele [Siza Vieira] me mostrou nessa altura, até porque o Forte é muito grande, não entrava em conflito nem em contradição com o museu».
Foi entretanto assinado um acordo entre a Enatur, o Turismo de Portugal, o Grupo Pestana Pousadas e a Direcção Geral do Tesouro para a construção da pousada. «Este tema tem de ser atentamente analisado, até porque pode haver aqui uma desfiguração do Forte a pôr em causa o projecto do museu», advertiu Aurélio Santos, lembrando que este deverá ser um espaço «sobre a resistência e a luta pela liberdade em Portugal».
Para além das celas, onde estiveram os antifascistas, e a sua reabilitação, o museu da resistência deverá ainda contar com processos adequados de tratamento museológico e artístico, audiovisual e arquitectónico, que possa manter e desenvolver o interesse com que milhares de pessoas visitam anualmente o Forte. No que respeita ao Museu da Resistência, a URAP está desde já a trabalhar com um conjunto de especialistas e instituições capazes de assegurar formas de apresentação adequadas.
Está também em curso uma recolha de documentação para criação de um Centro de Documentação, devidamente informatizado, que possa contribuir para o estudo e divulgação histórica e pedagógica dessa época. «A URAP está em contacto com outros museus, o que pode colocar Peniche num roteiro de museus europeus», adiantou Aurélio Santos.
Por seu lado, a Câmara Municipal pretende ainda utilizar os espaços disponíveis no Forte para criação de outros espaços museológicos ligados com a história e as actividades de Peniche, designadamente um museu das pescas e um museu do mar que apresente o valioso conjunto de achados arqueológicos de navios naufragados nos mares de Peniche.